É o bicho!

Ameaça invisível: saiba como combater o maruim e conter infestações

Especialista explica por que o mosquito maruim, capaz de atravessar telas comuns, exige manejo do ambiente e não apenas inseticidas

atualizado

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Coleção de Ceratopogonidae do IOC/Fiocruz
maruim, vetor principal da febre Oropouche. Metrópoles
1 de 1 maruim, vetor principal da febre Oropouche. Metrópoles - Foto: Coleção de Ceratopogonidae do IOC/Fiocruz

Minúsculo no tamanho, mas capaz de gerar grandes transtornos, o maruim — popularmente conhecido como “mosquito pólvora” — tornou-se um desafio para moradores de áreas úmidas e litorâneas. Segundo o biólogo Fabiano Soares, a eficácia no combate a esse inseto depende da compreensão de que o problema raramente é isolado: onde há maruim, há um ecossistema favorável sustentando a população.

Diferente de outros mosquitos, sua biologia peculiar permite que ele escape de barreiras físicas convencionais e seja transportado por longas distâncias através de correntes de ar, exigindo uma estratégia de controle que vai muito além do uso de sprays domésticos. O maruim ficou conhecido pelo país após a recente infestação em Ilhota (SC), que é uma questão crônica, como contam moradores do Braço do Baú, principal região afetada na cidade.

Entenda

  • Biologia e comportamento: menores que os pernilongos, os maruins atravessam telas comuns; as fêmeas picam ao amanhecer e entardecer, causando coceira intensa e alergias.

  • O foco não é a água: diferente do Aedes aegypti, as larvas do maruim se desenvolvem em solo úmido, matéria orgânica, folhas acumuladas e áreas de mangue.

  • Transporte pelo vento: embora voem distâncias curtas, podem ser carregados por correntes de ar por quilômetros, o que explica infestações em locais sem focos diretos.

  • Controle estratégico: o combate exige um “tripé” que une manejo ambiental (drenagem), barreira química direcionada e proteção física com telas de malha fina.

Foto mostra mosquitos em análise em laboratório
Mosquito maruim é o principal transmissor da febre oropouche

Tecnicamente classificados na família Ceratopogonidae, os maruins dependem de ambientes ricos em matéria orgânica para completar seu ciclo de vida. De acordo com Soares, o erro mais comum em casos de infestação é focar apenas no inseto adulto.

“As larvas não ficam em água limpa. Elas estão no solo encharcado, na vegetação densa e em áreas com drenagem ruim. Se o ambiente continua produzindo, a infestação sempre voltará”, alerta o biólogo.

A capacidade de deslocamento desses dípteros é outro fator que surpreende a população. Estudos da Fiocruz indicam que, embora o inseto tenha um voo limitado a poucos metros, o vento atua como um vetor de dispersão. Isso significa que o foco do problema pode estar em um terreno vizinho ou em uma área de preservação próxima, e não necessariamente dentro da residência afetada.

Infestação de maruim em Ilhota (SC) é uma questão crônica, mas nos últimos tempos, o problema ficou ainda maior

Para lidar com o problema de forma profissional, Soares recomenda o manejo ambiental como prioridade. Isso inclui melhorar a drenagem do terreno, remover o acúmulo de folhas e manter a vegetação aparada para reduzir a umidade. No campo da proteção física, o uso de ventiladores é uma ferramenta subestimada: por serem muito leves, os maruins têm extrema dificuldade de voar contra correntes de ar forçadas.

Quanto ao uso de produtos químicos, a indicação é a aplicação direcionada de inseticidas residuais, como os piretroides, em locais de repouso como muros e paredes externas. Entretanto, o especialista faz um ajuste de expectativa necessário: em regiões de alta pressão ambiental, como o litoral, o objetivo técnico raramente é a erradicação total. O foco deve ser a redução da população a níveis toleráveis para garantir a qualidade de vida, transformando o ambiente em um local onde o morador não seja mais refém do inseto.

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