Claudia Meireles

Mostra Constelações Contemporâneas recebe convidados do projeto Arte+

À frente da platarforma Arte +, Lara Calaça e Tati Valença realizaram uma visita guiada à mostra Constelações Contemporâneas

atualizado

metropoles.com

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Nina Quintana/Metrópoles
Brasília (DF), 08/06/2026 – Encontro o projeto Arte + e visita mediada na exposição Constelações Contemporâneas. Fotos: Nina Quintana/Metrópoles
1 de 1 Brasília (DF), 08/06/2026 – Encontro o projeto Arte + e visita mediada na exposição Constelações Contemporâneas. Fotos: Nina Quintana/Metrópoles - Foto: Nina Quintana/Metrópoles

Nessa segunda-feira (8/6), a Arte+, idealizada pela arquiteta Lara Calaça e pela empresária Tatiana Valença, promoveu uma visita guiada à exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, em cartaz até 17 de julho no foyer Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro.

A convite da plataforma, o grupo de entusiastas conheceu a mostra ao lado da curadora Monica Tachotte e de cinco dos 40 artistas que integram a exibição: Antônio Obá, Paula Calderón, Rogério Roseo, Virgílio Neto e Victoria Serednicki.

Idealizada pelo Metrópoles Arte, a exposição celebra a potência artística do Distrito Federal — proposta que dialoga diretamente com os valores da Arte+, plataforma nascida em Brasília com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e aproximar arte, arquitetura e pessoas.

Convidados da visita mediada na exposição Constelações Contemporâneas

“Essa iniciativa tem uma extrema importância para a capital federal. Primeiro, porque destaca a produção dos artistas de Brasília. Segundo, porque é um movimento que amplia o repertório e celebra a cultura”, afirmou Lara Calaça.

Sócia da plataforma de arte, Tatiana Valença reforçou o valor de trazer a comunidade para vivenciar e enaltecer a produção local. “A gente acaba valorizando artistas de fora e esquece que há artistas maravilhosos aqui em Brasília: desde aqueles que já têm relevância e reconhecimento até os que estão começando, que também são incríveis. Por isso é tão importante e especial poder ter essa experiência e prestigiar o que é nosso”, celebrou.

Arte + realiza visita guiada à exposição Constelações Contemporâneas — da Cena Artística de Brasília

Com todos os convidados reunidos no foyer da Sala Villa-Lobos, a curadora Monica Tachotte iniciou o tour explicando a origem do título da exposição.

“O convite de fazer uma curadoria mostrando toda a produção das artes aqui em Brasília foi um processo desafiador e muito bacana. A cidade está fervilhando de produção. Durante esse percurso, eu pensei: como é que eu vou mostrar todos esses artistas, sendo que cada um tem uma linguagem diferente, uma produção diferente?”, contou Monica Tachotte.

A resposta veio da ideia de que cada artista é uma estrela dentro de uma constelação. “A gente tem várias estrelas aqui. Cada uma brilhando da sua forma, do seu jeito e em seu lugar. Mas, juntas, formam uma constelação”, completou.

Victoria Serednicki, Virgílio Neto, Mônica Tachotte, Rogério Roseo, Antônio Obá e Paula Calderón

Quatro eixos interligados

Segundo a curadora, a exposição está dividida em quatro eixos: Entre o Projeto e o Vivido; Território, Paisagem e Ancestralidade; Memórias em Trânsito; e Corpo, Gesto e Experiência.

Sem um ponto de partida obrigatório, Mônica convidou os visitantes a começar pelo eixo Entre o Projeto e o Vivido. “Eu fui em busca de artistas que respiram a cidade de Brasília e toda a sua localidade. O Virgílio Neto faz parte deste módulo”, destacou.

Vírgilio Neto

Ao adentrar o universo criativo de Virgílio, os presentes se depararam com três obras que desafiam hierarquias de importância, escala e ordem.

“Estou exibindo duas pinturas e uma pintura-objeto feita em um biombo. Na época, eu estava pensando bastante sobre Brasília, sobre a natureza e a história do que veio antes dela. Obviamente, não é um retrato realista de Brasília ou do Cerrado como a gente está acostumado”, explicou.

De acordo com ele, os trabalhos podem ser lidos por várias entradas. “Não tem uma narrativa fechada e nem uma mensagem que se vai descobrir. Pelo contrário, é um trabalho que instiga cada pessoa a fazer a sua própria leitura”, completou.

Virgílio Neto

Paula Calderón

A visita seguiu para o núcleo Território, Paisagem e Ancestralidade. Segundo Monica, os artistas desse eixo exploram a história de Brasília e, sobretudo, a paisagem do território.

Entre eles, a artista Paula Calderón, que trouxe a série A Construção — uma homenagem a história de seu avô Augusto Calderón, pioneiro que participou ativamente da edificação da cidade.

“Foi daí que surgiu o interesse principal de retratar as pessoas que estavam aqui e como era a vida delas. Com muita pesquisa, fui entendendo como se dava essa realidade, porque eu não participei daquele momento, mas queria criar a partir dele”, explicou Paula Calderón.
Paula Calderón
Obra da série A Construção

Victoria Serednicki

No segundo andar, a exposição se divide em mais dois módulos: um sobre as memórias da cidade e outro com foco em pinturas. Na categoria Memórias em Trânsito, Victoria Serednicki apresentou obras inéditas que retratam a paisagem do Cerrado por meio de metáforas.

“Trouxe trabalhos de 2023, 2024 e um feito entre o final de 2025 e o início de 2026. A minha pesquisa é, no fundo, uma conversa com a natureza.  Ela nos tira dessa posição tão egocêntrica. A gente veio do mesmo lugar e vai para o mesmo lugar”, endossou Victoria Serednicki.
Victoria Serednicki

Rógerio Rosso

No módulo de pinturas, Rogério Roseo convidou os presentes a refletir sobre dualidades: claro e escuro, quente e frio, presença e ausência.

“De alguma forma, eu faço com que essas dualidades conversem. Em uma visita guiada, o bate-papo acaba sendo mais reflexivo. Minhas obras têm mais perguntas do que respostas”, pontuou.

O recorte de Rogério reúne produções de 2020 a 2025. “Nessa série, busquei retratar as relações. Nesse processo, a dualidade se torna mais fluida e eu coloco esses opostos convivendo no mesmo plano”, frisou.

Rogério Roseo

Antônio Obá 

Antônio Obá surpreendeu os presentes com uma série de desenhos criados durante um período em que precisava desacelerar.

“O desenho é uma linguagem de imagem. Acho que o primeiro contato que eu tive com imagem e com produção de imagem vem por meio da vivência, do presente. Ano passado, eu estive dedicado à produção de material novo e, quando chegava em casa, eu não conseguia dormir. Então, comecei a criar esses desenhos como uma maneira de relaxar”, explicou.

As obras vieram apenas da imaginação do artista, sem referências externas. “Durante todo o processo, eu sentia que ia entrando em um estado mais tranquilo. Em alguns momentos me pegava cochilando e, quando voltava, ainda estava me movendo sobre as reflexões. É possível perceber isso na própria maneira como os corpos são retratados: não são precisos. O traço bifurca, procura outro caminho. Às vezes, uma figura está de costas e ao mesmo tempo de frente”, concluiu Antônio Obá.

Antônio Obá

Confira quem esteve presente na visita guiada da Arte +, pelo olhar de Nina Quintana:

Tati Valença, Mônica Tachotte, Ivana Valença, Cleucy Estevão e Valeska Tonet Camargo
Carol Janot, Bia Castello Branco, Ana Paula Gontijo, Helen Szervinsk, Soraia Debs e Ana Claudia Loureiro
Lara Calaça, Mônica Tachotte e Tati Valença
Convidados aplaudem Paula Calderón
Paula Calderón, Cleucy Estevão e Victoria Serednicki
Antônio e Elizabeth Amorim Veronese
Visita mediada na exposição Constelações Contemporâneas
Glaucia Benevides e Ana Valadão
Rogério Roseo e Renata Foresti
Tati Valença e Mônica Tachotte
Gegê Albanezi e Marcia Nabut
Simone Vidigal
Monica Justen
Soraia Debs
Arte+
Virgílio Neto e João Trevisan
Letícia Cunha Lima
João Trevisan observa obra
Fernando Buenor
Apresentação de Antônio Obá
Mais um espaço apresentado na visita

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