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Entenda o tombo de R$ 700 milhões do Itaú com a Aegea Saneamento
Balanço da Aegea gerou impacto negativo de R$ 700 milhões no patrimônio líquido da Itaúsa, holding que controla o Itaú
atualizado
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Parecia um negócio e tanto. Líder no saneamento privado no Brasil, atendendo mais de 39 milhões de pessoas em 893 municípios de 15 estados brasileiros, a Aegea era uma das grandes apostas do mercado financeiro — ainda mais após a Itaúsa, holding que controla o Itaú, entrar no negócio com um aporte bilionário.
O balanço da empresa, no entanto, jogou um baita balde de água fria nos entusiastas e provocou um rombo no caixa da Itaúsa. Tudo começou quando a Aegea precisou revisar informações contábeis de 2020 a 2024. O resultado foi o desaparecimento de R$ 5 bilhões do patrimônio líquido, além da diminuição do lucro de 2024, que caiu de R$ 2,4 bilhões para R$ 1,8 bilhão.
Com a revisão vieram atrasos na divulgação dos resultados e as agências de classificação S&P e Fitch rebaixaram a nota de crédito da Aegea para grau especulativo — ou junk, em inglês –e colocaram a companhia em observação negativa.
A empresa evitou um cross-default (vencimento antecipado das dívidas) por muito pouco, ao entregar os dados minutos antes do fim da data-limite.
Com os tropeços, o aguardado IPO — oferta inicial de ações — da empresa foi adiado para 2027, frustrando as expectativas do mercado para 2026.
Para a Itaúsa, a queda foi de R$ 700 milhões. A holding, por sua vez, correu para afirmar, em fato relevante ao mercado assinado por Alfredo Setubal, que tratava-se de um impacto “imaterial” diante dos R$ 86 bilhões de patrimônio da companhia.
A Itaúsa tem 13,2% das ações da Aegea. O restante da participação é dividido entre Equipav e GIC, o Fundo Soberano de Singapura.
