Claudia Meireles

Caso Giulia Costa: psiquiatra diz o que é e como tratar dermatilomania

Doutorando e mestre em psiquiatria Adiel Carneiro Rios comenta os principais sinais da dermatilomania, condição considerada um transtorno

atualizado

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“Imagine alguém que entra no banheiro apenas para lavar o rosto. Ao se olhar no espelho, percebe um ponto diferente na pele. Começa a mexer. O tempo passa sem nem perceber. Sai com novas marcas. Promete que não fará novamente. No dia seguinte, repete”, exemplifica o doutorando e mestre em psiquiatria Adiel Carneiro Rios sobre a dermatilomania. Recentemente, a condição ganhou notoriedade após Giulia Costa revelar ter o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Também chamada de skin picking ou transtorno de escoriação, a dermatilomania é uma condição quando um indivíduo mexe repetidamente na própria cútis. “Cutuca, espreme, arranha ou tenta remover pequenas imperfeições”, ressalta o membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O médico enfatiza que o comportamento costuma surgir de forma automática, especialmente em momentos de ansiedade, tensão, cansaço ou tédio.

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É uma condição em que a pessoa mexe repetidamente na própria pele
O transtorno costuma ocorrer como uma forma de aliviar o estresse
O indivíduo tem dificuldade de controlar o impulso, mesmo querendo parar
A dermatilomania é um transtorno obsessivo-compulsivo
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A dermatilomania é um transtorno obsessivo-compulsivo

Cottonbro/Pexels
É uma condição em que a pessoa mexe repetidamente na própria pele
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É uma condição em que a pessoa mexe repetidamente na própria pele

Cottonbro/Pexels
O transtorno costuma ocorrer como uma forma de aliviar o estresse
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O transtorno costuma ocorrer como uma forma de aliviar o estresse

Resume Genius/Pexels
O indivíduo tem dificuldade de controlar o impulso, mesmo querendo parar
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O indivíduo tem dificuldade de controlar o impulso, mesmo querendo parar

Kevin Malik/Pexels

“Há um alívio imediato após mexer na pele. Essa sensação dura pouco. Em seguida, aparecem culpa, vergonha e frustração. As feridas permanecem. O impulso retorna. Forma-se um ciclo difícil de interromper, que não tem relação com falta de autocontrole, mas com um padrão específico de funcionamento do cérebro”, detalha o psiquiatra com atuação clínica.

Sinais da dermatilomania

Abaixo, o especialista aponta os principais sinais de dermatilomania:

  • Lesões repetidas na pele;
  • Tentativas frustradas de parar;
  • Sofrimento emocional;
  • Impacto na vida cotidiana;
  • Evitar praia, fotos, consultas e proximidade física;
  • Usa maquiagem, curativos ou roupas para esconder;
  • Comportamento costuma piorar em períodos de estresse, ansiedade, exaustão mental ou concentração prolongada.

O médico acentua sobre a dematilomania “não ser apenas um problema dermatológico”. “É um padrão repetitivo e difícil de controlar, o que caracteriza o transtorno”, sustenta o psiquiatra. Adiel declara que “procurar ajuda não é exagero”. “É um passo fundamental para interromper o ciclo e permitir que a pele e a mente se recuperem juntas“, orienta o pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas da Unifesp.

Foto colorida do pescoço de uma mulher com manchas vermelhas. - Metrópoles
A demartiolomania pode deixar marcas permanentes na pele

De acordo com o médico, a ajuda deve ser buscada quando:

  • A pessoa se machuca e não consegue interromper o comportamento;
  • Surgem feridas persistentes, cicatrizes ou infecções;
  • O hábito consome tempo e afeta a qualidade de vida.

Adiel salienta que o tratamento combina estratégias não farmacológicas e, em alguns casos, farmacológicas. “Do ponto de vista não medicamentoso, a terapia cognitivo-comportamental, especialmente com técnicas de reversão de hábito, ajuda a identificar gatilhos, reduzir o impulso automático e criar respostas alternativas mais seguras”, explica.

O psiquiatra menciona que algumas pessoas se beneficiam do uso de N-acetilcisteína, um modulador do glutamato que pode reduzir a intensidade do impulso de cutucar a pele.

Foto colorida de homem coçando o braço - Metrópoles
O psiquiatra aconselha procurar ajuda para tratar a dermatilomania

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