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Trustee, Sefer e Planner na mira do Banco Central

Banco Central liquidou o Banco Pleno e Pleno DTVM nesta quarta-feira (18/2), somando oito instituições ligadas ao Master liquidadas

atualizado

metropoles.com

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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Fachada do prédio do Banco Central BACEN MetrópolesA
1 de 1 Fachada do prédio do Banco Central BACEN MetrópolesA - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

O Banco Pleno e a Pleno DTVM entraram, nesta quarta-feira (18/2), na lista de instituições financeiras ligadas ao Master liquidadas pelo Banco Central (BC). Ao todo, foram oito desde a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, para apurar possíveis fraudes envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.

O número de liquidações mostra o trabalho técnico do Banco Central e a extensão dos tentáculos do Master no sistema financeiro, mas não esgota as organizações enredadas pelo esquema criminoso. O avanço da autarquia tem, ao menos, três novas instituições pelo caminho: Trustee, Sefer e Planner.

A Trustee tem uma trajetória semelhante à da já liquidada Reag. As duas administradoras de fundos são investigadas na Operação Compliance Zero, que apura o uso da estrutura financeira pelo crime organizado, principalmente o PCC. Além disso, ambas eram utilizadas pelo Master, de acordo, desta vez, com as investigações da Operação Compliance Zero.

No papel, a Trustee pertence a Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master. No entanto, a maior parte do patrimônio da gestora pertence ao fundo Estocolmo, do empresário Nelson Tanure. Os dois são alvo das investigações da Polícia Federal (PF), assim como João Carlos Mansur, fundador da Reag.

A Sefer Investimentos foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, investigada por integrar esquemas de repasse de recursos para empresas ligadas à família de Vorcaro (como Milo Investimentos e Mercatto Incorporações). Além disso, a corretora atua como representante legal da Titan Capital, holding no exterior vinculada a Vorcaro.

A ligação da Sefer com os negócios de Vorcaro, no entanto, é anterior ao Master. Em 2020, a Sefer foi alvo de uma operação da PF batizada de Fundos Fake. Além da corretora, foram investigados o Banco Máxima, antiga denominação do Master, e o próprio Daniel Vorcaro, que depois foi excluído do processo. Vorcaro havia assumido o controle do banco um ano antes.

A corretora Planner, por sua vez, não é alvo da Compliance Zero, mas é a grande herdeira da turbulência promovida pelo avanço das investigações na Faria Lima. Liderada por Carlos Arnaldo Borges de Souza, adquiriu a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), que presta serviços fiduciários e de administração de fundos, da Reag pelo preço simbólico de R$ 1 mil. Com a transação, a Planner cresceu mais de 10 vezes.

 


Instituições já liquidadas

  • Na primeira fase, em novembro de 2025, foram liquidadas as principais empresas do grupo: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank (atual BlueBank) e a corretora do conglomerado.
  • Em janeiro de 2026, o BC ampliou a intervenção para a CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do mecanismo usado para ocultar prejuízos. No mesmo mês, no dia 21, foi decretada a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após o fracasso da tentativa de venda e o bloqueio das operações com cartões da Mastercard.
  • Nesta quarta-feira (18/2), foi a vez do Banco Pleno e a Pleno DTVM, de Augusto Lima, ex-sócio do Master. Ao deixar a sociedade, Lima comprou e assumiu o controle do banco Voiter, que integrava o grupo de Daniel Vorcaro. Lima, que era sócio do Master desde 2019, mudou o nome da instituição de Voiter para Pleno.

Outro lado

Por meio de nota, a Planner Corretora disse que “não possui qualquer relação societária, operacional ou financeira com as instituições recentemente liquidadas pelo Banco Central no âmbito das medidas envolvendo o Banco Master”.

Ainda segundo o documento, “a Planner também não é objeto de investigações e não participou de operações relacionadas aos fatos apurados pelas autoridades. A associação de seu nome a esse contexto é falsa e não encontra respaldo nos fatos”.

“A Planner é uma instituição autorizada a funcionar pelos órgãos competentes, atua em estrita conformidade com a regulamentação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, possui processos auditados e mantém padrões de governança e compliance compatíveis com as exigências do sistema financeiro nacional”, diz a nota.

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