
Claudia MeirelesColunas

Caso Giulia Costa: médica explica causa e riscos da dermatilomania
A dermatilomania é uma condição associada à depressão e à ansiedade; no caso de Giulia Costa, veio com intensidade durante uma viagem
atualizado
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Em um relato sensível a partir de suas redes sociais, Giulia Costa abriu o coração sobre uma condição que a acompanha há anos: a dermatilomania. Considerado um transtorno psicológico, o comportamento é associado a quadros de ansiedade elevada e estresse crônico.
De acordo com a médica psiquiatra Bianca Schwab, a dermatilomania é o nome popular do transtorno de escoriação — um comportamento repetitivo de cutucar, espremer ou manipular a pele, que acaba levando a feridas, infecções e cicatrizes. “É um quadro que costuma ser crônico, com períodos de melhora e piora ao longo do tempo, especialmente quando não tratado”.
No caso da filha de Flávia Alessandra, o auge aconteceu durante uma viagem internacional, há cerca de três anos. “Nessa viagem minha ansiedade atacou como poucas vezes na minha vida e eu machuquei minha mão inteirinha”, relatou.
O que diferencia esse quadro de um hábito comum é a perda de controle: a pessoa tenta parar, mas não consegue. A condição costuma vir acompanhada de culpa, vergonha e prejuízo na vida social e na autoestima. “Já um hábito pontual não causa lesões importantes e não gera impacto emocional ou funcional”, explica o psiquiatra.

Sinais de alerta
Para além de feridas recorrentes e dificuldade em parar, chamam atenção o tempo excessivo gasto mexendo na pele e as tentativas repetidas e frustradas de interromper o comportamento. “Muitas pessoas desenvolvem rituais, como procurar um tipo específico de casquinha, usar pinça ou espelho, ou sempre arrancar a pele da mesma forma”, explica Bianca.
É comum sentir um alívio momentâneo ao cutucar, seguido de culpa ou vergonha, além de tentar esconder as marcas com maquiagem ou roupas e evitar situações sociais. “Nunca falei sobre isso, aqui já estava cicatrizando, mas tenho marquinha até hoje. Na época cismei em usar esse maldito (para mim) relógio que me fazia contar quantas calorias eu gastava”, disse Giulia.
De acordo com a médica, ao longo do tempo, as áreas de lesão podem variar — o que é uma característica frequente do transtorno. Além disso, a dermatilomania é uma condição que vem comumente associada, seja a depressão, ansiedade ou ao transtorno obsessivo-compulsivo. O comportamento pode coexistir com onicofagia, o hábito de roer unhas, e com a tricotilomania, de arrancar cabelos.
No caso de Giulia Costa, as crises passaram, mas ela sempre gosta de “lembrar como as coisas aqui nas telas não são mostradas como realmente são. Eu tava em uma viagem internacional incrível, com minha família que tanto amo, mas minha cabeça não estava lá”, recorda.

Tratamentos disponíveis
De acordo com a psiquiatra, o tratamento mais eficaz envolve a psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental. Com o método, é possível treinar a reversão de hábitos, que ajuda a pessoa a “reconhecer os gatilhos comportamentais” e a “aumentar a consciência do ato”.
Em alguns casos, medicações podem ser indicadas, principalmente quando há ansiedade ou depressão associadas.
“Antidepressivos como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina ou a clomipramina podem ajudar nesses quadros. Além disso, há evidências para o uso de N-acetilcisteína e, mais recentemente, da memantina, que atuam modulando circuitos cerebrais ligados à compulsão e podem reduzir a intensidade dos sintomas em parte dos pacientes”, explica.
O tratamento deve sempre ser individualizado e, quando necessário, feito em conjunto com o dermatologista.
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