Dinheiro e Negócios

Fast Shop: como carta para entidade espiritual levou a maior multa por corrupção da história

Multa aplicada a Fast Shop é de R$ 1,04 bilhão, valor que teria sido desviado dos cofres do Estado de São Paulo por meio do esquema

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação
Foto colorida de uma loja da Fast Shop
1 de 1 Foto colorida de uma loja da Fast Shop - Foto: Divulgação

Uma carta de três páginas escrita à mão com caneta vermelha e destinada a uma entidade espiritual. Foi esta a peça-chave para a polícia desbaratar um esquema bilionário de corrupção envolvendo grandes empresas do varejo e funcionários públicos.

Nesta segunda-feira (11), a investigação culminou na aplicação de uma multa no valor de R$ 1,04 bilhão, a maior já registrada no Brasil pela Lei Anticorrupção. A punição foi aplicada à rede Fast Shop, que terá que pagar o montante em 30 dias, sem possibilidade de parcelamento.

A carta foi encontrada com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto durante a Operação Ícaro do Ministério Público de São Paulo (MPSP). No documento, datado de 3 de março de 2025, ele pedia orientação espiritual sobre o risco de assinar novas liberações de ICMS para empresas, sendo considerado uma confissão de um esquema de propina.

Confira:

 

Uma das empresas beneficiadas era, justamente, a Fast Shop. Executivos da varejista confirmaram que pagaram propina. Dois sócios e um diretor executivo da Fast Shop admitiram a participação no crime em um acordo de não persecução penal com o MPSP. À época, eles concordaram em pagar multas individuais que somadas chegaram a R$ 100 milhões.

A nova multa bilionária foi calculada a partir do valor que teria sido desviado dos cofres públicos.


Como funcionava o esquema

  • O esquema comandado por servidores da Secretaria de Fazenda permitia o ressarcimento ilgeal ICMS (ou ICMS-ST), que ocorre quando uma empresa paga o imposto antecipadamente, mas o fato gerador presumido não se concretiza, ou quando a venda é feita por valor inferior ao previsto.
  • Na prática, de acordo com as investigações, os servidores preparavam eles mesmos os arquivos contábeis e os pedidos de ressarcimento das empresas.
  • Depois, os próprios fiscais envolvidos analisavam e aprovavam esses pedidos, garantindo que o dinheiro público fosse transferido para as mãos das corporações e, consequentemente, parte dele retornasse como propina para o grupo.

A Fast Shop ainda não se manifestou sobre a multa.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?