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9 cuidados essenciais para proteger a flora vaginal e evitar infecções

O equilíbrio da microbiota da vagina é essencial para assegurar a saúde da região íntima. Conheça fatores que podem prejudicar essa harmonia

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A flora vaginal é formada por milhões de microrganismos que vivem em equilíbrio para defender a vagina, a vulva e órgãos como o útero, as trompas e até a bexiga. Esse delicado sistema de proteção natural impede a proliferação de agentes infecciosos nessas áreas.

A principal arma dessas “tropas” microscópicas é a acidez: um ambiente vaginal com pH ácido dificulta a sobrevivência de invasores indesejados. Quem mantém esse meio ácido são os bacilos de Döderlein — bactérias benéficas que vivem nas paredes vaginais e transformam a glicose em ácido lático, mantendo o equilíbrio necessário à saúde íntima.

Esse sistema, no entanto, é sensível a diversos fatores. Alterações hormonais do ciclo menstrual, uso de antibióticos ou anticoncepcionais, relações sexuais e até a gravidez podem desestabilizar a flora vaginal.

“Uma flora vaginal normal tem vários tipos de microrganismos, entre eles bactérias e fungos, que costumam viver em harmonia, garantindo sua saúde”, explica a ginecologista e obstetra Renata Lamego, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Em geral, o próprio corpo se encarrega de restaurar esse equilíbrio. Mas quando há doenças que afetam a imunidade — como lúpus, diabetes e insuficiência renal — essa autorregulação pode falhar, resultando em um quadro chamado disbiose.

Quando o desequilíbrio traz problemas

A disbiose vaginal abre caminho para sintomas incômodos e, em casos mais graves, pode comprometer a fertilidade e até provocar aborto. Ardência, coceira e alteração no odor são alguns sinais de alerta.

Outro indicativo importante é a mudança no padrão da secreção vaginal, que deve ser clara. “Se houver mudanças na coloração, que pode ficar acinzentada ou esverdeada, por exemplo; no cheiro, que tende a ficar desagradável; e na consistência, que pode ficar mais bolhosa; são sinais de corrimento e é importante marcar uma consulta com um médico para que ele avalie o quadro”, alerta o ginecologista e obstetra Luiz Brito, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Cuidar da flora vaginal é cuidar de um sistema essencial para a saúde feminina. Por isso, conhecer os sinais de desequilíbrio e ter hábitos saudáveis é o caminho para evitar infecções e garantir o bem-estar em todas as fases da vida. A seguir, confira algumas dicas práticas para adotar já.

1. Prefira calcinhas de algodão
A escolha do tipo de roupa íntima influencia diretamente na ventilação da região genital. Tecidos sintéticos dificultam a transpiração, criando um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de microrganismos.

A recomendação é optar por calcinhas 100% algodão — e não apenas com o forro desse material. À noite, dormir sem roupa íntima também pode ser benéfico para manter a região mais arejada.

2. Não use absorventes diários
Apesar de populares, os absorventes diários não são recomendados para uso contínuo. Eles abafam a vagina e mantêm a área em contato constante com secreções, o que desequilibra a flora local e favorece a ocorrência de corrimentos.

“Quanto mais se abafa a vagina com esse tipo de absorvente, maior acaba sendo a proliferação de microrganismos, o que leva a um maior risco de corrimento”, alerta Renata Lamego.

Segundo ela, o uso desses itens leva a um ciclo vicioso: “quanto mais se usa, maior é a secreção e mais se quer usar”, explica. Em períodos de maior liberação de secreção vaginal, a orientação é levar uma calcinha extra na bolsa e trocá-la ao longo do dia, se necessário.

3. Evite tecidos sintéticos e roupas apertadas
Peças muito justas e confeccionadas com tecidos sintéticos ou espessos, como o jeans, dificultam a transpiração da região genital, criando um ambiente quente e úmido que favorece o crescimento de microrganismos.

Para preservar a saúde íntima, é recomendado intercalar o uso de calças com peças mais leves e ventiladas, como saias e vestidos.

4. Limpe-se adequadamente após evacuar
A forma correta de higienizar a região íntima após fazer cocô é passando o papel higiênico de frente para trás. Isso evita que resíduos fecais e bactérias da região anal entrem em contato com a vagina e causem infecções.

Se possível, lave a região depois, para garantir limpeza adequada. Lenços umedecidos (sem álcool ou perfume) podem ser úteis fora de casa, promovendo uma limpeza mais completa.

5. Troque absorventes com frequência
Durante o período menstrual, a troca de absorventes deve ser feita, no máximo, a cada quatro horas — especialmente quando se trata de absorventes internos. Isso evita que o ambiente se torne excessivamente úmido, o que favorece a proliferação de agentes nocivos.

Além disso, o sangue tem um pH diferente do ambiente vaginal e seu contato prolongado com a mucosa pode causar irritações. Também é indicado evitar absorventes perfumados, cujas substâncias químicas podem sensibilizar a região íntima e aumentar o risco de alergias.

6. Prefira sabonetes suaves e neutros
A higiene íntima deve ser feita com produtos suaves, sem excesso de perfumes ou corantes. Sabonetes íntimos, apesar de formulados para essa região, podem ter efeitos diferentes em cada pessoa: enquanto algumas mulheres se adaptam bem, outras relatam aumento da sensibilidade. O ideal é observar como seu corpo reage e evitar exageros. Na dúvida, saiba que menos é mais.

7. Lave corretamente as calcinhas
Os cuidados com a roupa íntima começam ainda na lavanderia. O ideal é lavar as peças com sabão neutro e evitar o uso de amaciantes e produtos perfumados, que podem causar alergias ou irritações.

Após a lavagem, o mais indicado é deixar as calcinhas secarem ao sol ou em local bem ventilado. Finalizar com ferro quente ajuda a eliminar possíveis microrganismos.

8. Tenha cuidado ao se depilar
Embora a depilação íntima não represente, por si só, um risco direto, a retirada total ou excessiva dos pelos pode enfraquecer uma barreira natural de proteção do corpo. Essa prática facilita a entrada de microrganismos que podem causar infecções. Por isso, é essencial escolher locais de confiança e garantir o uso de materiais descartáveis e esterilizados.

9. Ducha íntima pode ser prejudicial
Apesar da ideia de “higiene extra”, o uso da ducha íntima pode causar mais mal do que bem. Esse tipo de lavagem altera o pH vaginal e elimina microrganismos benéficos, essenciais para manter a flora equilibrada.

Caso não saiba, a vagina tem mecanismos de autolimpeza. Por isso, a higiene externa, com água e sabonete suave, já é suficiente para manter a saúde da região.

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