Biólogo esclarece se alguns tipos de sangue atraem picadas de mosquito

A maioria dos mosquitos procuram humanos para picar devido aos nutrientes presentes no sangue, que ajudam a desenvolver seus ovos

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Foto colorida de mosquito sob pele humana - Bióloga explica por que não podemos extinguir os mosquitos - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mosquito sob pele humana - Bióloga explica por que não podemos extinguir os mosquitos - Metrópoles - Foto: Freepik

Imagine estar em seu momento de paz e silêncio e de repente escutar um zumbido de mosquito? Sim, parece que eles estão em todas as partes, não importa onde estiver. Apesar de terem um papel ecológico importante, polinizando plantas e sendo fonte de alimento para outros animais, esses insetos, em especial as fêmeas, adoram dar aquela “picadinha” nos humanos, pois é isso que garante nutrientes para o desenvolvimento de seus ovos.

Quando o assunto é o ataque dos mosquitos, uma afirmativa bastante difundida pela internet é: “os mosquitos têm preferência por pessoas com sangue tipo O ou A”. No entanto, especialistas entrevistados pelo Metrópoles são unânimes: não há consenso científico sobre isso. 

“Quando falamos em mosquito, estamos nos referindo a diversas espécies diferentes, cada uma com comportamentos e preferências próprias. De forma geral, não existem evidências científicas consistentes de que um tipo sanguíneo específico seja mais atrativo para todos eles”, afirma o biólogo parasitólogo Filipe Abreu, professor do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG).

Segundo Abreu, realmente foram realizados experimentos em laboratório de diferentes países, mas nenhum deles obteve resposta conclusiva e teve resultado divergente.

“Alguns estudos sugerem que o Aedes aegypti seria mais atraído por pessoas com sangue tipo B. Outros trabalhos indicam maior atração pelo tipo O. Há ainda pesquisas que não encontraram diferença significativa entre os tipos sanguíneos. Em alguns desses estudos, essa atração foi até correlacionada com a fecundidade das fêmeas, ou seja, com a quantidade de ovos que elas produzem após se alimentarem”, aponta o especialista apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

O real mecanismo por trás da picada dos mosquitos

Atualmente, a teoria mais aceita para a atração humana a picada dos mosquitos tem relação com a composição química da pele, especialmente ao que é expelido através do suor. Por meio dos ácidos e substâncias voláteis liberadas, os animais são atraídos e nos atacam.

Suor humano
São os compostos do suor que atraem os mosquitos

A bióloga Clair Aparecida Viecelli explica que a visão dos mosquitos tem como foco as cores, intensidade e a direção da luz e não a profundidade e formas, como a nossa. Por isso, eles possuem estruturas sensoriais chamadas de sensilas, que são bastantes desenvolvidas e localizadas especialmente nas antenas, aparelho bucal e pernas.

“Essas estruturas funcionam como órgãos sensoriais, permitindo ao mosquito detectar CO2, odores da pele e até vibrações sonoras. As sensilas são tão aperfeiçoadas que conseguem identificar nosso CO2 exalado na respiração a 100 metros de distância. É como se eles nos vissem como um grande alvo escrito: ‘aqui tem comida boa e grátis’”, exemplifica a bióloga membro do Conselho Federal de Biologia (CFBio).

Para Abreu, o cheiro corporal, a composição do suor, a microbiota da pele e outros fatores individuais têm mais influência na quantidade de picadas do que o tipo sanguíneo.

Situações em que a picada pode ser perigosa

Ao picar, o mosquito libera pequenas proteínas na pele. Como resposta, o corpo reage e solta anticorpos que provocam inchaço, vermelhidão e coceira mais intensa. Na maioria das vezes, o ataque é inofensivo, porém em alguns casos pode haver desdobramentos mais graves.

“Indivíduos muito sensíveis podem ter reações alérgicas mais graves, com inchaço extenso ou urticária generalizada. Também é importante lembrar que alguns mosquitos podem transmitir doenças virais, mas isso depende da espécie e da região, e não da reação cutânea individual”, alerta o dermatologista Joaquim Xavier, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

De acordo com Xavier, entre os principais cuidados dermatológicos para evitar irritações por picadas, estão:

  • Evitar coçar o local para diminuir o risco de infecção e cicatrizes;
  • Lavar a área com água e sabão neutro, o que ajuda a limpar possíveis bactérias;
  • Em casos de muita coceira ou inflamação, cremes calmantes podem aliviar a reação;
  • Para evitar picadas em locais com muitos mosquitos, use repelentes, roupas que cubram a pele e telas em portas e janelas.

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