Demétrio Vecchioli

Times Square Paulistana promete investir R$ 2 milhões/ano na cidade

Investimento com compra de telões pode superar R$ 75 milhões. Contrapartida envolve restauração de fachada de igreja

atualizado

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A Fábrica de Bares, proponente do Boulevard São João, se compromete a investir um teto de R$ 2 milhões por ano na cidade de São Paulo, ao longo de três anos, como contrapartida pela autorização para instalar quatro telões de LED no cruzamento entre as avenidas Ipiranga e São João. O projeto tem sido tratado como “Times Square Paulistana”.

Uma versão inicial do projeto, enviado em novembro à prefeitura de São Paulo por Cairê Aoas, dono da Fábrica de Bares, previa cinco telões de LED, de 810m² totais, que demandariam um investimento de R$ 39 milhões.

A proposta aprovada nesta quarta-feira (12/3) na Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), porém, considera quatro painéis muito maiores. Um único deles terá 1.000m². Juntos, chegam a 2.100m². Considerando o custo por metro quadrado do orçamento inicial, só os telões custariam R$ 60 milhões. Com os demais itens de infraestrutura, o investimento necessário superaria R$ 75 milhões.

A proporção entre o investimento no negócio (e consequentemente, o potencial de retorno) e a contrapartida foi um dos temas discutidos durante a reunião da CPPU. Regina Monteiro, presidente da comissão, defendeu os números e citou como exemplo o letreiro do estádio do Morumbi, atualmente chamado MorumBis.

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Projeto da Times Square Paulistana
Projeto da Times Square Paulistana
Projeto da Times Square Paulistana
Mapa de onde serão instalados telões em projeto da Times Square Paulistana
Projeto da Times Square Paulistana propõe instalação de bancos na avenida São João
Projeto da Times Square Paulistana
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Mapa de onde serão instalados telões em projeto da Times Square Paulistana
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Mapa de onde serão instalados telões em projeto da Times Square Paulistana

Projeto da Times Square Paulistana propõe instalação de bancos na avenida São João
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Projeto da Times Square Paulistana propõe instalação de bancos na avenida São João

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Recuperação de relógio é contrapartida oferecida em troca da Times Square Paulistana
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Recuperação de relógio é contrapartida oferecida em troca da Times Square Paulistana

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Recuperação de estátua é contrapartida oferecida em troca da Times Square Paulistana
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Recuperação de estátua é contrapartida oferecida em troca da Times Square Paulistana

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Recuperação de fachada de igreja é contrapartida oferecida em troca da Times Square Paulistana
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Recuperação de fachada de igreja é contrapartida oferecida em troca da Times Square Paulistana

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A inclusão de um letreiro de cerca de 6m² com a marca Bis na fachada do Morumbi foi autorizada pela CCPU em dezembro do ano passado, com a Mondelez se comprometendo com investimentos de R$ 2,3 milhões em infraestrutura urbana na região – basicamente pintura de ciclovia e pode de árvores. Agora, a conta é de contrapartida de R$ 6 milhões ao longo de três anos por espaço publicitário de 350 vezes maior.

Em troca de poder explorar quatro telões e uma empana cega, a Fábrica de Bares terá que investir R$ 2 milhões por ano na região ao longo de três anos. O maior gasto previsto é com a reforma da fachada da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, que custará R$ 1,5 milhão. Também serão restaurados do Relógio de Nichile (um serviço de R$ 54 mil) e da estátua Mãe Preta (de R$ 26 mil) e comprados bancos que valem R$ 1 milhão.

A empresa dona do Bar Brahma chegou a sugerir o restauro de outros monumentos e obras de arte daquela região, como um chafariz na Praça Antônio Prado e a Fonte Monumental, mas a ideia foi rejeitada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), que citou que parte já é (ou deveria ser) conservada pela Secretaria de Cultura e parte não são bens tombados. Depois disso veio a proposta de reformar a fachada da Igreja do Rosário em substituição.

Após a Fábrica de Bares inicialmente propor que os telões tivessem conteúdos “culturais” durante metade do tempo e publicitários na outra metade, o projeto aprovado na CPPU tem proporção de 70/30, com limite de 10 cotas de patrocínio. A empresa se compromete a não aceitar alguns tipos de anúncios naturalmente proibidos (pornografia, drogas proibidas, cigarros, discurso de ódio, fake news), além de propagandas de casas de apostas. Também serão vetadas propagandas de varejo, como anúncios de promoções.

O projeto foi aprovado na CPPU com oito votos favoráveis de representantes de secretarias municipais, todos funcionários comissionados, e seis votos contrários de representantes da sociedade civil.

Entre os argumentos apresentados pela Fábrica de Bares à prefeitura para a aprovação do projeto está a “aproximação da Prefeitura e população, através de espaço de comunicação e informação institucional“. Também a “criação de novos fluxos turísticos no Centro”, “mais tráfego pedestre” e “requalificação e renovação natural de toda a região”.

Entre as propostas associadas ao projeto, mas que não fazem parte do termo de cooperação votado na CPPU, está o fechamento da avenida São João aos domingos e uma requalificação paisagística e de mobiliário na região, o que depende, em tese, da prefeitura. A ideia também é exibir eventos no telão – a Fábrica de Bares citou a Fórmula 1, a Virada Cultural e a Copa do Mundo.

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