
Claudia MeirelesColunas

Gastroenterologista explica o contágio da bactéria H. pylori
A gastroenterologista Maria Júlia Colossi destaca que a H. pylori é considerada a infecção crônica bacteriana mais comum do mundo
atualizado
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Conforme a revista da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o Brasil tem elevada prevalência da bactéria Helicobacter pylori, mais conhecida como H. pylori. Pelos dados da entidade, em torno de 70% da população está infectada pelo micro-organismo, com predominância na região Norte.
Mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a gastroenterologista Maria Júlia Colossi destaca que a infecção pela H. pylori é bastante comum globalmente. “Está envolvida na promoção de sintomas diversos e úlceras de estômago e duodeno, além de câncer gástrico”, cita a médica.
“É considerada a infecção crônica bacteriana mais comum do mundo, com 40% de prevalência mundial”, acrescenta a especialista em endoscopia digestiva. Ao esclarecer a respeito do contágio da bactéria, ela salienta: “Ótimo falar sobre esse assunto, às vésperas da atualização do Consenso Brasileiro do H. pylori, que está em sua quinta edição.”
Membro titular da FBG, Maria Júlia salienta que “explicar o contágio pelo H. pylori é uma tarefa difícil”: “É extremamente complexo estimar sua epidemiologia e formas de transmissão”. Segundo a médica, publicações norte-americanas, europeias e brasileiras enfatizam que a infecção é tipicamente adquirida na primeira infância.

A especialista em colonoscopia ressalta que o contágio da bactéria Helicobacter pylori decorre do contato interpessoal através de saliva (oral-oral), fluidos gástricos (gastro-oral) e resíduos fecais (fecal-oral), que são os veículos da bactéria.
Já a infecção crônica da H. pylori, de acordo com a médica, acontece em indivíduos que não conseguem combater e eliminar a bactéria espontaneamente, em especial quando “altas cargas são transmitidas”.
“Por esse motivo, transmissão entre pessoas de uma mesma família (exposição continuada em alta carga, trocas de utensílios pessoais) ou de uma comunidade que conviva de forma muito próxima é a principal forma de contágio”, pontua a professora assistente de gastroenterologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).

Também membro da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Maria Júlia Colossi argumenta que esse quadro aumenta sobretudo em locais com saneamento básico insuficiente, o que envolve água não tratada, esgoto sem direcionamento correto, higiene pessoal precária e conservação dos alimentos inadequada.
Brasil e H. pylori
Em um artigo, a revista da Federação Brasileira de Gastroenterologia detalhou que o Brasil é um país com dimensões continentais e que apresenta acentuadas discrepâncias entre suas várias regiões. Os municípios do Paraná, de São Paulo e Minas Gerais são os mais bem atendidos em relação ao fornecimento de água tratada e esgotamento sanitário.
Já as 20 piores cidades do ranking são da região Norte, algumas do Nordeste e do Rio de Janeiro, sendo a última posição ocupada por Porto Velho (RO). “A infecção pela H. pylori, intimamente ligada às condições higiossanitárias de uma determinada população, deverá manter-se com elevada prevalência em grande parte do Brasil”, frisou a publicação da FBG.

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