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Alfredo Henrique

Caso Thawanna: PM descumpre ordem judicial há 2 meses e trava perícia

Vídeo exibido em canal de TV de alcance nacional ainda não foi entregue ao DHPP em formato adequado para análise da Polícia Científica

07/08/2026 04:30
Reprodução/ TV Globo
Imagem colorida da policial Yasmin Cursino. Metrópoles

A Polícia Militar de São Paulo descumpre há mais de dois meses uma determinação judicial para entregar ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) imagens de uma câmera corporal consideradas essenciais à perícia sobre a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos. A ajudante-geral foi baleada pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, 21, após uma discussão de trânsito, em 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista.

A ordem foi expedida pela Justiça em 26 de maio. Até esta sexta-feira (7/8), 73 dias depois, a gravação ainda não havia sido encaminhada à Polícia Civil no formato exigido para a análise pericial. Diante do descumprimento, o DHPP reiterou o pedido e, nesta semana, a Justiça concedeu mais 15 dias para que a PM entregue o material e colabore com a investigação.

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8 imagens
Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga
A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima
Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem
PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem
Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida
Abordagem começou após policiais baterem retrovisor no braço de homem
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Abordagem começou após policiais baterem retrovisor no braço de homem

Reprodução/ TV Globo
Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga
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Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga

Reprodução/ TV Globo
A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima
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A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima

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Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem
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Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem

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PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem
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PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem

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Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida
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Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida

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Caso Thawanna: Policial diz sofrer ameaças e pede que processo corra em segredo de justiça
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Caso Thawanna: Policial diz sofrer ameaças e pede que processo corra em segredo de justiça

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A policial Yasmin Cursino Ferreira teve a arma recolhida
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A policial Yasmin Cursino Ferreira teve a arma recolhida

Reprodução/ TV Globo

A PM e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) foram questionadas sobre o motivo de as imagens ainda não terem sido encaminhadas ao DHPP. O espaço segue aberto para manifestações.

Arquivo “descomunal”

Yasmin não utilizava câmera corporal durante a ocorrência. A abordagem, porém, foi parcialmente registrada pelo equipamento usado pelo parceiro dela, o soldado Weden Silva Soares.

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O DHPP pediu inicialmente o vídeo para submetê-lo à perícia. A PM enviou arquivos de todos os policiais que compareceram ao local, reunindo horas de gravações em um volume que não podia ser baixado nem analisado pelo perito.

A coluna apurou que as primeiras imagens encaminhadas à Polícia Civil também continham uma marca d’água com CPF, data e horário de visualização, o que as tornava “imprestáveis para análise pericial”. Dias depois, o mesmo registro foi exibido, com nitidez e sem obstruções, por um canal de televisão de alcance nacional.

Em manifestação assinada pelo promotor de Justiça Lucas de Mello Schaefer, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou que o material enviado pela PM tinha tamanho “descomunal” e inviabilizava o download e a análise pelo perito criminal.

“Causa indignação”

O promotor também adotou tom duro ao mencionar que o vídeo já havia sido exibido na televisão. “Causa indignação constatar que as imagens de interesse investigativo já circularam de forma desobstruída em mídia televisiva nacional, enquanto o órgão responsável pela perícia oficial enfrenta entraves técnicos injustificáveis”, escreveu.

Para Schaefer, o recorte solicitado pelo DHPP é “perfeitamente razoável, proporcional e tecnicamente necessário para a viabilidade do laudo”. O MPSP ainda pediu que o vídeo fosse entregue em formato que permitisse o download direto pela Polícia Científica, “sob pena de responsabilização”.

Única diligência pendente

A coluna apurou que a Polícia Civil pediu somente o arquivo da câmera de Weden, compreendendo os dez minutos anteriores e a hora posterior ao disparo. O recorte deveria ser enviado em formato que permitisse o download direto pela Polícia Científica.

Ao acolher o pedido, a Justiça estabeleceu prazo de 15 dias e registrou que a análise das imagens era a única diligência pendente para o interrogatório de Yasmin e a conclusão do inquérito.

Imagens já divulgadas mostram o início da discussão entre o casal e os policiais. Yasmin desembarca da viatura, discute com Thawanna e, pouco depois, efetua o disparo que a atingiu no peito.

Sem o arquivo original e tecnicamente adequado, porém, os peritos não conseguem elaborar o laudo que poderá esclarecer, quadro a quadro, a dinâmica da morte.