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Prefeitura mobiliza secretarias e aprova Times Square Paulistana
Projeto prevê a instalação de quatro telões de LED no cruzamento entre a Ipiranga e a São João, no centro de São Paulo
atualizado
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A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) aprovou no começo da noite desta quarta-feira (11/3) um termo de cooperação para a implementação do Boulevard São João, projeto que está sendo apelidado de “Times Square Paulistana“.
A votação teve oito votos favoráveis, todos de representantes de secretarias da prefeitura de São Paulo, e votos contrários de todos os seis representantes da sociedade civil que compareceram à reunião. A Universidade Mackenzie e a Associação de Amigos e Moradores pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança, que também têm cadeira na comissão, não votaram.
Uma vez que o projeto da Times Square Paulistana é defendido pela gestão Ricardo Nunes (MDB) e a prefeitura tem metade das cadeiras da comissão, a aprovação já era esperada no caso da participação de todas as secretarias, o que aconteceu. Têm direito a votar as secretarias de Governo, Urbanismo (dois votos), Justiça, Subprefeituras, Cultura e Meio Ambiente, além de SP Urbanismo.
O projeto, que foi apresentado pela A Fábrica de Bares, proprietária do Bar Brahma, recebeu defesa enfática da presidente da comissão, Aparecida Regina Lopes Monteiro, que rejeitou pedidos para que a votação fosse postergada para a análise detalhada das 18 condicionantes sugeridas e do resultado de uma consulta pública aberta um dia antes e que vai até o dia 24.
Ficou combinado, verbalmente, que as condicionantes serão discutidas em uma reunião futura e que, até lá, os membros da comissão farão uma visita ao local, nas esquinas das avenidas Ipiranga e São João.
“O termo de cooperação está absolutamente dentro da lei. Eu acredito nos empresários, tenho absoluta confiança nos empresários. O que eu não posso mais é esperar”, disse ela, explicando que a aprovação do termo de cooperação dá “aos empresários” o aval necessário para que eles busquem financiamento para o projeto.
Pelo projeto (vide imagens acima), serão instalados telões de LED em três das quatro esquinas do cruzamento, com exceção à fachada do próprio Bar Brahma, maior interessado, que seria preservada. No caso do Edifício Independência, onde fica o bar/restaurante, a empena cega voltada aos fundos (logo, invisível para quem estiver na famosa esquina) receberia projeções.
A Lei Cidade Limpa não permite a instalação de telões do tipo e, por isso, o projeto precisava ser autorizado pela comissão. Pela proposta, os telas de LED não seriam considerados OOH (mídia out of home, como são chamados os outdoors, por exemplo), mas “mídia arte”, com informações de utilidade pública. Dez anunciantes, tratados como “marcas cooperantes” apareceriam durante 30% do tempo.
O projeto já foi aprovado pelo Conpresp, conselho de preservação do patrimônio municipal que também maioria de membros da prefeitura e discutiu se a intervenção prejudicaria edifícios tombados da região.
A Fábrica de Bares oferece como contrapartida o restauro da fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e da estátua da Mãe Preta, ambas no Largo do Paissandu, e do Relógio de Nichile, localizado na Praça Antonio Prado, além da instalação de bancos de madeira ao longo da Avenida São João, no trecho entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio Mesquita, de cinco quarteirões.
Ao longo da reunião desta quarta-feira, representantes da sociedade civil criticaram o que entendem ser uma contrapartida pequena diante do investimento privado do negócio. Calcula-se que só os telões vão custar R$ 39 milhões, enquanto que as contrapartidas serão de cerca de R$ 2 milhões.
Entre as condicionantes que serão discutidas futuramente estão regras a respeito do limite de iluminação das telas e quanto ao conteúdo que será exibido. A CET realizou amplo estudo apontando riscos para o trânsito.















