Milagre nos Andes: a incrível história de Gustavo Zerbino
Com 19 anos, o uruguaio embarcou em um avião rumo ao Chile e acabou preso por 72 dias na Cordilheira dos Andes. Assista palestra em Brasília
atualizado
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Era outubro de 1972. Gustavo Zerbino tinha 19 anos, estudava medicina em Montevidéu e era jogador de rúgbi do time Old Christians, do colégio Stella Maris. Jovem, cheio de energia e com a vida inteira pela frente, ele embarcou no Voo 571 da Força Aérea do Uruguai como mais um integrante de uma delegação esportiva animada com a viagem a Santiago, no Chile, para uma competição. O que ninguém a bordo poderia imaginar era que aquele voo mudaria — para sempre — a história de todos os 45 passageiros e tripulantes.
Em 13 de outubro de 1972, o avião colidiu com a Cordilheira dos Andes. O que se seguiu foi uma das maiores e mais impressionantes histórias de sobrevivência já registradas na história da humanidade.
O avião decolou de Montevidéu na manhã do dia 12 de outubro, mas o mau tempo forçou um pouso técnico em Mendoza, na Argentina. Na manhã seguinte os pilotos decidiram prosseguir viagem. Durante a travessia da cordilheira, a aeronave começou sua descida antes do tempo, quando ainda estava entre os picos nevados dos Andes. A aeronave colidiu com a montanha, perdeu as asas e a cauda, e o que restou da fuselagem deslizou por um vale de neve a mais de 3.500 metros de altitude, no chamado Valle de las Lágrimas, na província de Mendoza, na Argentina.
Doze pessoas morreram no impacto imediato. Vinte e nove sobreviveram à queda — mas apenas para encarar um novo e devastador desafio: sobreviver no topo do mundo, sem alimento, sem comunicação com o exterior e sob temperaturas que chegavam a 40 graus negativos à noite.
O médico improvisado
Foi nesse cenário que Gustavo Zerbino revelou um papel que ninguém havia planejado, mas que se mostrou essencial. Estudante do segundo ano de medicina, ele e seu colega Roberto Canessa — também estudante de medicina — tornaram-se os “médicos” do grupo. Desde as primeiras horas após o acidente, os dois foram os responsáveis pelo atendimento dos feridos, fazendo o que podiam com os pouquíssimos recursos disponíveis nos destroços do avião.

Tratavam fraturas, cuidavam de ferimentos abertos, monitoravam os companheiros mais debilitados. Era medicina de guerra, praticada por jovens que ainda estavam na faculdade, em condições que nenhum livro ou sala de aula poderia ensinar.
Quando os sobreviventes tomaram a decisão — ao mesmo tempo desesperada e racional — de se alimentar dos corpos dos colegas que haviam morrido para não sucumbir à fome, foram Zerbino e Canessa que, com a frieza necessária de quem pensa como médico, ajudaram a tornar aquele momento minimamente suportável. Para eles, era proteína, gordura, a única fonte possível de energia para manter o coração batendo por mais um dia.
72 dias na neve
As semanas que se seguiram foram marcadas por perdas contínuas e situações limite. No dia 29 de outubro, uma avalanche atingiu a fuselagem do avião onde os sobreviventes dormiam, matando mais oito pessoas em questão de segundos. O grupo, que já havia encolhido, ficou ainda menor. Aqueles que restavam precisavam encontrar formas criativas de sobreviver: usavam capas de assentos como cobertores, fabricavam óculos improvisados com plástico da cabine para proteger os olhos do sol refletido na neve e criaram um sistema rudimentar para derreter neve e obter água.
No dia 23 de outubro, apenas dez dias após a queda, os sobreviventes conseguiram colocar para funcionar um rádio portátil e ouviram a notícia que os destruiu por dentro: as buscas haviam sido oficialmente suspensas. O mundo havia os dado como mortos.
Foi nesse momento que o grupo precisou decidir: desistir ou se tornar os próprios autores de sua salvação. Eles escolheram o segundo caminho.
Em 12 de dezembro, Fernando Parrado e Roberto Canessa partiram a pé em busca de ajuda, escalando os Andes com as forças que ainda tinham e atravessando a cordilheira por dez dias até encontrar o tropeiro Sergio Catalán, que acionou as autoridades chilenas. No dia 23 de dezembro de 1972 — 72 dias após a queda — os helicópteros de resgate chegaram ao vale. Gustavo Zerbino estava entre os 16 que saíram vivos.
A vida depois da cordilheira
Resgatado às vésperas do Natal de 1972, Zerbino voltou ao mundo — mas não voltou o mesmo. Poucos poderiam. Concluiu seus estudos e seguiu carreira no setor farmacêutico e químico, tornando-se empresário e ocupando posições de destaque como presidente da Associação Química e da Câmara de Especialidades Farmacêuticas e Afins do Uruguai. Paralelamente, não abandonou o rúgbi — pelo contrário: chegou a integrar a seleção uruguaia e presidiu a União Uruguaia de Rugby por vários anos.
Com o tempo, a história que ele havia vivido ganhou proporções cada vez maiores. Livros, documentários e filmes foram produzidos sobre a tragédia. Em 2023, o cineasta espanhol Juan Antonio Bayona trouxe ao mundo “A Sociedade da Neve”, pela Netflix — uma produção aclamada internacionalmente, indicada ao Oscar, que reacendeu o interesse global pelo episódio e pelas pessoas que o viveram. Zerbino é um dos personagens centrais da história retratada.
Hoje, aos 72 anos, ele percorre o mundo como palestrante, levando às plateias corporativas e abertas as lições que aprendeu naqueles 72 dias que o testaram como ser humano.
O que Gustavo Zerbino faz em seus discursos não é apenas relembrar o passado — é transformá-lo em ferramenta. A experiência na Cordilheira dos Andes serve de base para reflexões profundas sobre resiliência, liderança em momentos de crise, tomada de decisão sob pressão extrema, solidariedade e o poder dos valores humanos.
Essa visão é o coração de suas palestras: a crença de que cada ser humano tem dentro de si recursos que só aparecem quando colocado diante do limite — e que esses recursos, uma vez descobertos, transformam a maneira de encarar a vida, o trabalho e as relações.
Conheça essa história de perto
A história de Gustavo Zerbino está chegando a Brasília. No dia 26 de maio de 2026, às 20 horas, o sobrevivente do Milagre dos Andes sobe ao palco do Ulysses Centro de Convenções para uma palestra que promete ser uma das noites mais marcantes do Metrópoles Talks — o projeto de palestras do maior portal de notícias do Brasil.
Mais do que uma narrativa de sobrevivência, o público vai encontrar um homem que transformou os 72 dias mais difíceis de sua vida em sabedoria, propósito e inspiração para plateias ao redor do mundo. Uma oportunidade única de ouvir, ao vivo, a voz de quem enfrentou o impossível — e voltou para contar.
Os ingressos estão disponíveis na Bilheteria Digital. Não perca.
Metrópoles Talks com Gustavo Zerbino
Data: 26 de maio de 2026, às 20h
Local: Ulysses Centro de Convenções — Brasília (DF)
Ingressos: Bilheteria Digital
