Ratos em casa? Veja como repelir os roedores sem usar venenos

Medidas mecânicas e o uso de repelentes naturais ajudam a afastar os bichos com segurança, evitando acidentes com pets e crianças

atualizado

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1 de 1 rato-3 - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A presença de ratos no ambiente doméstico é uma preocupação frequente que vai além do incômodo visual, fato que tem assustado moradores da SQS 313, na Asa Sul (DF), onde roedores foram flagrados invadindo apartamentos nos blocos A, C e G — chegando a roer alimentos como batata-doce —, além de relatos semelhantes nas quadras 315 e 316 da Asa Norte. Por viverem em locais contaminados, como esgotos, esses roedores são transmissores em potencial de doenças graves, como leptospirose, hantavirose e salmonelose.

Embora o uso de venenos seja uma alternativa comum, especialistas alertam que o produto químico deve ser tratado como última instância. É possível solucionar o problema de forma segura utilizando barreiras físicas e soluções naturais para afastar os animais de perto de crianças e pets.

Entenda

  • Bloqueio de acessos: impedir a entrada física dos roedores mantendo portas bem vedadas (sem aberturas embaixo) e tampas de caixas de esgoto e de águas pluviais sempre fechadas, medida essencial para evitar que os ratos subam para as áreas residenciais e blocos do DF.

  • Eliminação de fontes de sobrevivência: cortar o acesso do bicho a alimentos e água (vazamentos e caixas d’água abertas). No contexto dos apartamentos invadidos, isso inclui não deixar alimentos expostos nas cozinhas (como as batatas roídas relatadas pelos moradores), recolher a ração de pets e manter o lixo mal acondicionado bem protegido.

  • Fim dos abrigos: evitar o acúmulo de entulhos e tralhas em locais de pouca circulação, como as garagens, subsolos e depósitos dos blocos das superquadras, locais preferidos pelas fêmeas para criar ninhos.

  • Uso de repelentes naturais: utilizar substâncias de odor forte, como vinagre, pimenta e óleo essencial de eucalipto em algodão, para incomodar o olfato apurado dos ratos e afugentá-los de forma segura, sem a necessidade de espalhar venenos químicos perigosos pelos apartamentos afetados.

O perigo da reprodução rápida

De acordo com o biólogo Fabiano Soares, a velocidade de reprodução dos roedores é um dos fatores que torna o controle urgente. “A população cresce muito rápido porque eles têm ninhadas aproximadamente a cada três meses. Se você não faz um controle e não impede que eles se multipliquem, rapidamente vira uma infestação”, alerta o especialista em entrevista ao Metrópoles, citando cenários críticos que ocorrem em lavouras e em países como os Estados Unidos, onde os ratos encontram poucos predadores e vivem escondidos.

A primeira linha de defesa deve ser sempre a prevenção baseada no comportamento do animal. Os ratos entram nas residências motivados por três necessidades básicas: abrigo, água e alimento. Uma vez que encontram e aprendem o caminho, passam a frequentar o local com regularidade.

Deixar lixo exposto, acumular objetos ou até ignorar frestas na parede: estes são alguns dos hábitos comuns dentro de casa que podem estar facilitando a entrada de ratos

Cuidados com lixo e ração de pets

Para evitar o interesse dos roedores, os cuidados com a limpeza e o armazenamento de comida precisam ser rigorosos. Alimentos humanos, como frutos, devem ser guardados em armários seguros. No quintal ou dentro de casa, as vasilhas de comida e água de cachorros e gatos não devem ficar expostas o tempo todo.

Outro fator crítico é o lixo. Quando entra em processo de fermentação, o lixo produz um odor forte que atrai os ratos, que possuem um olfato muito aguçado. Manter a área dos resíduos limpa e as lixeiras bem fechadas é indispensável.

Alternativas mecânicas e naturais

Antes de recorrer aos venenos, que exigem aparatos de segurança para não causar acidentes com crianças e outros animais, o biólogo recomenda que o morador pode adotar soluções mecânicas e táticas naturais. Se o rato já estiver circulando pela casa, armadilhas adesivas podem ser instaladas em locais seguros para a captura.

No campo dos repelentes olfativos, o vinagre e o óleo essencial de hortelã-pimenta espantam os bichos devido ao cheiro. A salsa picante e a pimenta também funcionam por conterem capsaicina, um composto químico que irrita as mucosas dos roedores, fazendo com que evitem o local.

Imagem colorida mostra ratos na rua - Metrópoles
Muitas pessoas acreditam que para resolver o problema basta encontrar as soluções certas, mas, na verdade, o cuidado deve ser preventivo

Plantas ajudam? Veja o papel do eucaliptol

Muito comum no combate a insetos, o eucaliptol — substância presente no óleo essencial de eucalipto — também atua como um aliado estratégico contra os ratos. “Não existe nenhum estudo científico reportando esse efeito repelente para roedores. Mas, como é um óleo que tem um efeito forte, ele de fato pode incomodar o sistema olfativo dos roedores”, explica o biólogo Fabiano Soares. Ao sentirem o aroma forte, os ratos têm dificuldade para detectar outros odores e evitam se alojar ali.

O biólogo destaca que a aplicação em borrifadores tem efeito temporário e menos significativo. A maneira mais eficiente de usar o produto é embeber bolinhas de algodão no óleo essencial e colocá-las nos cantos e pontos de entrada da casa, pois o algodão retém o líquido e libera o cheiro aos poucos.

foto colorida de rato
A presença de ratos aumenta no período de chuvas

Soares aponta ainda que é possível associar o odor a um estímulo aversivo para potencializar o aprendizado do animal: “Ele vai sentir o cheiro do eucaliptol e logo vai ser submetido a alguma situação estressante, uma ratoeira por exemplo. Mesmo que ele não caia, só de saber que naquele lugar tem o odor e a ratoeira, ele vai associar o cheiro com a situação aversiva e provavelmente não volta mais”. O especialista lembra, contudo, que os óleos essenciais funcionam como um auxílio e não terão efeito isolado caso o ambiente já esteja enfrentando uma infestação consolidada.

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