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Mordida venenosa e reprodução sem macho: conheça o dragão-de-komodo

Espécie de lagarto encontrada na Indonésia se destaca pela força, veneno, digestão eficiente e adaptações ao clima quente das ilhas

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Foto colorida de dragão-de-komodo, o maior lagarto do mundo - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de dragão-de-komodo, o maior lagarto do mundo - Metrópoles - Foto: Getty Images

O dragão-de-komodo (Varanus komodoensis) é o maior lagarto do mundo e vive em três ilhas da Indonésia: Komodo, Rinca e Flores. A espécie pode atingir até três metros de comprimento e pesar cerca de 90 quilos.

O animal ocupa o topo da cadeia alimentar nessas ilhas e exerce papel importante no equilíbrio ecológico local, controlando populações de presas menores e mantendo o funcionamento do ecossistema.

Anatomia e alimentação do dragão-de-komodo

O dragão-de-komodo possui corpo e dentes adaptados para a caça. Por isso, seus músculos mandibulares são fortes e os dentes serrilhados, parecidos com os do tubarão. Isso permite rasgar a carne das presas com facilidade.

Além disso, o pescoço e o crânio trabalham em conjunto para tracionar a presa, enquanto a cauda musculosa ajuda na defesa e a manter a vítima imobilizada. O ataque, por sua vez, não depende apenas da força física.

O lagarto usa um veneno produzido nas glândulas da mandíbula inferior. Ele age de forma combinada para enfraquecer a presa e facilitar a captura:

  • Impede a coagulação do sangue: faz com que ferimentos continuem sangrando e dificulta a recuperação da presa.
  • Reduz a pressão arterial: diminui a força e a coordenação do animal, deixando-o mais vulnerável.

Antes, acreditava-se que as bactérias da saliva eram responsáveis pelas infecções, mas estudos recentes indicam que o veneno é o principal mecanismo da caça. Além disso, a médica veterinária Elixandra Manoela, do Rio de Janeiro, explica que o sistema digestivo do lagarto é altamente eficiente, sendo forte e organizado.

“O pH do estômago dele é bem baixo, o tornando extremamente ácido e fazendo com que o órgão consiga dissolver ossos, pêlos e até cascos. Além disso, o estômago é elástico, podendo consumir grandes quantidades de uma vez. As partes que não dá pra digerir, ele regurgita envolto de muco”, detalha.

Adaptação ao ambiente e comportamento

Como todos os répteis, o dragão-de-komodo é ectotérmico, ou seja, depende da temperatura do ambiente para regular o próprio corpo. Durante a manhã, ele se aquece ao sol para ativar o metabolismo e, nas horas mais quentes do dia, busca abrigo em tocas ou áreas sombreadas.

O gigantismo da espécie é explicado pelo isolamento geográfico e pela ausência de predadores nas ilhas onde vive. Sem ameaças naturais e com ancestrais de grande porte, o lagarto evoluiu para atingir dimensões superiores às de outros lagartos.

Foto colorida de dragão-de-komodo, o maior lagarto do mundo - Metrópoles
Dragões-de-komodo utilizam tocas e sombras para regular a temperatura corporal

Reprodução e conservação

Além da estratégia de caça e das adaptações físicas, o lagarto possui estratégias reprodutivas que ajudam a manter a espécie em ilhas isoladas. Ele é capaz de realizar partenogênese, um tipo de reprodução assexuada em que apenas o gameta feminino é necessário.

“Isso garante que mesmo com a ausência de macho, a espécie consiga se reproduzir, ainda que com uma baixa variedade genética”, explica Stéphanie Cardim, bióloga que também atende no Rio de Janeiro.

Outro fator importante é que a espécie enfrenta riscos ambientais como o aumento da temperatura global, a elevação do nível do mar e a perda de habitat causada pela ocupação humana e pelo turismo desordenado.

Para protegê-los, foi criado em 1980 o Parque Nacional de Komodo, que abriga a maior parte da população atual. Em cativeiro, o manejo desses animais exige recintos amplos, com temperatura controlada e elementos naturais.

A alimentação precisa ser equilibrada, e o ambiente deve ser enriquecido para reduzir o estresse e estimular o comportamento natural do animal. A observação por profissionais especializados também é essencial para identificar sinais de doenças metabólicas, parasitoses ou infecções.

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