Especialistas citam hábitos que ajudam a reduzir o risco de Parkinson
O neurologista Izaias Magalhães e a neurocirurgiã Vanessa Milanese explicam sobre a doença de Parkinson, condição neurodegenerativa
22/01/2026 15:59

Publicado pelo periódico médico internacional The British Medical Journal (BMJ), um estudo de modelagem estimou que, em 2050, haverá mais de 25,2 milhões de pessoas com a doença de Parkinson em todo o mundo. Esse número representa um aumento de 112% em relação a 2021 e está ligado ao envelhecimento da população.
Para compreender mais sobre a condição, a coluna Claudia Meireles requisitou a neurocirurgiã Vanessa Milanese, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN); e o neurologista Izaias Magalhães, atuante em neurofisiologia clínica. Segundo os médicos, o Parkinson é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva.
De acordo com Izaias, o Parkinson é uma das condições neurodegenerativas mais frequentes na população e apresenta aumento progressivo de casos, especialmente em pessoas acima dos 60 e 65 anos. “Esse crescimento está diretamente relacionado ao envelhecimento populacional, uma vez que a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento do quadro”, pontua.
“Como o risco cresce com a idade, mais indivíduos atingem a faixa etária em que a doença é mais frequente”, esclarece Vanessa. A neurocirurgiã salienta que a condição é causada pela degeneração de neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle motor.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs efeitos desse processo de degeneração são tremor, lentidão de movimentos, rigidez e alterações do equilíbrio. A especialista detalha que o Parkinson também gera sintomas não motores, como distúrbios do sono, redução do olfato, intestino preso, alteração do humor, ansiedade e cognição.

O neurologista alerta que, em muitos casos, esses sintomas não motores podem proceder as alterações de movimento por anos. Diante dessas explicações, a coluna perguntou aos dois especialistas: quais hábitos devem ser colocados em prática a fim de reduzir o risco de doença de Parkinson?
“Embora não exista uma forma comprovada de prevenção absoluta, estudos epidemiológicos indicam que alguns hábitos estão associados a menor risco ou melhor preservação da função neurológica“, evidencia Izaias Magalhães.

Hábitos x doença de Parkinson
1. Atividade física regular
Segundo Vanessa Milanese, exercitar o corpo tem efeito neuroprotetor e ajuda a manter a saúde cerebral. Por sua vez, o neurologista ressalta: “A prática de atividade física está associada à melhora da função dopiaminérgica, à neuroplasticidade e à redução de processos inflamatórios e oxidativos no sistema nervoso central.”
2. Sono adequado e regular
Izaias Magalhães frisa que os distúrbios do sono são frequentes nas fases iniciais da doença. “Dormir com qualidade contribui para a regulação metabólica cerebral e para mecanismos de manutenção da saúde mental”, defende.

3. Alimentação saudável
A médica aconselha adotar uma alimentação saudável — por exemplo, a dieta mediterrânea — que auxilia na redução da inflamação e do estresse oxidativo no cérebro.
4. Redução da exposição à toxinas ambientais
Conforme o neurologista, a exposição a pesticidas, solventes e outros agentes químicos está associada a maior risco de doença de Parkinson, “embora essas causas sejam razoavelmente raras.”
5. Beber água filtrada
Com relação ao tópico anterior, a neurocirurgiã alega que tomar água filtrada contribui para reduzir o perigo de ingestão de toxinas associadas ao Parkinson. “Alguns estudos mostraram que moradores que vivem próximo a campos de golfe apresentaram risco maior para desenvolver a doença, provavelmente devido à água contaminada por agrotóxicos usados no gramado”, exemplifica Vanessa.

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