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Inter: ações despencam após lucro recorde. Entenda o que aconteceu
Balanço do Inter recheado de números positivos não foi suficiente para conter desconfianças do mercado
atualizado
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O Banco Inter anunciou com pompa o balanço do primeiro trimestre de 2026. O CEO do banco, João Vitor Menin, deu entrevistas entusiasmadas apontando lucro recorde — de R$ 395 milhões, uma alta de 38% na comparação anual — e o aumento expressivo do número de clientes — 44 milhões, sendo 25 milhões ativos. No mesmo dia, no entanto, as ações do Inter desabaram: caíram quase 15%.
À primeira vista, uma contradição. Mas além dos números positivos apresentados pelo CEO, o balanço trouxe outras informações que preocuparam o mercado. Entre elas, a inadimplência. A taxa de dívidas vencidas há mais de 90 dias subiu de 4,8% para 5,1% em um ano.
O Inter destacou que a carteira de crédito bruta cresceu 33% no mesmo período, atingindo R$ 50 bilhões. Os dados de inadimplência, no entanto, apontam que mais clientes deixaram de pagar. A carteira cresceu, mas a chance de que o dinheiro não chegue ao caixa do banco também.
A alta da inadimplência afeta, ainda, uma grande promessa do Inter: o ROE de 30% até 2027.
O ROE (Return on Equity ou Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de um banco é um indicador financeiro que mede a sua eficiência em gerar lucro utilizando os recursos próprio. Ele indica, em porcentagem, quanto de lucro líquido o banco gera para cada R$ 1,00 de capital próprio.
Um ROE de 30% significa que o banco gera R$ 0,30 de lucro para cada R$ 1,00 investido pelos acionistas. A inadimplência afeta diretamente o índice porque reduz o lucro líquido da instituição e, ao mesmo tempo, demanda mais capital próprio para cobrir riscos.
Atualmente, o ROE do Inter é de 15,5%. O índice ainda está longe do prometido, enquanto a data estipulada pelo banco se aproxima cada vez mais.
