Cristiane Nardes, filha de ministro do TCU, é exonerada do GDF

Ato foi publicado nesta sexta, um dia após o governador Ibaneis Rocha criticar com veemência o Tribunal de Contas da União

ReproduçãoReprodução

atualizado 16/08/2019 9:49

Em meio à guerra declarada pelo Governo do DF ao Tribunal de Contas da União (TCU), foi exonerada nesta sexta-feira (16/08/2019) a secretária executiva de Governança e Compliance da Casa Civil do GDF, Cristiane Nardes. Ela é filha do ministro da Corte de Contas Augusto Nardes. Ainda não foi nomeado o substituto para o cargo.

A jornalista de 37 anos entrou nos quadros do GDF em 2016, na gestão passada, como chefe de Planejamento e Gestão Estratégica da Secretaria de Mobilidade. No governo Ibaneis, foi alçada ao status de secretária.

Ao Metrópoles, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse desconhecer a exoneração: “Vou tentar reverter. Ela deve ter ficado desconfortável com toda a situação”.

Nessa quinta-feira (15/08/2019), o emedebista fez críticas ácidas e veementes ao TCU, após decisão do órgão de controle de suspender o pagamento de aposentadorias e pensões das áreas de saúde e educação com recursos do Fundo Constitucional do DF, o que vai impactar em redução de R$ 2,6 bilhões no orçamento do GDF para honrar a folha de pessoal.

“O Tribunal de Contas deveria tomar vergonha na cara e servir para alguma coisa que não seja atrapalhar a vida das pessoas… É um Tribunal que não serve para nada, gasta bilhões e não serve para merda nenhuma”, disparou. “Os ministros daquela Corte, que moram nessa cidade, deviam respeitar a população do Distrito Federal, que precisa de segurança, saúde e educação… A grande maioria morando em imóvel que ganhou da União, não teve coragem nem de comprar um apartamento. Ganham salários astronômicos, com gabinetes enormes. Deviam ter vergonha na cara de decidir contra nossa população”, continuou.

Em nota, o TCU rebateu aos ataques de Ibaneis: “O respeito mútuo sempre fez parte das relações entre o GDF e o TCU. O Tribunal trata com seriedade, transparência e observância à legislação todos os processos que julga. Exerce com zelo o papel de guardião dos recursos públicos, que lhe é atribuído pela Constituição Federal, e tem convicção de que cumpre o seu dever”.

A reportagem tentou contato com Cristiane Nardes, mas ela não atendeu as ligações. A exoneração, segundo consta no Diário Oficial do DF, não teria sido feita a pedido.

Reprodução/DODF

Orelha seca

Em março, conforme noticiou o Metrópoles, Cristiane Nardes causou mal-estar no Palácio do Buriti após fazer um comentário em grupo de WhatsApp que deixou os colegas constrangidos.

Ao expor seus planos políticos (ela escreveu que ia se filiar ao MDB), Cristiane cometeu uma gafe: “E semana que vem darei entrada em minha filiação ao MDB. Sugiro aos colegas orelha seca (os comissionados) a fazerem o mesmo. Ganharemos mais confiança no governo”. Segundo o Dicionário inFormal, orelha seca é um regionalismo popular que se refere ao operário de obra, peão, termo geralmente usado no ambiente de trabalho para descrever quem ganha pouco e trabalha muito.

Alguns subordinados se sentiram ofendidos com o rótulo pejorativo da então secretária e reuniram material para, eventualmente, representar contra Cristiane por assédio moral.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

Últimas notícias