Geleiras perderam 408 bilhões de toneladas de gelo em 2025. Entenda
Estudo revela que degelo global acelera, eleva oceanos e já coloca o planeta em rota de mudanças permanentes
atualizado
Compartilhar notícia

As geleiras do mundo registraram uma das maiores perdas já observadas: cerca de 408 bilhões de toneladas de gelo desapareceram apenas em 2025, segundo estudo publicado na revista científica Nature Reviews Earth & Environment. O volume é considerado extremo e coloca o ano entre os piores já registrados desde o início das medições, em 1975.
Para o professor de Geografia João Carvalho, do colégio Galois, de Brasília, esse dado ajuda a dimensionar a gravidade do fenômeno. “O aumento do nível do mar é o impacto mais imediato quando pensamos no derretimento das geleiras”, explica. Segundo o estudo, só em 2025 o degelo contribuiu com cerca de 1,1 milímetro na elevação global dos oceanos.
Oceanos sob pressão e risco para territórios
O problema, no entanto, vai além da quantidade de gelo perdida. O despejo massivo de água doce nos oceanos altera a salinidade e pode interferir nas correntes marítimas, sistemas essenciais para o equilíbrio climático global. João destaca que isso pode afetar diretamente regiões costeiras e países insulares. “Territórios próximos ao nível do mar podem perder áreas para o avanço dos oceanos”, afirma.
O estudo mostra, ainda, que todas as principais regiões glaciais do planeta registraram perda de massa pelo quarto ano consecutivo, reforçando que o fenômeno não é isolado, mas parte de uma tendência contínua e acelerada.
Clima mais extremo e efeito global
As geleiras também exercem papel fundamental na regulação da temperatura da Terra. Conforme explica o também professor de Geografia Marcos Bau, da Maple Bear Brasília, o gelo funciona como um espelho natural, refletindo a radiação solar. “Quando há derretimento acelerado, essa capacidade diminui, o que intensifica o aquecimento global”, diz.
Esse processo impacta diretamente o clima. Mudanças nas correntes oceânicas e na atmosfera aumentam a frequência de eventos extremos, como chuvas intensas, secas prolongadas e ondas de calor, efeitos que já começaram a ser sentidos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.
Cenário aponta para mudanças irreversíveis
Os dados do estudo da Nature indicam que o ritmo atual de perda das geleiras está muito acima do registrado no século passado. Nas últimas décadas, a taxa anual de degelo quase quadruplicou, evidenciando a aceleração do aquecimento global.
Para Bau, o cenário já é preocupante do ponto de vista da reversibilidade. “Mesmo que o aquecimento seja controlado, parte dessas perdas já está comprometida. Estamos diante de mudanças que devem durar gerações”, afirma.
O avanço do degelo em 2025, portanto, não é apenas mais um dado científico, é um sinal claro de que o planeta já entrou em uma fase de transformação climática profunda, com impactos diretos no nível do mar, no clima e na disponibilidade de água doce no futuro.
