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Hepatologista explica como a água ajuda a reduzir a gordura no fígado
A hepatologista Bruna Correia, de Alagoas, esclarece como o consumo de água pode contribuir com a redução da gordura no fígado
atualizado
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Segundo dados do Ministério da Saúde, a esteatose hepática — condição mais conhecida como gordura no fígado — atinge em torno de 30% da população adulta no Brasil. À coluna Claudia Meireles, a hepatologista Bruna Correia, de Arapiraca (AL), explica como o consumo adequado de água pode ajudar a reduzir o teor lipídico no órgão.
De acordo com a especialista em cirrose, primeiramente, é preciso separar o mito da realidade com relação à ingestão de água e o quadro de gordura no fígado. “Muitas pessoas chegam ao consultório achando que beber litros de água vai ‘derreter’ a gordura ou fazer um detox milagroso. Não é bem assim“, defende.
Com residência também em clínica médica, Bruna salienta que a água não remove a gordura no fígado sozinha, mas promove o cenário onde tudo acontece. “O que eu esclareço é: a hidratação adequada melhora o fluxo sanguíneo para o órgão e auxilia o corpo a eliminar os resíduos que sobram quando a gordura começa a ser quebrada”, detalha.
“Além disso, existe um detalhe comportamental incrível: o cérebro muitas vezes confunde sede com fome. Se você está desidratado, acaba comendo mais calorias sem precisar”, destaca a hepatologista.
A médica acrescenta que um organismo bem hidratado melhora o metabolismo, a disposição para a caminhada e até o funcionamento do intestino. ” No fim das contas, a água é a base para o corpo responder ao tratamento [de esteatose hepática], reforçando que o fígado sente as escolhas — inclusive a de manter o copo sempre cheio”, salienta a especialista.

Gordura no fígado
Para explicar a esteatose hepática, Bruna Correia afirma gostar de usar uma analogia: “Imagine que o fígado é como uma extensão de areia bem lisinha. A gordura não aparece de um dia para o outro, é como uma gota de água caindo nessa faixa de areia, sempre no mesmo lugar. Se cair uma gota hoje, não acontece nada. Mas, se todo dia cair, com o tempo, forma-se um buraco. Se não parar a gota, o buraco vira uma cratera”.
“Quanto à evolução da esteatose hepática, essa gota é o excesso de açúcar, farinha branca e sedentarismo. Quando o fígado recebe mais energia do que consegue processar, estoca isso em forma de gordura (triglicerídeos e ácidos graxos) dentro das células hepáticas“, frisa. Ela emenda: “O problema é que o fígado não foi feito para ser um ‘depósito’. Essa gordura acumulada causa uma inflamação silenciosa”.

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