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Sistema imunológico é diferente entre populações, sugere estudo

Pesquisa mapeia diferenças nas células de defesa entre povos e aponta impacto em exames e tratamentos

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Dennis Kunkel Microscopy/SPL
foto microscópica de uma célula, identificada como célula T, com fundo roxo e circulo enorme de cor verde - Metrópoles.
1 de 1 foto microscópica de uma célula, identificada como célula T, com fundo roxo e circulo enorme de cor verde - Metrópoles. - Foto: Dennis Kunkel Microscopy/SPL

O sistema imunológico humano não funciona exatamente da mesma forma em todas as pessoas do mundo. Um estudo publicado na última quinta-feira (8/1) na revista Nature mostra que há diferenças importantes na composição e no comportamento das células de defesa entre povos de diferentes origens genéticas e geográficas.

Essas variações ajudam a explicar por que exames, diagnósticos e até tratamentos médicos podem ter resultados distintos entre populações. O trabalho analisou dados de um grande atlas imunológico — um mapa detalhado do sistema de defesa do corpo humano.

Os pesquisadores reuniram informações de mais de 400 pessoas da China e compararam esses resultados com dados já existentes de populações europeias e japonesas.

O que é um atlas imunológico

O atlas imunológico funciona como um “mapa” das células do sistema imune. Ele mostra quais tipos de células estão presentes no sangue, em que quantidade e como elas se comportam. Para isso, os cientistas usam tecnologias avançadas que analisam genes, proteínas e outras características celulares.

Com esse nível de detalhe, foi possível observar diferenças claras entre as populações estudadas. Alguns grupos apresentaram variações na quantidade de determinados tipos de células de defesa, enquanto em outros casos as células eram semelhantes, mas funcionavam de forma diferente.

Segundo os pesquisadores, essas variações não estão ligadas apenas à genética, mas também a fatores como ambiente, histórico de infecções, alimentação e estilo de vida ao longo da evolução de cada população.

Isso significa que valores considerados “normais” em exames de sangue, por exemplo, podem não ser universais. Um resultado que parece alterado em uma população pode ser comum em outra — e vice-versa.

Impacto nos exames e tratamentos

As descobertas têm implicações diretas para a medicina. Segundo o estudo, muitos parâmetros clínicos usados em hospitais e laboratórios foram definidos a partir de estudos feitos principalmente com pessoas de origem europeia. Isso pode gerar interpretações imprecisas quando esses mesmos critérios são aplicados a outras populações.

Com atlas imunológicos mais diversos, médicos e pesquisadores podem criar referências mais adequadas para cada grupo, tornando diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. Isso também pode ajudar a entender melhor por que algumas pessoas respondem de maneira diferente a vacinas, infecções ou doenças autoimunes.

Os autores do estudo destacam que ainda há muitos povos pouco representados em pesquisas biomédicas. Por isso, eles defendem a ampliação desses atlas para incluir populações da África, da América Latina e de outras regiões do mundo.

A ideia é construir uma ciência da saúde que leve em conta a diversidade humana, em vez de tratar o organismo humano como se fosse igual em todos os lugares. O estudo reforça que o sistema imunológico humano é diverso e moldado por fatores genéticos, ambientais e históricos e diferentes realidades.

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