
Claudia MeirelesColunas

Dermatilomania: médicas explicam como saber se você tem o transtorno
A dermatilomania é um transtorno obsessivo-compulsivo. A psiquiatra Renata Verna e a médica Laís Marques listam sinais e sintomas do quadro
atualizado
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Após o relato íntimo de Giulia Costa ao revelar ter dermatilomania, algumas pessoas descobriram o que vem a ser, de fato, o transtorno de escoriação (skin picking disorder, em tradução livre). De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), essa condição é caracterizada por comportamentos repetitivos de manipulação da pele.
A psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, explica que a dermatilomania faz parte do grupo de transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e relacionados, conforme manuais diagnósticos. Segundo a médica pós-graduada em psiquiatria geral Laís Marques, do Hospital Mantevida, o paciente com o quadro apresenta “episódios recorrentes de beliscar, arranhar ou cutucar a pele, frequentemente até causar lesões, crostas ou sangramentos.”
A psiquiatra salienta que esse ato repetitivo é feito “mesmo sem haver um problema dermatológico que justifique”. “Esse comportamento costuma ocorrer como uma forma de aliviar ansiedade, tensão, estresse ou sentimentos negativos, mas acaba causando lesões na pele, feridas, cicatrizes e sofrimento emocional. A pessoa geralmente tem dificuldade de controlar o impulso, mesmo querendo parar“, esclarece Renata.
Questionadas sobre como uma pessoa sabe se tem ou não a dermatilomania, as médicas apontam os principais sinais e sintomas:
- Comportamento repetitivo de manipulação da pele: geralmente em áreas específicas, como face, braços, pernas e couro cabeludo.
- Lesões visíveis: feridas, cicatrizes, infecções secundárias ou hiperpigmentação.
- Perda de controle: dificuldade em interromper o ato, mesmo diante de dor ou consequências negativas.
- Fatores desencadeantes: episódios frequentemente precedidos por tensão, ansiedade ou sensação de imperfeição da pele.
- Satisfação: alívio ou prazer momentâneo após o ato, seguido de culpa ou vergonha.
- Impacto funcional: prejuízo na autoestima, isolamento social, uso de maquiagem ou roupas para esconder lesões.

A psiquiatra realça que o ato de cutucar a pele, muitas vezes, ocorre de modo automático, sem o indivíduo perceber. Ela complementa que a pessoa ficar bastante tempo envolvida nesse comportamento também é um sinal de dermatilomania.
“É importante destacar que cutucar a pele ocasionalmente não caracteriza dermatilomania”, reforça Renata.
Entre os critérios diagnósticos, constam a incapacidade de controlar o impulso, sofrimento clínico significativo e prejuízo funcional, social, ocupacional ou em outras áreas da vida. “Não se trata de um simples hábito ou vaidade, e sim de um comportamento compulsivo, persistente e associado à ansiedade ou tensão”, evidencia Laís Marques, a especialista em saúde mental.

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