
Conceição FreitasColunas

Médica aponta os riscos do uso de suplementos à base de cúrcuma
A médica Bruna Nogueira explica que os suplementos elaborados com cúrcuma “não estão isentos de riscos clínicos”. A Anvisa emitiu um aviso
atualizado
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Também popularmente conhecida como açafrão, a cúrcuma é a base de diversos medicamentos e suplementos alimentares. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta após investigações internacionais verificarem que essas fórmulas podem estar associadas a condições de saúde, em casos mais graves, à inflamação do fígado.
Como o açafrão costuma ser bastante adicionado aos preparos culinários brasileiros, a agência frisou que o uso do produto como tempero na alimentação é seguro. Diante do aviso da Anvisa, a coluna Claudia Meireles acionou a médica Bruna Nogueira, de Brasília (DF), para esclarecer os riscos de utilizar suplementos desenvolvidos com cúrcuma.
Integrante do corpo clínico da Tivolly Medicina Integrada, a especialista explica que a curcumina — principal ativo da cúrcuma longa — é amplamente utilizada como suplemento devido às propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Ela detalha a respeito do uso “não ser isento de riscos clínicos.”
Segundo Bruna, alguns estudos demonstraram que a curcumina tem efeito antiagregante plaquetário, o que pode aumentar o risco de equinomose — isto é, manchas roxas — e sangramentos, especialmente em pacientes submetidos a procedimentos estéticos injetáveis, por exemplo, toxina botulínica, preenchimentos e bioestimuladores.

A médica pontua quanto aos relatos de hepatotoxicidade associada ao uso de suplementos de cúrcuma, principalmente em formulações com piperina, alcaloide que aumenta significativamente a biodisponibilidade. Agências reguladoras na Austrália, Canadá, França e Itália identificaram casos raros e graves de inflamação no fígado com relação à utilização dessas fórmulas.
Na avaliação da especialista, é preciso que os profissionais de saúde “investiguem o uso de fitoterápicos e suplementos” na anamnese, que é a primeira etapa da consulta médica. “Também devem orientar, quando necessário, a suspensão prévia antes de procedimentos com risco de sangramento”, enfatiza. Ela endossa que esses produtos não devem ser ingeridos sem prescrição especializada.

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* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.






