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Claudia Meireles

É possível sentir o próprio mau hálito? Dentista ensina truque

O dentista Gustavo Delmondes explica porque as pessoas tendem a ter dificuldade para reconhecer se está com mau hálito sozinho; saiba mais

Getty Images
É possível sentir o próprio mau hálito? Dentista ensina truque

Você já se perguntou se está com mau hálito, mas nunca conseguiu ter certeza? De acordo com o dentista Gustavo Delmondes, conseguir identificar que está com bafo sem que alguém dê um “toque” não é tão simples quanto parece. O especialista aponta que a dificuldade está relacionada a um fenômeno normal do sistema nervoso: a adaptação olfatória, ou seja, quando ficamos expostos continuamente ao mesmo odor, os receptores do olfato e o cérebro passam a responder menos ao estímulo.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Gustavo explicou que essa dessensibilização acontece, justamente, porque o mau hálito costuma ser produzido de forma constante, especialmente quando há acúmulo de bactérias na língua ou nas gengivas. “A pessoa tende a se acostumar com o cheiro e deixa de percebê-lo com clareza”, esclarece.

Dentista ensina como identificar o mau hálito sem precisar perguntar para alguém

Para ajudar a acabar com a dúvida sobre estar ou não com o hálito ruim, o dentista revela que alguns truques podem ser úteis. “Embora não seja tão confiável quanto uma avaliação odontológica, o teste que considero mais informativo é raspar a parte posterior da língua com uma colher ou raspador, esperar alguns segundos e sentir o odor do material removido”, sugere.

Outra possibilidade, segundo Gustavo Delmondes, é passar fio dental entre os dentes posteriores e verificar o cheiro. “Esses testes podem indicar a presença de halitose, mas têm limitações porque a própria adaptação olfatória pode fazer a pessoa subestimar o odor”, reforça.

Homem fazendo limpeza de dentes com fio dental
O uso de fio dental é imprescindível para a higiene bucal

Principais causas

Em sua prática na clínica Benve, Gustavo Delmondes orienta os pacientes a entender que a falta de escovação está longe de ser a única responsável pelo mau hálito. Na maioria dos casos, porém, a origem da halitose está na própria boca.

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Entre as principais causas, o dentista cita saburra lingual, gengivite, doença periodontal, cáries extensas, restos de alimentos e boca seca. Alterações como sinusite crônica, amigdalite com caseum — bolinhas brancas ou amareladas — e algumas doenças respiratórias também podem provocar o problema.

“O uso de medicamentos também é uma causa importante, uma vez que muitos remédios diminuem a produção de saliva, favorecendo a proliferação bacteriana. Já problemas gástricos contribuem em algumas situações, especialmente no refluxo gastroesofágico, mas acaba sendo um motivo muito menos frequente do que a maioria das pessoas imagina”, assegura.

Foto mostra boca em close up passando por avaliação em busca de cáries
Descuido no cuidado com a limpeza dos dentes pode levar à cárie, mas condições genéticas e doenças favorecem o mau hálito

E se o caso persiste?

Quando persistente, a halitose também merece atenção. Segundo Gustavo, ela pode ser um dos sinais de doença periodontal — uma infecção crônica que atinge as gengivas e os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes. “Infecções dentárias, abscessos, alterações nas amígdalas e sinusite crônica são outras possíveis causas”, alerta.

“O ideal é procurar um dentista quando o mau hálito persiste por mais de duas a quatro semanas, quando há sangramento gengival, retração da gengiva, mobilidade dentária, dor ou gosto ruim constante”, salienta Gustavo Delmondes.

“Já sintomas como azia frequente, obstrução nasal persistente, secreção na garganta, perda de peso inexplicada também devem ser avaliados por um médico”, conclui.

Ilustração em azul e verde de humano com pequenas bactérias saindo da boca - Metrópole.s
Halitose persistente pode ser um dos sinais de doença periodontal

Prevenção

Na rotina, alguns cuidados básicos continuam sendo os principais aliados contra a halitose. Gustavo recomenda escovar corretamente os dentes, usar fio dental diariamente, manter uma boa hidratação e não esquecer da limpeza da língua.

“A atenção à língua é especialmente importante porque sua região posterior concentra bactérias produtoras de compostos sulfurados, substâncias relacionadas ao odor característico do mau hálito”, aponta.

Para quem aposta em balas e pastilhas, o dentista é enfático: essas opções apenas mascaram o cheiro por alguns minutos sem atuar sobre a causa. “As gomas de mascar sem açúcar podem ajudar temporariamente ao estimular a produção de saliva, mas também não tratam a origem da halitose“, alerta.

Mulher dando língua-Metrópoles- mau hálito
Escovar a língua é fundamental

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