
Claudia MeirelesColunas

Hepatologista diz como a hora do jantar impacta na gordura no fígado
A hepatologista Bruna Correia explica as consequências de fazer essa refeição em horário tardio em relação à condição de gordura no fígado
atualizado
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Em um artigo, pesquisadores da divisão de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, avaliaram como jantar tarde da noite interfere no sono e na saúde metabólica. Esse hábito negativo também pode impactar no quadro de esteatose hepática, mais conhecido como gordura no fígado.
De acordo com a hepatologista Bruna Correia, que atende em Arapiraca (AL), o corpo segue um ritmo circadiano e, à noite, o metabolismo desacelera naturalmente para se preparar para o repouso. “Quando faz a refeição do jantar muito tarde e vai dormir logo em seguida, o organismo não tem tempo de queimar essa energia consumida”, explica a médica.
A especialista em cirrose e doenças hepáticas continua: “O resultado de jantar tarde é que o fígado entende que sobrou combustível e, em vez de descansar e se recuperar durante o sono, passa a noite fabricando gordura“. Ela destaca que optar por fazer essa refeição mais cedo e de forma leve é fundamental para a saúde.
“Até enquanto você dorme, o seu fígado sente as suas escolhas”, acrescenta a hepatologista.
Bruna pontua que o órgão do sistema digestório tem uma capacidade de recuperação incrível: “Ao melhorar a alimentação e se exercitar, você retira a ‘fonte’ que estava gerando a gordura e obriga o corpo a usar aquele estoque que está no fígado como combustível”. A médica frisa sobre a esteatose hepática ser reversível.

Gordura no fígado
Para explicar a esteatose hepática, Bruna Correia afirma gostar de usar uma analogia: “Imagine que o fígado é como uma extensão de areia bem lisinha. A gordura não aparece de um dia para o outro, é como uma gota de água caindo nessa faixa de areia, sempre no mesmo lugar. Se cair uma gota hoje, não acontece nada. Mas, se todo dia cair, com o tempo, forma-se um buraco. Se não parar a gota, o buraco vira uma cratera”.
“Quanto à evolução da esteatose hepática, essa gota é o excesso de açúcar, farinha branca e sedentarismo. Quando o fígado recebe mais energia do que consegue processar, estoca isso em forma de gordura (triglicerídeos e ácidos graxos) dentro das células hepáticas“, frisa. Ela emenda: “O problema é que o fígado não foi feito para ser um ‘depósito’. Essa gordura acumulada causa uma inflamação silenciosa”.

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