
Claudia MeirelesColunas

Mostra Constelações Contemporâneas recebe convidados do projeto Arte+
À frente da platarforma Arte +, Lara Calaça e Tati Valença realizaram uma visita guiada à mostra Constelações Contemporâneas
atualizado
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Nessa segunda-feira (8/6), a Arte+, idealizada pela arquiteta Lara Calaça e pela empresária Tatiana Valença, promoveu uma visita guiada à exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, em cartaz até 17 de julho no foyer Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro.
A convite da plataforma, o grupo de entusiastas conheceu a mostra ao lado da curadora Monica Tachotte e de cinco dos 40 artistas que integram a exibição: Antônio Obá, Paula Calderón, Rogério Roseo, Virgílio Neto e Victoria Serednicki.
Idealizada pelo Metrópoles Arte, a exposição celebra a potência artística do Distrito Federal — proposta que dialoga diretamente com os valores da Arte+, plataforma nascida em Brasília com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e aproximar arte, arquitetura e pessoas.

“Essa iniciativa tem uma extrema importância para a capital federal. Primeiro, porque destaca a produção dos artistas de Brasília. Segundo, porque é um movimento que amplia o repertório e celebra a cultura”, afirmou Lara Calaça.
Sócia da plataforma de arte, Tatiana Valença reforçou o valor de trazer a comunidade para vivenciar e enaltecer a produção local. “A gente acaba valorizando artistas de fora e esquece que há artistas maravilhosos aqui em Brasília: desde aqueles que já têm relevância e reconhecimento até os que estão começando, que também são incríveis. Por isso é tão importante e especial poder ter essa experiência e prestigiar o que é nosso”, celebrou.
Arte + realiza visita guiada à exposição Constelações Contemporâneas — da Cena Artística de Brasília
Com todos os convidados reunidos no foyer da Sala Villa-Lobos, a curadora Monica Tachotte iniciou o tour explicando a origem do título da exposição.
“O convite de fazer uma curadoria mostrando toda a produção das artes aqui em Brasília foi um processo desafiador e muito bacana. A cidade está fervilhando de produção. Durante esse percurso, eu pensei: como é que eu vou mostrar todos esses artistas, sendo que cada um tem uma linguagem diferente, uma produção diferente?”, contou Monica Tachotte.
A resposta veio da ideia de que cada artista é uma estrela dentro de uma constelação. “A gente tem várias estrelas aqui. Cada uma brilhando da sua forma, do seu jeito e em seu lugar. Mas, juntas, formam uma constelação”, completou.

Quatro eixos interligados
Segundo a curadora, a exposição está dividida em quatro eixos: Entre o Projeto e o Vivido; Território, Paisagem e Ancestralidade; Memórias em Trânsito; e Corpo, Gesto e Experiência.
Sem um ponto de partida obrigatório, Mônica convidou os visitantes a começar pelo eixo Entre o Projeto e o Vivido. “Eu fui em busca de artistas que respiram a cidade de Brasília e toda a sua localidade. O Virgílio Neto faz parte deste módulo”, destacou.
Vírgilio Neto
Ao adentrar o universo criativo de Virgílio, os presentes se depararam com três obras que desafiam hierarquias de importância, escala e ordem.
“Estou exibindo duas pinturas e uma pintura-objeto feita em um biombo. Na época, eu estava pensando bastante sobre Brasília, sobre a natureza e a história do que veio antes dela. Obviamente, não é um retrato realista de Brasília ou do Cerrado como a gente está acostumado”, explicou.
De acordo com ele, os trabalhos podem ser lidos por várias entradas. “Não tem uma narrativa fechada e nem uma mensagem que se vai descobrir. Pelo contrário, é um trabalho que instiga cada pessoa a fazer a sua própria leitura”, completou.

Paula Calderón
A visita seguiu para o núcleo Território, Paisagem e Ancestralidade. Segundo Monica, os artistas desse eixo exploram a história de Brasília e, sobretudo, a paisagem do território.
Entre eles, a artista Paula Calderón, que trouxe a série A Construção — uma homenagem a história de seu avô Augusto Calderón, pioneiro que participou ativamente da edificação da cidade.
“Foi daí que surgiu o interesse principal de retratar as pessoas que estavam aqui e como era a vida delas. Com muita pesquisa, fui entendendo como se dava essa realidade, porque eu não participei daquele momento, mas queria criar a partir dele”, explicou Paula Calderón.


Victoria Serednicki
No segundo andar, a exposição se divide em mais dois módulos: um sobre as memórias da cidade e outro com foco em pinturas. Na categoria Memórias em Trânsito, Victoria Serednicki apresentou obras inéditas que retratam a paisagem do Cerrado por meio de metáforas.
“Trouxe trabalhos de 2023, 2024 e um feito entre o final de 2025 e o início de 2026. A minha pesquisa é, no fundo, uma conversa com a natureza. Ela nos tira dessa posição tão egocêntrica. A gente veio do mesmo lugar e vai para o mesmo lugar”, endossou Victoria Serednicki.

Rógerio Rosso
No módulo de pinturas, Rogério Roseo convidou os presentes a refletir sobre dualidades: claro e escuro, quente e frio, presença e ausência.
“De alguma forma, eu faço com que essas dualidades conversem. Em uma visita guiada, o bate-papo acaba sendo mais reflexivo. Minhas obras têm mais perguntas do que respostas”, pontuou.
O recorte de Rogério reúne produções de 2020 a 2025. “Nessa série, busquei retratar as relações. Nesse processo, a dualidade se torna mais fluida e eu coloco esses opostos convivendo no mesmo plano”, frisou.

Antônio Obá
Já Antônio Obá surpreendeu os presentes com uma série de desenhos criados durante um período em que precisava desacelerar.
“O desenho é uma linguagem de imagem. Acho que o primeiro contato que eu tive com imagem e com produção de imagem vem por meio da vivência, do presente. Ano passado, eu estive dedicado à produção de material novo e, quando chegava em casa, eu não conseguia dormir. Então, comecei a criar esses desenhos como uma maneira de relaxar”, explicou.
As obras vieram apenas da imaginação do artista, sem referências externas. “Durante todo o processo, eu sentia que ia entrando em um estado mais tranquilo. Em alguns momentos me pegava cochilando e, quando voltava, ainda estava me movendo sobre as reflexões. É possível perceber isso na própria maneira como os corpos são retratados: não são precisos. O traço bifurca, procura outro caminho. Às vezes, uma figura está de costas e ao mesmo tempo de frente”, concluiu Antônio Obá.

Confira quem esteve presente na visita guiada da Arte +, pelo olhar de Nina Quintana:





















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