Anestésico é achado em tesoura de 600 anos usada na medicina da China
A tesoura, descoberta em 1974, foi enterrada junto do médico Xia Quan, que atuou no início da Dinastia Ming e morreu em 1411 d.C.
atualizado
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Na maioria dos procedimentos médicos atuais, é comum utilizar a anestesia para que o paciente não sinta dor. E pelo que parece, essa técnica já vem de muitos anos, conforme um análise que revelou uma tesoura cirúrgica usada na China há cerca de 600 anos, a qual continha continha fragmentos de substâncias anestésicas. A descoberta evidencia a grande capacidade da medicina chinesa desde muito tempo antes.
Originalmente encontrada em 1974 no condado chinês Jiangyin, a tesoura foi enterrada junto do médico Xia Quan, um profissional atuante no início da Dinastia Ming e falecido em 1411 d.C.. Mesmo assim, a investigação sobre os detalhes da peça só ocorreu mais de 50 anos depois, quando foi revelada a presença da anestesia.
A análise liderada pelo pesquisador Congcang Zhao da Universidade do Noroeste, na China, foi publicada na revista Antiquity no final de maio.
Laser revela anestesia na tesoura cirúrgica
Visando analisar a peça sem danificá-la, os pesquisadores utilizaram uma uma moderna técnica óptica a laser, capaz de identificar com precisão a composição e mapear a distribuição dos componentes. Segundo os resultados, foram achados compostos utilizados para diminuir a dor em cirurgias localizados em nas áreas de corte e preensão da tesoura.
Ao investigar as amostras, descobriu-se que se tratavam de vestígios de aconitina, um alcaloide extraído da planta chinesa acônito (Aconitum). Como se trata de um exemplar tóxico, à época, os médicos processavam ele para diminuir a toxicidade e utilizar nos procedimentos cirúgicos na pele.
“Esta é a primeira vez que a humanidade encontra evidências químicas diretas de anestésicos em instrumentos cirúrgicos antigos, provando que nossos ancestrais já sabiam como aliviar a dor dos pacientes com segurança usando ervas altamente tóxicas”, afirma Zhao em comunicado.
Ainda segundo o estudo, o achado prova que os profissionais de saúde da Dinastia Ming não tinham somente habilidades para produzir anestésicos, mas também possuíam conhecimentos médicos e técnicas operatórias avançadas ainda no século 14.