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Demétrio Vecchioli

Valadão exigia que igrejas informassem doações como as feitas por Zettel

Pastor disse em comunicado que não tinha controle sobre finanças de sedes após doação de R$ 19 milhões de Zettel à Lagoinha vir a público

19/09/2026 02:00
Reprodução
André Valadão

Documentos obtidos pela coluna mostram que a Lagoinha Global, espécie de holding da Igreja Batista da Lagoinha, exigia ter profundo conhecimento sobre as finanças de cada uma de suas filiais e ficava com 10% de tudo que elas movimentavam. As informações contrastam com o que foi divulgado pelo líder da denominação evangélica, o pastor André Valadão.

Após a revelação de que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, doou R$ 19 milhões para a Lagoinha Belvedere, de Belo Horizonte, onde era pastor, Valadão foi às redes sociais para dizer que não tem controle sobre a contabilidade de cada sede e não tinha conhecimento do volume movimentado por Zettel, que era presidente e pastor da Lagoinha Belvedere.

“A Lagoinha hoje está presente em muitas cidades e países. Cada igreja possui sua própria estrutura jurídica, administrativa e financeira.  Cada unidade tem sua presidência local, sua contabilidade, suas contas, suas receitas, suas despesas, e a responsabilidade pela administração de tudo. A Lagoinha Global não administra contas bancárias das igrejas locais, não movimenta seus recursos, não participa da gestão financeira de cada igreja. Nosso papel é de cobertura ministerial, discipulado, visão e alinhamento espiritual”, afirmou Valadão em postagens com veto a comentários.

Ele também disse no vídeo que Zettel dizia à liderança da Lagoinha Global (o próprio Valadão), que estava fazendo investimentos, reformas e melhorias no prédio da igreja e as obras eram visíveis. “O que não tínhamos conhecimento era das dimensão dos valores e das movimentações que agora aparecem nas investigações em todas as matérias que estão sendo divulgadas“, afirmou. “A Lagoinha Global não recebeu qualquer parte desses recursos feitos nessa obra“, continuou Valadão.

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A declaração contrasta com relatos ouvidos pela coluna, que teve acesso a documentos e comunicações da contabilidade da Lagoinha Global à época. A entidade exigia que cada sede informasse todas as notas fiscais emitidas, do aluguel à compra de material de limpeza, além da íntegra dos extratos e planilhas usados no dia a dia financeiro da igreja.

Cada igreja local – caso da Lagoinha do bairro Belvedere, em Belo Horizonte – devia detalhar o arrecadado em cada culto, distinguindo o que entrava em cartão de crédito, pix e dinheiro, por exemplo. Havia inclusive uma multa para quem deixasse de prestar qualquer informação.

Além disso, a Lagoinha tem como prática ficar com 15% da receita bruta de cada sede. O repasse à convenção Global deve ser feito após cada culto e é calculado a partir de uma “ata de registro”, que tem o nome da igreja, do culto, dia e horário, além da descriminação das receitas. Após o cálculo do “repasse à convenção”, aparece a informação sobre as contas bancárias, no Santander e no Itaú. Tudo deve ser assinado pelo pastor, pelo tesoureiro e pelo diácono.

De acordo com Valadão, depois que surgiram “informações públicas envolvendo o Master”, em novembro do ano passado, Zettel afastado de suas atividades pastorais. Em março, após Vorcaro ser preso, as atividades da Lagoinha Belvedere foram encerradas. “A Lagoinha não compactua com a ilegalidade, não tem interesse em impedir que os fatos sejam esclarecidos”, afirmou no vídeo.

A coluna procurou a Lagoinha Global a partir do e-mail de sua assessoria de comunicação, mas não teve resposta.