
Claudia MeirelesColunas

Dermatilomania: médica revela o que agrava transtorno de Giulia Costa
Em um relato íntimo nas redes sociais, Giulia Costa conscientizou seguidores sobre dermatilomania; entenda a condição
atualizado
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O que parecia ser a viagem de férias perfeita para Giulia Costa acabou se tornando um dos episódios de crise de saúde mental mais marcantes da vida da atriz. Em um relato nas redes sociais, a filha de Flávia Alessandra compartilhou com o seguidores que convive com dermatilomania — uma condição que a leva a machucar a própria pele.
Giulia estava em uma viagem internacional quando tudo aconteceu. “Nessa viagem minha ansiedade atacou como poucas vezes na minha vida e eu machuquei minha mão inteirinha”, relatou. O episódio foi em 2021, mas até hoje ela guarda as marcas da crise.

O que é dermatilomania
De acordo com a dermatologista Violeta Tortelly, a condição é caracterizada pelo hábito de “cutucar” a pele — especialmente quando a pessoa se sente pressionada ou agitada. “Enquanto a pessoa não manipula a pele, ela sente muita ansiedade. Então, o paciente, a qualquer mini estímulo, se impulsiona a cutucar a pele.”
Na avaliação da médica, a frequência com que o hábito acontece é importante como diagnóstico. “A pessoa, muitas vezes, começa sem perceber que está fazendo, e quando menos percebe, está com ‘múltiplas feridas locais’, destaca a médica do Complexo Hospitalar de Niterói.
Segundo a profissional, a ansiedade é o principal agravante da condição.
“É comum a coexistência de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e dermatilomania. Entretanto, é a ansiedade que ocorre em quase a totalidade dos casos”, alerta a dermatologista.

Impactos na autoestima e saúde mental
Além das marcas na pele — por vezes permanentes —, a dermatilomania pode prejudicar o convívio social e a autoestima da paciente. “Esse é o nome popular do transtorno de escoriação, um quadro que costuma ser crônico, com períodos de melhora e piora ao longo do tempo, especialmente quando não tratado”, alerta a psiquiatra Bianca Schwab.
O hábito acaba funcionando como uma forma rápida de “aliviar esse desconforto interno”, podendo ser engatilhado por momentos de estresse elevado.
“Em quadros mais graves, pode haver sangramentos e complicações associadas à infecção das lesões. Do ponto de vista emocional, o impacto costuma ser significativo, como queda da autoestima, vergonha, ansiedade e isolamento social”, explica a médica.

Familiares e amigos podem ajudar no caso
De acordo com Bianca Schwab, o primeiro passo para tratar o problema é entender que o transtorno de escoriação é também de saúde mental, e não falta de força de vontade. “Críticas, cobranças ou tentativas de vigiar o comportamento costumam aumentar a vergonha e a ansiedade, piorando o quadro.”
Familiares podem ajudar criando um ambiente mais favorável ao tratamento. “Isso inclui reduzir estímulos que funcionam como gatilho, como o uso excessivo de espelhos em momentos críticos, incentivar o uso de barreiras físicas, como luvas, curativos ou roupas que cubram as áreas mais afetadas, e oferecer alternativas para manter as mãos ocupadas, como objetos antistresse ou brinquedos sensoriais”, orienta a psiquiatra.
A profissional também alerta sobre a necessidade de acompanhamento de um dermatologista e um psicólogo.
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