
Claudia MeirelesColunas

Caso Giulia Costa: psiquiatra diz o que é e como tratar dermatilomania
Doutorando e mestre em psiquiatria Adiel Carneiro Rios comenta os principais sinais da dermatilomania, condição considerada um transtorno
atualizado
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“Imagine alguém que entra no banheiro apenas para lavar o rosto. Ao se olhar no espelho, percebe um ponto diferente na pele. Começa a mexer. O tempo passa sem nem perceber. Sai com novas marcas. Promete que não fará novamente. No dia seguinte, repete”, exemplifica o doutorando e mestre em psiquiatria Adiel Carneiro Rios sobre a dermatilomania. Recentemente, a condição ganhou notoriedade após Giulia Costa revelar ter o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Também chamada de skin picking ou transtorno de escoriação, a dermatilomania é uma condição quando um indivíduo mexe repetidamente na própria cútis. “Cutuca, espreme, arranha ou tenta remover pequenas imperfeições”, ressalta o membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O médico enfatiza que o comportamento costuma surgir de forma automática, especialmente em momentos de ansiedade, tensão, cansaço ou tédio.
“Há um alívio imediato após mexer na pele. Essa sensação dura pouco. Em seguida, aparecem culpa, vergonha e frustração. As feridas permanecem. O impulso retorna. Forma-se um ciclo difícil de interromper, que não tem relação com falta de autocontrole, mas com um padrão específico de funcionamento do cérebro”, detalha o psiquiatra com atuação clínica.
Sinais da dermatilomania
Abaixo, o especialista aponta os principais sinais de dermatilomania:
- Lesões repetidas na pele;
- Tentativas frustradas de parar;
- Sofrimento emocional;
- Impacto na vida cotidiana;
- Evitar praia, fotos, consultas e proximidade física;
- Usa maquiagem, curativos ou roupas para esconder;
- Comportamento costuma piorar em períodos de estresse, ansiedade, exaustão mental ou concentração prolongada.
O médico acentua sobre a dematilomania “não ser apenas um problema dermatológico”. “É um padrão repetitivo e difícil de controlar, o que caracteriza o transtorno”, sustenta o psiquiatra. Adiel declara que “procurar ajuda não é exagero”. “É um passo fundamental para interromper o ciclo e permitir que a pele e a mente se recuperem juntas“, orienta o pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas da Unifesp.

De acordo com o médico, a ajuda deve ser buscada quando:
- A pessoa se machuca e não consegue interromper o comportamento;
- Surgem feridas persistentes, cicatrizes ou infecções;
- O hábito consome tempo e afeta a qualidade de vida.
Adiel salienta que o tratamento combina estratégias não farmacológicas e, em alguns casos, farmacológicas. “Do ponto de vista não medicamentoso, a terapia cognitivo-comportamental, especialmente com técnicas de reversão de hábito, ajuda a identificar gatilhos, reduzir o impulso automático e criar respostas alternativas mais seguras”, explica.
O psiquiatra menciona que algumas pessoas se beneficiam do uso de N-acetilcisteína, um modulador do glutamato que pode reduzir a intensidade do impulso de cutucar a pele.

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