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FGV digitaliza acervo bibliográfico de 9 mulheres que impactaram a história

Ao todo, estão disponíveis ao público mais de 35 mil páginas com documentos de jornalistas, escritoras, poetisas e antropólogas brasileiras

atualizado

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Anna Amélia de Queiroz
1 de 1 Anna Amélia de Queiroz - Foto: Reprodução

O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) digitalizou e disponibilizou ao público arquivos de nove mulheres. O acervo, sob tutela da instituição, reúne documentos pessoais de personalidades femininas que, de diferentes formas, impactaram a história brasileira.

Ao todo, são mais de 35 mil páginas de documentos históricos como cartas, ensaios, pesquisas e fotos de mulheres que participaram de grandes momentos do país.

Com o esforço dos pesquisadores, estão disponíveis os arquivos, até então inéditos, de mulheres como a advogada e escritora Almerinda Farias Gama; a poetisa Anna Amélia de Queiroz (foto em destaque); e a jornalista que teve os direitos políticos cassados pelo AI-5, Niomar Moniz Sodré Bittencourt. Também foram digitalizados documentos sobre a biografia de Yvonne Maggie, Delminda Benvinda Gudolle Aranha, Hermínia de Souza e Silva Collor, Hilda Von Sperling Machado, e Luiza de Freitas Valle Aranha (conheça mais sobre cada uma delas abaixo).

“Nós identificamos a ausência de mulheres nos arquivos digitalizados e percebemos, também, o crescente interesse por esses personagens femininos que participaram da história do país”, explica Carolina Alves, coordenadora do Programa de Arquivos Pessoais da Escola de Ciências Sociais do CPDOC da FGV.

Estão disponíveis para consulta, após a digitalização dos acervos, os arquivos de 199 homens e de 24 mulheres. “Além disso, em muitos casos, os documentos chegaram para nós como arquivos de mães, esposas e filhas de homens importantes. Mas, a partir da análise dos arquivos, foi possível identificar a atuação dessas mulheres muito além da esfera familiar”, conta Daniele Amado coordenadora de Documentação da Escola de Ciências Sociais do CPDOC da FGV.

“Olhando essas mulheres como protagonistas, nós tivemos a chance de reformular suas biografias, que sempre foram atreladas a homens públicos. Não é um problema de documentação, mas da história contemporânea brasileira que sempre limitou a participação das mulheres, mesmo quando elas eram atuantes politicamente”, concluiu.

A partir da documentação, o Núcleo de Audiovisual e Documentário da FGV produziu vídeos sobre algumas das personagens. 

Conheça as mulheres cujos arquivos estão disponíveis para consulta:

Almerinda Farias Gama (1899 – 1992) – Sindicalista, advogada e jornalista, Almerinda Farias Gama integrou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e lutou, junto a outras mulheres, pelo direito ao voto feminino no Brasil. Fundou o Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos do Distrito Federal e foi, como representante do sindicato, a única mulher a votar como delegada na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, em 1933. No ano seguinte, se candidatou para Câmara Federal pela legenda “Decreto do Direito ao Trabalho, Congresso Master”. Almerinda atuou como colaboradora em periódicos paraenses e cariocas, e foi autora de livros como Zumbi (1942) e O dedo de Luciano (1964).

Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 – 1971) – A poetisa Anna Amélia foi colaboradora em diversos jornais do Rio de Janeiro e atuou como diretora no suplemento feminino do Diário de Notícias. Foi presidente da Associação Brasileira de Educação, vice-presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e fundadora da Casa do Estudante do Brasil (1929). Ela foi a primeira mulher a participar do Tribunal Superior Eleitoral, fazendo parte da mesa apuradora das eleições de 1934.

Em 1935, representou oficialmente o Brasil no XII Congresso Internacional de Mulheres em Istambul e em 1942, e acabou escolhida como representante do Brasil na Comissão Internacional de Mulheres, com sede na União Pan-Americana em Washington. Em 1967, foi convidada pelo governo do Estado de Israel para representar a mulher brasileira no Congresso Internacional Feminino pela Paz e Desenvolvimento. Autora do livro Quatro Pedaços do Planeta no Tempo do Zeppelin (1976).

Delminda Benvinda Gudolle Aranha (1894-1969) – presidiu o Comitê de Auxílio às Famílias das Vítimas de Atentados do Eixo, órgão de assistência que atuou em um período particular da história brasileira e mundial e reúne registros sobre o atentado, estopim para a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Delminda casou-se com o diplomata Oswaldo Aranha e participou dos preparativos da Revolução de 1930, codificando as resoluções tomadas durante as reuniões realizadas no Rio Grande do Sul e decifrando os telegramas recebidos.

Hermínia de Souza e Silva Collor (1895 – 1971) – chefiou a Ala Feminina do Partido Republicano Castilhista e ocupou a presidência do 1º Posto de Assistência Social da União Democrática Nacional (UDN). Participou junto à Legião da Mulher Brasileira de ações voltadas para a proteção, alfabetização e instrução das mulheres. Hermínia foi casada com o ex-ministro Lindolfo Collor. Ambos são avôs do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello.

Hilda Von Sperling Machado – A embaixatriz foi casada com o político mineiro Cristiano Machado e atuou em grupos da sociedade civil em prol dos menos favorecidos.

Luiza de Freitas Valle Aranha (1872-1948) – Foi proprietária da estância Alto Uruguai em Itaqui, RS. Teve nove filhos, entre eles o ministro e diplomata Oswaldo Aranha. Atuou em projetos comunitários que promoviam ações contra a desigualdade social e em favor do direito à saúde.

Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916 – 2003) – Jornalista e dona do jornal Correio da Manhã. Colaborou com diversos periódicos revistas. Integrou a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Conselho Deliberativo do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, instituição que ajudou a fundar em 1948. Enquadrada na Lei de Segurança Nacional pelo Superior Tribunal Militar em 20 de novembro de 1969, teve os direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5). Foi presa junto de outros jornalistas e absolvida no ano seguinte.

Rosalina Coelho Lisbôa de Larragoiti (1900 -1975). Jornalista, diretora do Diários Associados. Foi representante da Paraíba no Congresso Feminino Internacional (1930) e Delegada do Brasil na Assembleia Geral da ONU, em 1951. Integrou o Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (1954). Autora de diversos livros, entre os quais, Rito pagão (1922) e A seara de Caim (1952).

Yvonne Maggie de Leers Costa Ribeiro (1944) – Antropóloga e professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi coordenadora do Laboratório de Pesquisa Social do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ) entre 1988 e 1992 e diretora do IFCS, de 1994 a 1997. Autora dos livros Guerra de Orixá: um Estudo de Ritual e Conflito (1975) e Medo do Feitiço: Relações Entre Magia e Poder no Brasil (1992), respectivamente, sua dissertação de mestrado e tese de doutorado.

 

É possível acessar todo o acervo digitalizado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) clicando aqui.

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