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Araras nascem na Mata Atlântica após 200 anos de extinção
O nascimento dos filhotes de arara-vermelha-grande celebra um marco para a fauna brasileira. Aves estavam ausentes do bioma há dois séculos
atualizado
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No último mês, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) celebrou uma importante vitória para a fauna brasileira: o nascimento dos primeiros filhotes de arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica. O acontecimento marca o retorno da espécie ao bioma após quase 200 anos de ausência.
O resultado é fruto do Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022 e conduzido pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama de Porto Seguro, na Bahia.
O caminho até a conquista
Para dar início ao programa, foram selecionadas aves resgatadas do tráfico de animais ou doadas por criadores autorizados.
Todas passaram por um rigoroso processo de identificação, com anilhas metálicas e microchips, seguido de quarentena, testes sanitários e avaliações clínicas.

Na sequência, os animais foram submetidos a treinamentos de socialização e condicionamento físico, medidas fundamentais para sobrevivência em vida livre. Estratégias como a oferta de alimentos nativos e instalação de caixas-ninho artificiais também ajudaram na adaptação ao novo ambiente.
A soltura ocorreu em uma área com cerca de 7 mil hectares de floresta em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, em Porto Seguro, considerada a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste.
A natureza agradece
Em 2024, a primeira turma de araras foi solta na região. Ainda no primeiro ano, algumas caixas-ninho já haviam sido ocupadas. O sinal foi promissor, já que estimativas iniciais apontavam que a reprodução poderia levar até cinco anos.

Neste ano de 2026, a formação de casais e a defesa das estruturas indicaram o tão esperado comportamento reprodutivo.
Com monitoramento a distância, a equipe confirmou o nascimento dos dois filhotes. Os pesquisadores, inclusive, já os observaram voando e sendo alimentados pelos pais, um indicativo claro da adaptação.
O resultado ainda reforça uma constatação importante para os profissionais: mesmo após períodos em cativeiro, as espécies são capazes de recuperar comportamentos naturais essenciais à sobrevivência.
O desaparecimento
Os primeiros registros da arara-vermelha-grande datam da chegada dos europeus ao território brasileiro, em 1500, período em que a ave ocupava grande parte do país. Na época, a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha já descrevia esses animais como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”.

Com o avanço da captura ilegal e do desmatamento, a espécie foi gradualmente eliminada de todo o litoral brasileiro. As populações remanescentes ficaram restritas a regiões do interior, como Norte e Centro-Oeste.
Considerada uma “engenheira do ecossistema” por sua capacidade de dispersar sementes por longas distâncias, a arara-vermelha-grande agora conta com uma rede de proteção formada por instituições como a Polícia Militar da Bahia, a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), a World Parrot Trust, além de parceiros locais.
Participe do projeto
O projeto segue em expansão e busca novos apoiadores. Zoológicos, centros de reabilitação e até proprietários legalizados podem contribuir, oferecendo indivíduos da espécie para futuras solturas.
Interessados podem entrar em contato pelo e-mail: ligia.ilg@ibama.gov.br.
