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Neuro indica o melhor esporte para aliviar os sintomas de Parkinson
Embora a doença não tenha cura, algumas atividades físicas podem ajudar no alívio dos sintomas de Parkinson; saiba mais
atualizado
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O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo, ficando atrás apenas do Alzheimer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de quatro milhões de pessoas vivem com o diagnóstico. Somente no Brasil, o número de pacientes chega a 200 mil.
Entenda
- A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa crônica que afeta, principalmente, o sistema nervoso central, responsável pelo controle dos movimentos do corpo;
- O problema é causado pela perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor essencial para a coordenação motora;
- A doença se caracteriza por quatro sintomas principais: tremor, lentidão dos movimentos, alterações no caminhar e rigidez plástica, tornando o movimento duro e travado;
- Essas alterações comprometem tarefas simples do cotidiano e podem aumentar o risco de quedas, especialmente devido às instabilidades e tremores característicos da doença.
Embora a Doença de Parkinson não tenha cura, certos esportes e atividades físicas podem ajudar no alívio dos sintomas, como o boxe e a dança. Outra prática que vem chamando atenção é o tênis de mesa, popularmente conhecido como pingue-pongue.
Pingue-pongue como aliado no tratamento
Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, apontou que apenas duas sessões semanais de 120 minutos já são suficientes para melhorar as funções motoras e facilitar tarefas do dia a dia em pacientes com a doença.
O jogo, que envolve disputa por pontos, mantém o engajamento e estimula reflexos rápidos. As partidas exigem agilidade, visão apurada e precisão de movimentos para responder às jogadas do adversário.
Curiosa, a coluna Claudia Meireles conversa com o neurologista André Ferreira para entender os benefícios do pingue-pongue no tratamento do Parkinson.
“O uso repetido das raquetes ao redor do corpo mobiliza os músculos do tronco e dos membros como as mãos. Além disso, os sons rítmicos da bola batendo na mesa funcionam como um estímulo auditivo para incentivar os participantes a se movimentarem”, explica o neurologista.
Além disso, segundo o profissional, o contraste visual da bola laranja ou branca na mesa verde funciona como um excelente gatilho para estimular o foco e a atenção, e manter os reflexos visuais ativos.
Confira, a seguir, os benefícios físicos e cognitivos do esporte listados pelo especialista:
- Melhora da coordenação olho–mão: para rebater a bola, o jogador precisa acompanhar visualmente sua trajetória e, ao mesmo tempo, mover as mãos na direção certa. Esse processo treina a integração entre visão e movimento, chamada de integração visuo-motora;
- Equilíbrio e postura: o jogo exige deslocamentos laterais rápidos e ajustes na posição do corpo a cada jogada, o que desafia e fortalece a capacidade de manter a estabilidade mesmo em movimento;
- Aprimoramento das habilidades motoras finas: realizar golpes precisos, controlar a força e mudar a forma de segurar a raquete ativa músculos pequenos das mãos e dos dedos;
- Estímulo mental: como a bola se move em alta velocidade, o jogador precisa avaliar a situação e reagir instantaneamente, o que estimula e treina o cérebro;
- Memória e percepção: o jogo estimula a memória de trabalho, pois o jogador deve lembrar o efeito que aplicou na bola e antecipar como o adversário vai responder, analisando padrões de jogadas.
- Melhora do foco e atenção: as trocas contínuas de bola, de um lado para o outro da mesa, mantêm a mente focada e reduzem distrações durante a partida.
Outra grande vantagem do esporte, segundo o neurologista, é que ele pode ser indicado para pacientes em diferentes estágios da doença, desde que adaptado. Isso inclui o uso de bolas maiores, redução da velocidade das partidas e ajustes nas regras para respeitar as limitações individuais de cada jogador.
O impacto positivo do pingue-pongue no tratamento é tão significativo que a Federação Internacional de Tênis de Mesa organiza campeonatos mundiais exclusivos para atletas com Parkinson. Atualmente, estima-se que cerca de dois mil praticantes no mundo participem dessas competições.

Experiência coletiva
Muitos pacientes com Parkinson têm uma tendência maior a se isolar socialmente, um fator que aumenta o risco de desenvolver transtornos de ansiedade, sedentarismo, perda de massa muscular e até demência.
“A socialização promovida pelo jogo favorece o desenvolvimento de laços de amizade, sensação de pertencimento, e trocas de experiências sobre a própria doença e suas limitações. O jogo também ativa o sistema de recompensa do cérebro, associado à sensação de prazer e bem-estar”, pontua o médico.
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