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Ataque de abelhas: saiba prevenir e o que fazer se seu pet for picado
Mesmo sendo uma situação comum, muitos tutores não sabem como agir quando o pet é picado por abelhas
atualizado
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Uma das preocupações de quem tem pets em casa é a grande curiosidade deles, que muitas vezes acaba resultando em situações de risco.
Ingerir objetos tóxicos, brincar com insetos e farejar lugares inapropriados são cenas cotidianas. No caso dos insetos, é importante estar atento às reações decorrentes de picadas de abelha.
É comum circularem vídeos na internet de cães e gatos com os focinhos inchados após o contato com abelhas. O visual pode até ser “fofo”, mas também é perigoso se o animal não for tratado da forma correta.
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Como agir
A médica-veterinária Flávia Palata explica que algumas medidas simples nos primeiros minutos após as picadas de abelha são capazes de controlar a gravidade do quadro.
“A primeira conduta é afastar imediatamente o pet da área do ataque, levando-o para dentro de casa ou do carro, pois as abelhas liberam feromônios que ‘marcam’ o alvo e atraem novos ataques”, ensina.

Após essa primeira ação, ela orienta manter o animal calmo, sem esforço físico e excitação, para evitar o aumento da frequência cardíaca, pois isso acelera a absorção do veneno e pode piorar os quadros respiratórios.
“Com muito cuidado, o tutor deve verificar a boca e a face do animal, procurando por ferrões, especialmente se houver suspeita de que o pet tentou morder uma abelha”, continua Flávia Palata.
Outra recomendação é aplicar compressa fria no local da picada, pois ajuda a reduzir dor e inchaço. “Em casos de muitas abelhas presas aos pelos, um enxágue suave com água pode auxiliar na remoção, desde que isso não atrase a ida ao veterinário, especialmente se já houver sinais sistêmicos.”
“Mesmo que a lesão aparente seja pequena, é preciso verificar outros sinais. Os mais preocupantes são dificuldade para respirar, tosse intensa, engasgos, inchaço de língua ou laringe, salivação excessiva e gengivas pálidas ou arroxeadas. Também são alarmantes os relacionados a choque sistêmico, como fraqueza súbita, desmaios, incapacidade de permanecer em pé, tremores intensos, convulsões e alterações gastrointestinais”, alerta.
O que não fazer
Flávia comenta que mais importante do que saber o que fazer, é ter conhecimento sobre o que não fazer. “Existem condutas que não devem ser realizadas, pois podem agravar o quadro ou colocar o animal em risco.”

Confira orientações da profissional:
- Nunca administrar medicamentos humanos por conta própria, como anti-inflamatórios (ibuprofeno, por exemplo), que são tóxicos para cães e perigosos para gatos;
- Não utilizar álcool, vinagre, bicarbonato, pasta de dente ou pomadas caseiras;
- Não fazer torniquetes, cortar a pele ou tentar “sugar” o veneno;
- Não “esperar para ver” quando houver picadas em boca ou face, múltiplas picadas, vômitos, diarreia, fraqueza ou qualquer alteração respiratória.
“A forma correta de remoção é raspando o ferrão, e não com uma pinça. O ideal é utilizar um objeto rígido e sem corte, como um cartão plástico, a lateral de uma lâmina sem fio ou até a unha, realizando um movimento de raspagem lateral para desalojar o ferrão da pele. Esse método reduz o risco de espremer o veneno, o que poderia aumentar a quantidade de toxina inoculada”, orienta Flávia Palata, que é professora de medicina veterinária da Faculdade Anhanguera.
Há diferenças na reação entre cães e gatos?
Segundo a especialista, quando ocorre um ataque por abelhas, existem diferenças importantes na resposta de cães gatos e também conforme o porte do animal. “O ponto central é diferenciar dois mecanismos distintos: a reação alérgica (anafilaxia) e a toxicidade pela carga total de veneno.”
Independentemente da espécie ou porte, a anafilaxia (alergia extrema) é uma resposta individual do organismo e pode ocorrer mesmo após uma única picada. “Pode aparecer em pets que já tiveram contato anterior com veneno de abelha ou vespa. No entanto, é importante destacar que pode ocorrer em qualquer animal.”
“Nos cães, os ataques são mais frequentes e a anafilaxia costuma se manifestar com sinais gastrointestinais marcantes. Nos gatos, pode passar despercebido inicialmente, pelo comportamento mais reservado e pelagem. Os gatos também são mais sensíveis ao estresse e à hipóxia, o que faz com que qualquer alteração respiratória seja considerada uma urgência”, comenta.
Nos casos de múltiplas picadas, a gravidade está associada com a quantidade total de veneno absorvida. Flávia ainda acrescenta que pets pequenos tendem a evoluir de forma mais grave, pois acabam recebendo, proporcionalmente, uma dose maior de veneno por quilo de peso corporal. As complicações podem envolver, por exemplo, hemólise, rabdomiólise e lesão renal.
Medidas de prevenção
A veterinária menciona que a prevenção é a principal forma de proteger os pets. Ela destaca que, em áreas urbanas, colmeias e enxames podem se instalar em locais pouco visíveis. “É importante realizar inspeções em áreas com maior chance de formação de ninhos, como telhados, caixas de ar-condicionado, vãos de muros, postes, jardins e árvores ocas.”

“Em períodos de maior atividade das abelhas, especialmente em dias quentes, recomenda-se reduzir atrativos, evitando deixar alimentos no quintal e brinquedos com cheiro doce acessíveis aos pets.” O manejo do lixo também entra na lista — não deixar doces expostos, frutas maduras caídas no chão, resíduos de mel, refrigerantes ou ração úmida ao ar livre.
A hora do passeio exige alguns cuidados: uso de guia curta em locais com flores, árvores frutíferas ou lixeiras, e o treinamento de comandos para impedir cães de tentar caçar os insetos. “Para pets com histórico de reação alérgica, é essencial conversar com o veterinário para estabelecer um plano de emergência individualizado”, conclui.










