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Especialista aponta benefícios de chás feitos com 4 plantas do Cerrado
A doutora em ecologia e bióloga Isa Melo lista quatro espécies de plantas do Cerrado que devem ganhar espaço no universo dos chás
atualizado
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Também chamado de savana brasileira, o Cerrado tende a ganhar destaque na mídia durante o inverno por conta das queimadas e devido à seca. Famoso pelas árvores de troncos tortuosos e folhas grossas, o bioma dispõe de espécies de plantas que poderiam ganhar destaque no universo dos chás, conforme reforça a doutora em ecologia e bióloga Isa Melo.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a mestre em botânica e sommelière de chás lista quatro espécies de plantas do Cerrado que “enriquecem muito as receitas”. “Além do sabor, todas são ingredientes valiosos para a culinária e oferecem benefícios à saúde”, frisa.
- Baunilha-do-cerrado: pode ser usada em blends de chá, ervas ou frutas, apresentando um aroma agradável e sabor levemente adocicado.
- Laranjinha-do-cerrado: acrescenta toque cítrico à bebida.
- Folhas de maracujá-doce: ideal para compor blends com efeito calmante e relaxante.
- Pimenta-rosa: confere notas adocicadas e suavemente picante, proporcionando sofisticação às receitas.

Benefícios das espécies de plantas
De acordo com a especialista, consumir chás ou infusões com esses ingredientes favorece a saúde. “A baunilha-do-cerrado, que além de adoçar suavemente o paladar exala um aroma reconfortante, tem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e digestivas”, evidencia Isa. A respeito da pimenta-rosa, Isa cita que a espécie de planta fonte de vitamina C fortalece a imunidade e auxilia a digestão.
“A pimenta-rosa é rica em antioxidantes que protegem a pele contra os radicais livres”, complementa a doutora em ecologia. Com relação a laranjinha-do-cerrado, a bióloga esclarece que a opção com teor significativo de vitamina C atua como “aliada do sistema imunológico” e contribui para a digestão. “Por sua vez, traz frescor e toque cítrico às infusões”, declara.
“Já o maracujá-doce, de polpa naturalmente adocicada, é uma espécie bastante estudada por suas propriedades medicinais. As folhas são usadas em infusões que ajudam a reduzir sintomas de ansiedade e a melhorar a qualidade do sono, graças ao efeito relaxante”, argumenta a mestre em botânica.

Modo de preparo dos chás
Quanto ao preparo dos chás, a bióloga Isa Melo enfatiza: “Com exceção do maracujá-doce, que pode ser preparado a partir do fruto ou das folhas, as outras espécies são mais interessantes quando consumidas em conjunto com outros ingredientes, na forma de blends”. À coluna, a especialista detalha ter desenvolvido um blend com baunilha-do-cerrado e casca de cacau.
“A união desses dois elementos potencializa benefícios à saúde. O cacau é rico em teobromina, um estimulante natural que melhora a disposição por atuar no metabolismo energético celular. Já a baunilha-do-cerrado confere propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e digestivas”, endossa a sommelière de chás.
No caso dos blends, a doutora em ecologia aconselha “seguir sempre as instruções de preparo que constam no rótulo do produto, já que o tempo de infusão e a proporção variam de acordo com a mistura”.

Isa ensina como preparar a infusão de maracujá-doce:
- Recomenda-se usar três ou cinco folhas frescas picadas para cada 200 ml de água.
- As folhas devem ser fervidas em fogo baixo, em vasilha destampada, por cerca de cinco minutos. “É o processo de decocção”, acentua.
- A especialista justifica que a “particularidade” de deixar a panela aberta é importante para permitir a liberação adequada de alguns compostos voláteis: “Ao contrário do que ocorre em infusões comuns, que geralmente são tampadas.”
Adendo!
A bióloga recomenda os indivíduos que fazem o uso contínuo de medicamentos a conversarem com um médico antes de consumir chás. Essa atitude visa evitar interações medicamentosas. “Crianças, gestantes e lactantes também devem buscar orientação profissional antes de incluir essas infusões na rotina”, instrui Isa.
Caso tenha interesse em saborear os chás preparados com as plantas do Cerrado, a mestre em botânica pontua que algumas dessas espécies podem ser encontradas em mercados, hortifrutis ou feiras de produtores locais, caso do maracujá-doce e da pimenta-rosa. “Outras, como a baunilha-do-cerrado, costumam ser adquiridas em comunidades tradicionais, a exemplo da comunidade Kalunga”, finaliza.

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