
Claudia MeirelesColunas

Gripe masculina: homens sofrem mais que mulheres quando estão doentes?
Especialista explica se hormônios, comportamento e estilo de vida influenciam como homens e mulheres reagem a gripes e resfriados
atualizado
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A ideia de que homens parecem sofrer mais quando ficam gripados já virou piada recorrente em muitas famílias e nas redes sociais. Popularizada pelo termo “gripe masculina”, a expressão descreve a percepção de que homens costumam demonstrar sintomas mais intensos ou maior fragilidade quando estão doentes.
Embora muitas vezes tratada com humor, a questão tem despertado interesse da comunidade científica. Pesquisadores investigam se diferenças biológicas, como resposta imunológica e fatores hormonais, podem explicar parte desse fenômeno. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que aspectos culturais e comportamentais também desempenham um papel importante na forma como homens e mulheres percebem e expressam sintomas.

Socialização e expressão da vulnerabilidade
Para a psicóloga e nutricionista Cibele Santos, a forma como homens e mulheres lidam com a doença muitas vezes está ligada ao processo de socialização desde a infância.
“Psicologicamente, isso pode estar relacionado à forma como os homens são socializados para expressar dor e vulnerabilidade”, explica a especialista.
Segundo ela, meninos e meninas costumam receber mensagens diferentes ao longo da vida sobre como demonstrar emoções ou fragilidades físicas.
“Desde cedo, a educação que recebem pode moldar suas respostas emocionais e comportamentais diante da dor ou da doença”, afirma.

Por que muitas mulheres continuam ativas mesmo doentes
Outro aspecto frequentemente observado é que muitas mulheres continuam mantendo suas atividades cotidianas mesmo quando não estão bem de saúde.
De acordo com Cibele Santos, esse comportamento pode estar relacionado às expectativas sociais associadas ao papel feminino. “Isso pode ser resultado de pressões sociais que valorizam a resistência feminina e a capacidade de continuar cuidando de tudo, mesmo em momentos de fragilidade”, diz.
Em muitos casos, responsabilidades profissionais, familiares e domésticas acabam se sobrepondo à necessidade de descanso e autocuidado.

A influência da carga mental feminina
A discussão sobre a chamada “gripe masculina” também revela um fenômeno importante: a chamada carga mental feminina.
“Muitas mulheres lidam com múltiplas responsabilidades ao mesmo tempo – trabalho, casa e cuidado com a família – e isso pode impactar diretamente sua saúde física e mental”, afirma Cibele Santos.
Essa sobrecarga pode levar muitas mulheres a ignorar sintomas ou adiar cuidados médicos, priorizando as necessidades de outras pessoas.
Diferenças na percepção e relato de sintomas
Especialistas também apontam que fatores culturais e emocionais podem influenciar a forma como homens e mulheres relatam sintomas físicos.
“A percepção da dor e do mal-estar não é apenas biológica. Aspectos culturais e emocionais desempenham um papel importante na forma como comunicamos o que estamos sentindo e buscamos ajuda”, explica Cibele.
Isso significa que a experiência da doença pode ser influenciada tanto por processos fisiológicos quanto pela forma como cada pessoa foi ensinada a interpretar e expressar desconfortos físicos.

Hormônios, imunidade e saúde geral
Além das questões comportamentais, fatores biológicos também entram na equação. Segundo Cibele Santos, diferenças hormonais podem influenciar a resposta do organismo a infecções.
“Os níveis de estrogênio e testosterona têm impacto na imunidade e podem interferir na maneira como o corpo responde a infecções”, explica.
No entanto, ela ressalta que a saúde geral também depende de uma série de hábitos cotidianos que influenciam diretamente o sistema imunológico.
Entre os fatores mais importantes para a saúde estão alimentação, qualidade do sono e controle do estresse.
“Todos esses elementos são cruciais para a saúde geral e podem afetar a forma como o organismo responde a doenças respiratórias”, afirma a especialista.
Uma alimentação equilibrada, associada a bons hábitos de sono e estratégias de manejo do estresse, ajuda a fortalecer a imunidade e melhorar a capacidade do corpo de lidar com infecções.

O impacto da sobrecarga no bem-estar
A sobrecarga de responsabilidades também pode ter efeitos diretos sobre a saúde.
“O estresse constante pode comprometer a saúde geral e diminuir a capacidade do corpo de lidar com doenças”, destaca Cibele Santos.
Por isso, especialistas defendem que discussões sobre saúde também incluam temas como divisão de tarefas, autocuidado e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Entre mito e realidade
Embora a chamada “gripe masculina” continue sendo tema de debates científicos e culturais, especialistas concordam que a questão envolve uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Mais do que determinar quem sofre mais quando está doente, a discussão ajuda a ampliar o entendimento sobre como diferentes experiências de vida, expectativas sociais e hábitos cotidianos influenciam a maneira como cada pessoa lida com a própria saúde.
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