Maior deserto do mundo não é coberto de areia e, sim, de gelo. Entenda

Apesar de ser passar a imagem que é um lugar úmido e com precipitação por ter gelo, maior deserto do mundo é extremamente seco

atualizado

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Jason Edwards / Getty Images
Montanhas cobertas por gelo na Antártica - Metrópoles
1 de 1 Montanhas cobertas por gelo na Antártica - Metrópoles - Foto: Jason Edwards / Getty Images

Quando pensamos em um deserto, logo vem à mente a cena de um lugar muito quente, seco e, principalmente, com muito sol. Mas o que pode te surpreender é que essa percepção não está totalmente certa. A Antártica também é considerada um deserto – e, para a surpresa dos desavisados, é a maior área desértica do mundo, superando o Saara. 

A associação errônea está ligada a um erro comum: em termos geográficos, um deserto não é definido pela temperatura e sim pelo déficit de precipitação, umidade e nutrientes no solo – a Antártica se encaixa perfeitamente em todos os pré-requisitos.

“Tecnicamente, a Antártida é o maior e mais seco deserto do mundo. O gelo que você vê lá é um acúmulo milenar. Ele está ‘estocado’. A reposição de água nova vinda do céu é quase nula e vem em boa parte do interior do continente. Por isso, apesar de ter estoque hídrico, não necessariamente isso produz umidade e, consequentemente, precipitações (chuvas)”, explica o professor de geografia Flávio Bueno, do Colégio Sigma, em Brasília.

O glaciologista Jefferson Simões, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), explica que o gelo milenar atinge quantidades absurdas por não evaporar. “O gelo pode atingir espessuras enormes, chegando a mais de quatro quilômetros, e em alguns lugares quase cinco quilômetros”, diz.

Segundo Bueno, há três motivos geográficos e climáticos principais para explicar a falta de chuva na Antártica:

  • Altas pressões polares: como o ar frio da região é denso, ele desce e cria uma zona de alta pressão. Como consequência, a subida da umidade fica dificultada e faz com que a formação de nuvens de chuva fique menor.
  • Temperaturas extremamente baixas: quando o ar está muito frio, ele não tem capacidade de reter vapor de água. “É a física da saturação: se não tem vapor, não tem condensação”, explica o professor.
  • Ventos catabáticos: os ventos em específicos são correntes de ar frias e densas que descem do planalto central para o litoral. Assim, a umidade que tenta entrar no continente gelado é “expulsa”.
Imagem colorida mostra geleira na Antártica - Metrópoles
Apesar de não parecer, a Antártica é um ambiente extremamente seco

Mudanças climáticas podem alterar o funcionamento do deserto polar

O aumento da temperatura global traz duas consequências principais ao continente gelado: ao mesmo tempo que o aumento de calor na atmosfera antártica faz as chances de precipitação se elevarem, ele também provoca um maior degelo na costa, causando um desprendimento maior de icebergs. 

“O que importa é o balanço entre o que se acumula no interior (local onde chove na Antártica) e o que se perde na costa. Atualmente, tudo indica que o derretimento nas bordas está superando o acúmulo de neve”, alerta o glaciologista.

Considerada o “ar-condicionado” do mundo, uma das maiores preocupações dos especialistas é o que a ação das mudanças climáticas podem causar na Antártica – mesmo que estejamos longe, qualquer alteração por lá é sentida em todo o globo.

“É importante que a gente entenda a Antártida não como um lugar isolado. Ela é fundamental na garantia de médias térmicas anuais reguladas e pertinentes para a manutenção da vida no planeta. O que acontece lá dita o ritmo das correntes marítimas e do nível dos oceanos”, avalia Bueno.

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