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Ave rara: Kākāpō tem 1º filhote em quatro anos na Nova Zelândia
Nascimento marca nova temporada reprodutiva da ave; espécie soma somente 237 indivíduos monitorados no mundo
atualizado
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O primeiro filhote de kākāpō em quatro anos nasceu na Nova Zelândia e abriu oficialmente a nova temporada reprodutiva da espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção. Batizado de Tiwhiri, o filhote da ave saiu do ovo em 14 de fevereiro, segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, responsável pelo programa de recuperação da ave. Atualmente, 237 indivíduos vivos são monitorados na natureza pelo governo neozelandês.
Esta é a primeira reprodução registrada desde 2022 e, de acordo com o órgão, a temporada reúne o maior número de aves em idade fértil desde o início do projeto de preservação.
Entenda
- Primeiro nascimento em quatro anos: Tiwhiri é o primeiro filhote da espécie desde a última temporada reprodutiva, encerrando um intervalo de quatro anos sem novos nascimentos.
- População ainda é reduzida: hoje, existem 237 kākāpō vivos sob monitoramento intensivo. Antes do programa de conservação, a espécie chegou a apenas 51 indivíduos em todo o mundo.
- Reprodução lenta e assistida: o acasalamento ocorre apenas a cada dois ou quatro anos. Técnicos acompanham todo o processo e realizam intervenções, como a transferência de ovos entre fêmeas, para ampliar a sobrevivência e preservar a diversidade genética.
- Temporada com 187 ovos registrados: nesta fase, foram contabilizados 187 ovos. Exames confirmaram fertilidade em 74 deles, embora nem todos devam eclodir ou sobreviver às primeiras semanas.
Tiwhiri foi incubado por uma fêmea chamada Yasmine. O ovo foi retirado do ninho da mãe biológica porque ela já possuía quatro ovos férteis. Como Yasmine não tinha nenhum ovo viável nesta temporada, os especialistas optaram pela realocação.
Segundo o Departamento de Conservação, o manejo prioriza ovos e filhotes com menor representatividade genética, estratégia considerada essencial para evitar o enfraquecimento da espécie a longo prazo.
A reprodução do kākāpō é naturalmente limitada. Após o acasalamento, o macho não participa da criação. Cerca de uma semana depois, a fêmea começa a postura, podendo colocar até cinco ovos, com intervalos de três dias. A incubação dura aproximadamente um mês.

A espécie quase desapareceu nas últimas décadas, principalmente devido à introdução de predadores no território neozelandês e às próprias características biológicas da ave. O kākāpō não voa, vive no chão e tem hábitos noturnos — o nome, de origem maori, significa “papagaio da noite”. De plumagem verde, olhos voltados para frente e bico cinza, pode pesar mais do que outros papagaios e tem expectativa de vida que pode chegar a 100 anos.
Apesar da confirmação de 74 ovos férteis, o órgão alerta que parte deles pode não chegar à eclosão e que nem todos os filhotes devem sobreviver às primeiras semanas. Por isso, as equipes mantêm monitoramento permanente dos ninhos durante toda a temporada reprodutiva.
Restrita à Nova Zelândia, a ave é considerada uma das mais raras do mundo — e pouquíssimas pessoas terão a chance de vê-la ao vivo.
