Gata desaparecida há 2 anos é encontrada graças a microchip
Tecnologia de microchipagem viabilizou o reencontro da gata com a tutora após dois anos de buscas

O que era para ser apenas uma escapada rotineira acabou se transformando em uma ausência de dois anos. A gata Penélope, pertencente a Silvia Santos da Silva, moradora do Bairro Alto,em Curitiba, desapareceu sem deixar rastros. O desfecho dessa longa separação, contudo, teve um final feliz recente.
O reencontro só foi possível porque, tempos atrás, o animal recebeu um microchip subcutâneo gratuito por meio da Rede de Proteção Animal da Prefeitura de Curitiba, durante uma das campanhas públicas de castração da cidade.
O dispositivo funciona como uma carteira de identidade moderna para os animais de estimação. Aplicado de forma simples na base do pescoço, o componente abriga um microcircuito eletrônico com uma numeração única que impede falsificações ou duplicidades.
Esse registro liga as informações do animal diretamente aos dados de contato do tutor responsável.

No caso de Penélope, o sistema foi colocado à prova quando a moradora do bairro Alto da XV, Jasmine Moreira, avistou a gata perdida na rua, a uma distância considerável de seu lar original.
“Encontramos ela na manhã de 25 de maio, em frente ao edifício onde moramos. Ela estava com medo, miando bastante e assustada. Achei que tinha sido atropelada”, detalhou Jasmine.
Sensibilizada com a situação, ela recolheu o felino e buscou atendimento em um consultório veterinário da região. Ao passarem o scanner pelo corpo da gata, os profissionais detectaram o chip e acessaram o cadastro municipal, localizando o nome de Silvia e dando início ao processo de devolução.
Do abandono inicial à longa jornada de fuga
A trajetória de Penélope sempre foi marcada por reviravoltas. Antes de se perder entre os bairros curitibanos, ela foi resgatada de um lote vago no município vizinho de Piraquara, na Região Metropolitana. Silvia a acolheu quando ainda era um filhote indefeso e tratou de regularizar sua situação junto ao portal da Prefeitura.
“Levamos a gata para a castração no mutirão gratuito da Prefeitura e lá colocaram o microchip. Foi com ele que conseguimos achar a Penélope depois de tanto tempo”, relembrou a dona.
O mistério do sumiço começou quando Silvia precisou passar por uma mudança residencial. Temporariamente, a gata foi abrigada na residência de uma ex-cunhada da tutora, na mesma vizinhança. Bastaram apenas três dias no novo endereço para que o animal escapasse.
“A gente procurou, mas nunca mais encontrou. Agora, do nada, graças a Deus acharam ela no Alto da XV, dá uns 20 minutos daqui de casa. Depois de dois anos, ela voltou e está bem faceira”, comemorou Silvia.
Conscientização sobre a posse responsável
Ao acolher a gata, Jasmine constatou que ela apresentava sinais de bom tratamento e uma pelagem bem-cuidada, o que sugere que o animal possa ter sido acolhido temporariamente por outra família ao longo do período em que esteve sumido.
Jasmine chegou a divulgar fotos do pet em redes sociais em uma tentativa independente de achar os donos, mas não obteve pistas.
“Se não fosse pelo microchip não iríamos conseguir encontrá-la e eu não iria conseguir ficar com a Penélope, já tenho dois gatinhos e não tem espaço no meu apartamento. Ela iria acabar em um lar de adoção”, admitiu Jasmine.
A experiência mudou a visão da mulher sobre os cuidados com os próprios bichos: “Meus gatos não têm microchip, mas agora vão ter, vi como é importante”.
A leitura do chip é feita por ondas de rádio e o ecossistema de busca envolve clínicas parceiras, órgãos públicos e estabelecimentos comerciais que possuem o leitor óptico. Essa ampla rede de suporte eleva as chances de sucesso na localização de animais perdidos pela capital paranaense.

Diagnóstico da população animal da cidade
O monitoramento eletrônico exerce papel vital também no controle de saúde pública e planejamento urbano. Em comunicado à imprensa, o diretor de Pesquisa e Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Edson Evaristo, ressalta a importância de engajar a comunidade nesses mutirões.
“Incentivamos a população para identificarem os seus pets nos eventos promovidos pela Prefeitura. Além de contribuir com a política de monitoramento da população de animais da cidade, o microchip pode ser extremamente útil nos casos de fugas ou mesmo de furtos, pois é a forma efetiva de comprovar a guarda do animal.”

Para os moradores que desejam estender essa proteção aos seus companheiros de quatro patas, o primeiro passo é preencher o formulário no portal oficial da Rede de Proteção Animal. As ações gratuitas ocorrem de forma itinerante.












