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10 plantas comuns que são um risco para pets; veterinária explica
Plantas populares em calçadas e jardins podem causar intoxicações graves em pets. Conheça as principais e saiba como agir nesses casos
atualizado
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Nem tudo que é verde é inofensivo, pelo menos não para cães e gatos. Algumas das plantas mais comuns em ruas, praças e até dentro de casa escondem substâncias que podem causar irritações, vômitos e até falência de órgãos nos animais.
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O maior problema é que é um risco escondido. Isso acontece porque muitas plantas passam despercebidas pelos tutores, principalmente por serem ornamentais e muito usadas em projetos paisagísticos.
Cuidados durante o passeio
Segundo a médica-veterinária Ana Carolina Mattos, durante os passeios, a atenção do tutor é o fator mais importante para evitar acidentes. “É importante que o responsável seja, de fato, o responsável, como o próprio nome diz, e tenha controle do animal.”
O ideal é que o pet esteja sempre com coleira e guia, e em casos de animais que costumam cheirar ou comer tudo o que veem pelo caminho, o uso de focinheira pode ser uma boa alternativa.
“Às vezes, usar até uma focinheira daquelas de grade fechada na frente, para impedir o acesso”, recomenda a veterinária. Ela reforça que é importante monitorar constantemente o animal para evitar que ele circule solto em parques e praças.
“É a melhor forma de prevenir que o animal coma plantas e outros tipos de coisas também. Por exemplo, eu já vi caso de cachorro que comeu pedaço de vidro em parque”, comenta.

Meu pet está intoxicado, e agora?
Mesmo com cuidado, acidentes acontecem. Se o tutor perceber que o animal mastigou ou ingeriu plantas, a orientação é agir rápido. “O importante é tirar foto ou pegar um pedaço. Saber de qual planta se trata é o primeiro passo.”
Em seguida, o pet deve ser levado ao veterinário imediatamente. O uso de carvão ativado pode ser feito até chegar à clínica, mas a profissional deixa um alerta.
“Dependendo da toxicidade da planta, o ideal é levar pra clínica para ser aplicada medicação e fazer uma lavagem gástrica se for o caso. Não dá pra esperar o animal apresentar sintomas, porque pode ser tarde demais”, orienta.
Entre os principais sinais de intoxicação por plantas estão salivação excessiva, vômitos, diarreia, fraqueza, tremores, convulsões, dificuldade para respirar, alterações nos batimentos cardíacos e irritação na boca ou mucosa.
E o que não fazer nesses casos?
É importante ficar atento, pois alguns cuidados populares podem piorar a situação. “O que não deve ser feito é induzir vômito, principalmente usando água oxigenada. Isso acaba com o esôfago do animal”, afirma a Ana Carolina.

Segundo ela, também não se deve recorrer a “receitas milagrosas” com leite ou clara de ovo. “Só piora a situação. É no máximo carvão ativado e levar para o veterinário.”
A gravidade e o tempo de manifestação dos sintomas dependem de diversos fatores, como os tipos de plantas e a quantidade ingerida. Casos agudos, mais frequentes, surgem entre 30 minutos e quatro horas após o contato.
Em situações moderadas, os sinais podem levar até 24 horas para aparecer. Já exposições repetidas, como no caso de plantas que afetam fígado ou rins, podem demorar dias ou semanas para causar efeitos visíveis.
A atenção também deve estar dentro de casa
Além dos passeios, o perigo pode estar bem no quintal ou na sala. “É muito importante pesquisar se as plantas que a gente tem em casa são tóxicas”, alerta a especialista.
Ela cita como exemplo a cycas revoluta, também conhecida como sagu-de-jardim, extremamente tóxica para cães. “Um pedacinho já pode causar muitos danos e, na maioria dos casos, levar a óbito por falência hepática.”

O recado final para os “pais” de pets e plantas é simples: conhecer as espécies que convivem com os animais é muito importante para garantir que a beleza das plantas não vire um perigo silencioso.
Para ajudar a evitar acidentes, a coluna É o bicho! listou 10 espécies populares de plantas que podem intoxicar seu bichinho. Confira quais são, quais toxinas têm e os sinais de alerta em caso de ingestão.
Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.)
- Substância tóxica: cristais de oxalato de cálcio
- Efeitos: causa forte irritação na boca, língua e garganta.
- Sinais: salivação intensa, dificuldade para engolir, inchaço e vômitos.

Lírios (Lilium spp.)
- Substância tóxica: compostos ainda não totalmente identificados, mas altamente tóxicos para gatos.
- Efeitos: provocam falência renal aguda, mesmo em pequenas quantidades.
- Sinais: vômitos, apatia, perda de apetite e evolução rápida para insuficiência renal.

Espada-de-São-Jorge (Sansevieria trifasciata)
- Substância tóxica: saponinas.
- Efeitos: irritação no trato gastrointestinal.
- Sinais: náuseas, vômitos, diarreia e prostração.

Azaleia (Rhododendron spp.)
- Substância tóxica: grayanotoxinas.
- Efeitos: comprometem o sistema cardiovascular e o sistema nervoso.
- Sinais: salivação excessiva, fraqueza, vômitos, arritmias e convulsões.

Mamona (Ricinus communis)
- Substância tóxica: ricina, que é uma das mais potentes conhecidas.
- Efeitos: destruição de células em diferentes órgãos.
- Sinais: dor abdominal intensa, vômitos, diarreia com sangue, convulsões e risco de morte.

Espirradeira (Nerium oleander)
- Substância tóxica: glicosídeos cardiotóxicos, como a oleandrina.
- Efeitos: comprometem o funcionamento do coração.
- Sinais: vômitos, salivação, batimentos lentos, arritmias e morte súbita.

Hortênsia (Hydrangea macrophylla)
- Substância tóxica: compostos cianogênicos, que liberam cianeto.
- Efeitos: interferem na respiração celular.
- Sinais: vômitos, diarreia, dificuldade para respirar e convulsões.

Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica)
- Substância tóxica: oxalato de cálcio.
- Efeitos: provoca irritação intensa na boca e no estômago.
- Sinais: salivação, inchaço da língua, vômitos e dor abdominal.

Bico-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima)
- Substância tóxica: seiva leitosa com látex irritante.
- Efeitos: causa irritação em mucosas e pele.
- Sinais: salivação, vômitos, irritação nos olhos e dermatite local.

Manacá-de-jardim (Brunfelsia spp.)
- Substância tóxica: brunfelsamidina e escopoletina.
- Efeitos: agem sobre o sistema nervoso central.
- Sinais: tremores, convulsões, rigidez muscular, vômitos e diarreia.











