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Dia dos Animais: a importância dos pets na vida dos tutores
O dia 14 de março marca o Dia dos Animais, data em que grande parte dos tutores costuma se declarar aos seus pets
atualizado
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No dia 14 de março é celebrado o Dia Nacional dos Animais. O objetivo da data é reforçar a importância da proteção aos animais, incluindo o respeitos aos direitos tantos dos pets quanto dos animais selvagens e silvestres. Grande parte das campanhas da data reforçam a guarda e a adoção responsável e tem como objetivo diminuir os casos de maus-tratos e abandono.
Outro aspecto comum da data são as homenagens e declarações de tutores aos seus animais de estimação. Elas são um exemplo da importância que o vínculo com os pets tem na vida das tutores, superando, muitas vezes, relações com outros humanos.
A psicóloga Juliana Sato comenta que essas relações funcionam também como apoio emocional, além de atuarem na organização da rotina da casa e até mesmo como fonte de pertencimento em momentos de dificuldade e instabilidade.
A profissional reforça que a convivência com os animais domésticos ultrapassa a barreira de uma companhia pontual. Eles se transformam em membros da família e muitas vezes esses vínculos são mais diretos e menos afetados pelas complexidades que marcam os com outros humanos.
“É um vínculo que se sustenta na presença. Muitas vezes, isso reduz a sensação de isolamento e ajuda a manter o mínimo de funcionamento psíquico quando tudo parece perder contorno”, afirma a profissional.
Os animais de estimação também costumam ser pilares importantes de sustentação em momentos de luto e sobrecarga emocional. “Os animais introduzem previsibilidade na rotina. Eles precisam ser alimentados, cuidados, observados. Esse cuidado organiza o dia e ajuda a pessoa a se manter implicada na própria vida, mesmo quando a energia emocional está comprometida”, explica Juliana.
“Quando alguém está vivendo um luto, uma solidão profunda ou um período de exaustão, voltar a atenção para o que é concreto pode ser uma forma de reconexão com o mundo externo”, completa a psicóloga.
A responsabilidade e o cuidado com o pet
E para além de todas as vantagens que a presença de um animal de estimação traz para os tutores, é necessário reforçar a importância da contrapartida, que é o cuidado do humano com os animais sob sua responsabilidade.
Ao adotar um pet, o tutor não pode deixar de considerar o compromisso que está assumindo, que é de longo prazo e exige adaptações tanto na casa que recebe o animais quanto na rotina do cuidador principal.
“Especialmente quando o animal adoece ou envelhece, o cuidado deixa de ser apenas espontâneo. Ele exige regulação emocional contínua. A pessoa precisa ajustar sentimentos, ambiente e decisões para permanecer presente, mesmo quando está cansada ou sobrecarregada”, observa a psicóloga.
Outro ponto que ela considera importante é o tutor estar ciente e compreender que, na maioria das vezes, ele vai passar pelo luto de perder o companheiro de quatro patas, o que reforça ainda mais a necessidade de um cuidado atento à saúde e ao bem-estar do pet.
“Vínculos não eliminam o sofrimento, mas tornam a experiência mais atravessável. Os animais não substituem relações humanas nem resolvem questões psíquicas complexas. Mas fazem parte de um campo de pertencimento que, em determinadas fases da vida, ajuda a manter continuidade quando a realidade pesa”, conclui.
Juliana reforça, no entanto, que a relação não substitui, de forma alguma, o cuidado com a saúde mental e o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. “Não é uma solução para o sofrimento psíquico. Mas pode contribuir para sustentar o dia quando tudo parece pesado demais”.


















