
Claudia MeirelesColunas

Gustavo Zerbino emociona Metrópoles Talks com lições de vida
Um dos sobreviventes do voo 571, que caiu na Cordilheira dos Andes, Gustavo Zerbino emocionou ouvintes no Ulysses Centro de Convenções
atualizado
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Uma lição de vida, amizade e superação. Assim pode ser definida a trajetória do empresário e conferencista uruguaio Gustavo Zerbino, um dos sobreviventes do emblemático desastre aéreo que ocorreu na Cordilheira dos Andes, em outubro de 1972. O empresário foi o convidado do Metrópoles Talks, realizado nessa terça-feira (27/5), no Ulysses Centro de Convenções, em Brasília.
Quando o acidente ocorreu, Gustavo Zerbino tinha apenas 19 anos e estudava medicina, além de atuar como jogador de rúgbi do time Old Christians, do colégio Stella Maris, em Montevidéu. Em 13 de outubro de 1972, ele embarcou no voo 571 da Força Aérea do Uruguai rumo a Santiago, no Chile, ao lado de amigos, atletas e familiares.
A aeronave colidiu contra uma montanha nos Andes, dando início a uma das mais impressionantes histórias de sobrevivência da história da América Latina. Durante 72 dias, os sobreviventes enfrentaram frio extremo, fome e isolamento em meio à neve.


Em entrevista à coluna, Gustavo Zerbino explicou que compartilhar a própria história se tornou uma forma de honrar aqueles que não sobreviveram.
“Não é uma missão, faço isso por prazer. Quando tudo terminou, nossos amigos pediram para continuarmos contando o que vimos. Somos a voz dos que não têm voz”, declarou.
Décadas após a tragédia, Zerbino percorre o mundo compartilhando os aprendizados que tirou da experiência extrema vivida após a queda do avião, no que é conhecido mundialmente como o Milagre dos Andes. A história voltou aos holofotes recentemente com o sucesso do filme A Sociedade da Neve, da Netflix.
O impacto da história no público jovem
Foi motivada pelo longa que a estudante Júlia de Lima Pereira, de 17 anos, decidiu acompanhar a palestra ao lado da amiga Maria Eduarda Andrade Santana, também de 17 anos.

“Achamos a história muito impactante e viemos para ouvir a perspectiva de alguém que realmente estava lá”, contou Júlia ao Metrópoles.
As duas revelaram que o longa se tornou um dos favoritos delas e que viram na presença dele em Brasília a oportunidade de se aprofundar ainda mais nos acontecimentos, para além do que foi mostrado na trama da Netflix.
Presença uruguaia e reencontros em Brasília
Quem também marcou presença foi o embaixador do Uruguai no Brasil, Rodolfo Nin Novoa, amigo de longa data de Zerbino. Segundo ele, o palestrante estudou com seu irmão e mantém amizade antiga com pessoas próximas da família. O diplomata revelou ainda uma ligação pessoal com a tragédia: um primo esteve entre os sobreviventes do acidente.
Para ele, mesmo após ouvir o caso tantas vezes, cada palestra do amigo representa “uma grande lição de esperança, confiança e fé nas pessoas”.

“Havia muita gente aqui. Me chamou atenção como todos se conectaram com a mensagem. É um espírito de vida, de superação, de união, amor e paz. O mundo precisa disso”, declarou à coluna.
Durante a passagem pela capital, Gustavo também celebrou o reencontro com amigos brasileiros. “Tive a oportunidade de rever amigos antigos como o Félix Rigoli e o Rodolfo Nin Novoa. Estou muito feliz em Brasília. É uma cidade muito verde, muito bonita.”
A importância do estar presente
Logo no início da palestra, Gustavo deixou o auditório lotado em silêncio absoluto ao resumir o peso da experiência que carrega até hoje. “Tenho 73 anos, passei dois meses na cordilheira e não há um dia em que eu não me lembre disso”, rememorou.

Ao longo da conversa, Zerbino destacou que a união foi determinante para que as decisões que precisaram ser tomadas ao longo dos dias em meio as montanhas, assim como a resiliência de viver um dia de cada vez foi fundamental para sobreviver tanto tempo em um ambiente tão inóspito.
“Se soubéssemos que ficaríamos 72 dias ali, todos teríamos morrido. Sobrevivemos porque aprendemos a viver o presente”, afirmou.
Lição de vida
A palestra emocionou o público presente. Entre eles estava o comerciante Sérgio Marinho, de 53 anos, que saiu de Niquelândia, a cerca de 250 quilômetros de Brasília, acompanhado da esposa, Leilivane Marinho.

“É uma lição de vida. Um privilégio ouvir alguém que viveu tudo isso e consegue transformar a experiência em força para outras pessoas”, disse.
Ao lado do casal, o filho Mauro Sérgio contou que conheceu a história por influência do pai. “É impressionante ouvir alguém que passou por algo tão irreal e conseguiu seguir em frente.”
Confira quem esteve presente na palestra de Gustavo Zerbino no Metrópoles Talks pelas lentes de Pedro Iff e Nina Quintana:






































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