Veja onde fica única província do mundo que conseguiu exterminar ratos

Província é a única habitada por humanos no planeta que não convive com ratos. Controle combina lei rígida, clima e vigilância constante

atualizado

metropoles.com

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Carla Sena / Arte Metropoles
Extermínio de ratos em Alberta, no Canadá- Metrópoles
1 de 1 Extermínio de ratos em Alberta, no Canadá- Metrópoles - Foto: Carla Sena / Arte Metropoles

Imagine viver em uma grande região urbana sem precisar lidar com ratos em bueiros, lixeiras, restaurantes ou estações de metrô. Enquanto cidades como Nova York, Paris e São Paulo travam batalhas constantes contra infestações, uma província canadense conseguiu se transformar em uma das únicas áreas habitadas do mundo praticamente livres desses animais.

Localizada no oeste do Canadá, Alberta se tornou famosa por manter um rigoroso sistema de controle que impede a proliferação de ratos há décadas. O modelo combina vigilância intensa, leis específicas, denúncias feitas pela população e ações rápidas de extermínio. O resultado chamou atenção internacional e transformou a região em referência quando o assunto é controle urbano de pragas.

Vigilância, clima e uma “patrulha anti-ratos”

A antropóloga Darcie DeAngelo, professora da Universidade de Alberta, no Canadá, explica que o sucesso da província começou antes mesmo de os ratos conseguirem se estabelecer na região. Ela conta que Alberta percebeu o avanço dos roedores vindos de áreas vizinhas ainda no século passado e, para evitar infestações, criou uma legislação específica.

“A cidade conseguiu agir antes que os ratos criassem populações permanentes. Isso tornou Alberta a única província entre áreas habitadas por humanos no mundo a não ter essas infestações”, afirma a pesquisadora.

Imagem mostra o site de Alberta com canal para denúncias - Metrópoles

Além das políticas públicas, a geografia também ajudou. “As montanhas no oeste e o frio intenso dificultam a sobrevivência e a expansão dos ratos”, explica antropóloga. “Eles geralmente só conseguem avançar quando pegam carona em veículos quentes até as cidades”, completa.

Darcie relata que cerca de 80% dos relatos recebidos atualmente são alarmes falsos. Muitas pessoas confundem ratos com outros animais, como ratos-almiscarados ou gambás.

Os riscos invisíveis dos ratos nas cidades

Embora os roedores façam parte da rotina urbana em boa parte do mundo, os impactos vão muito além do desconforto visual. A professora Rafaella Albuquerque e Silva, do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (Ceub), afirma que os ratos urbanos são considerados animais sinantrópicos, ou seja, capazes de sobreviver e se adaptar facilmente a ambientes modificados pelos humanos.

“Mais do que uma questão ecológica, o aumento dos roedores em áreas urbanas ocasiona prejuízos à saúde da população”, alerta a veterinária.

Rafaella destaca que os animais podem transmitir doenças causadas por bactérias e outros agentes infecciosos, como leptospirose, salmonelose e toxoplasmose. Além disso, provocam perdas econômicas ao contaminar alimentos e competir com outras espécies em áreas rurais.

Darcie acrescenta que os ratos também representam preocupação crescente para a saúde pública global. “Ratos e humanos compartilham diversos patógenos, criando oportunidades para mutações perigosas entre espécies”, afirma. A pesquisadora cita estudos realizados em Nova York que identificaram ratos infectados pela Covid-19 no metrô da cidade.

Outro detalhe chama atenção dos cientistas: exterminar colônias sem estratégia pode piorar o problema. Quando uma colônia contaminada é destruída, alguns ratos escapam e espalham doenças para outras áreas.

Inteligentes, resistentes e quase impossíveis de eliminar

Os ratos urbanos também impressionam pela inteligência e capacidade de sobrevivência. Os roedores vivem em comunidade, possuem comportamento desconfiado e aprendem rapidamente a evitar ameaças.

“Eles possuem neofobia, que é o medo do novo. Normalmente, os roedores mais velhos testam primeiro um alimento e, se nada acontecer, os demais passam a consumi-lo”, afirma Rafaella.

Essa característica ajuda a explicar por que o controle é tão difícil em cidades já infestadas. Além disso, os animais conseguem passar por pequenas frestas, se esconder facilmente e se adaptar a praticamente qualquer ambiente urbano.

O modelo canadense dificilmente seria replicado em grandes cidades do mundo, explica Darcie. “Primeiro seria necessário exterminar completamente os ratos, algo quase impossível, para só então criar um sistema preventivo como o de Alberta”, diz.

Especialistas reforçam que medidas simples ajudam a evitar infestações: não deixar lixo exposto, impedir acúmulo de resíduos, fechar ralos e vedar frestas são alguns deles. Em um planeta onde os ratos já dominam praticamente todas as grandes cidades, Alberta continua sendo uma exceção rara e, talvez, única.

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