Claudia Meireles

Problemas no intestino podem provocar efeitos silenciosos no coração

O cardiologista Rafael Marchetti apontou quais sinais sutis de problemas no intestino podem representar riscos graves para o coração

atualizado

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Foto colorida de mulher sentada no chão com a mão no peito - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mulher sentada no chão com a mão no peito - Metrópoles - Foto: supersizer/Getty Images

Para manter a saúde em equilíbrio, é preciso enxergar o corpo como um sistema integrado. Segundo o cardiologista Rafael Marchetti, quando o assunto em questão é o coração, os cuidados vão além de manter os exames em dia: passa também pela atenção a outros órgãos, especialmente o intestino. Sinais aparentemente simples, como distensão abdominal, excesso de gases e má digestão, podem indicar desequilíbrios no chamado “eixo intestino-coração” — conexão capaz de influenciar a pressão arterial, a circulação e o risco cardiovascular.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o médico explicou que a comunicação entre intestino e coração acontece por meio de mecanismos metabólicos, hormonais, nervosos e imunológicos. Quando esse equilíbrio é rompido, o corpo começa a emitir sinais em diferentes sistemas.

“Quando a barreira intestinal perde sua integridade, ocorre maior probabilidade de carências nutricionais e pior absorção de proteínas e micronutrientes”, esclarece.
Ilustração com cores vibrantes que especifícam a relação entre o intestino e o cérebro - Metrópoles.
A saúde do intestino impacta o sistema cardiovascula por meio do eixo intestino-coração

Rafael Marchetti explica que a chamada “barreira intestinal” funciona como uma espécie de proteção natural do organismo. Quando ela fica fragilizada, substâncias inflamatórias e toxinas passam com mais facilidade para a corrente sanguínea, favorecendo processos inflamatórios persistentes.

“Marcadores como zonulina elevada, LPS circulante, D-lactato e anticorpos contra proteínas da barreira intestinal indicam aumento da permeabilidade intestinal. Embora esses nomes sejam técnicos, eles ajudam a explicar por que uma pessoa pode apresentar inflamação persistente e sintomas sistêmicos mesmo antes do surgimento de uma doença evidente”, detalha.

Entenda como problemas no intestino podem impactar diretamente o coração

Segundo Rafael Marchetti, as alterações intestinais podem afetar diretamente o sistema cardiovascular ao favorecer processos inflamatórios contínuos no organismo.

“No sistema cardiovascular surgem sinais como aumento da pressão arterial, formação acelerada de placas nas artérias, maior risco de infarto, AVC e trombose, além de arritmias como a fibrilação atrial”, alerta.
Imagem colorida mostra médico medindo a pressão arterial de jovem em um consultório - Metrópoles
As alterações intestinais podem aumentar o risco de desenvolvimento de pressão alta, formação acelerada de placas nas artérias, maior risco de infarto, AVC e trombose

O médico destaca ainda que pessoas com disfunção importante do eixo intestino-coração podem apresentar piora da insuficiência cardíaca, especialmente em momentos de congestão abdominal.

Além disso, Rafael salienta que alguns biomarcadores encontrados em exames laboratoriais já ajudam médicos a identificar maior risco cardiovascular.“TMAO elevado, redução de ácidos graxos de cadeia curta e aumento de metabólitos como PAGln, ou fenilacetilglutamina, estão associados a risco cardiovascular aumentado e ajudam a prever eventos futuros”, explica.

Desequilibrio intestinal afeta todo o organismo

Rafael salienta que os efeitos do desequilíbrio intestinal vão muito além da digestão e podem repercutir em todo o organismo, não apenas no coração.

“No corpo como um todo podem surgir fadiga crônica, mal-estar geral, baixa energia, piora da disposição mental, sintomas de ansiedade ou depressão, alterações do apetite e ganho de peso”, afirma.
Mulher triste, sofrendo de dor de cabeça, sentada na cama com os olhos fechados enquanto segura a cabeça, sentindo dor. Metrópoles
Cansaço excessivo pode ser um sinal de futuro comprometimento do coração

Segundo ele, o desequilíbrio intestinal também está associado à piora da sensibilidade à insulina, elevação da glicemia, colesterol e triglicerídeos.

“A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, também está relacionada à permeabilidade intestinal aumentada e à maior entrada de toxinas na circulação”, acrescenta.

Para Rafael Marchetti, o conjunto desses sinais mostra que a disfunção do eixo intestino-coração não afeta apenas um órgão isoladamente. “Ela repercute de maneira integrada em todo o organismo”, conclui.

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