Como seria a Antártida sem todo o gelo? Entenda o que mudaria na Terra. Veja vídeo
A Antártida concentra 70% da água doce da Terra. O derretimento das geleiras pode alterar o nível do mar e o equilíbrio dos oceanos
atualizado
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A Antártida é o continente mais frio e isolado do mundo, mas também o mais importante para o equilíbrio do planeta. De baixo das camadas de gelo que chegam a 4 quilômetros de espessura, existem inúmeras montanhas, vales e vulcões adormecidos.
Nos últimos anos, o aumento das temperaturas globais têm acelerado o derretimento de parte dessas geleiras, principalmente na Península Antártica. Mesmo que o desaparecimento total do gelo ainda não esteja perto, os cientistas usam projeções para entender o que mudaria se isso acontecesse.
Como seria a Antártida sem o gelo
Sem a camada de gelo, o continente mostraria um solo irregular, formado por rochas, montanhas e vales. A paisagem seria árida, parecida com a de um deserto frio. Ainda assim, para que a região pudesse abrigar algum tipo de vegetação, seria necessário ter condições muito diferentes das atuais, como temperaturas mais altas e umidade suficiente.
Por que o gelo da Antártida é tão importante
A oceanógrafa Raquel Avelina, pesquisadora apoiada pelo Instituto Serrapilheira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), explica que o gelo da Antártida é uma espécie de arquivo natural, formado por várias eras geológicas.
“O gelo da Antártida guarda informações valiosas sobre o clima do planeta. Ao analisar as camadas congeladas, é possível identificar variações de temperatura e composição atmosférica que ajudam a compreender o passado e prever o futuro climático da Terra”, explica Raquel.
Além disso, a presença dessas geleiras tem influência na dinâmica dos oceanos e contribui para manter o equilíbrio climático global. Mesmo que esteja longe, o continente exerce funções nas condições de vida em outras regiões da Terra.
Consequências do derretimento das geleiras
O derretimento das geleiras da Antártida causa efeitos que impactam não apenas o continente, mas todo o planeta. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles listaram as três principais consequências do fenômeno.
- Elevação do nível do mar.
- Alterações na salinidade e nas correntes oceânicas.
- Oceanos mais ácidos e desequilíbrio químico.
O primeiro impacto é a elevação do nível do mar. Isso acontece porque à medida que grandes quantidades de gelo derretem, o volume de água doce que chega aos oceanos aumenta e faz o nível global subir de forma gradual.
Hoje, estima-se que a Antártida seja responsável por quase metade da elevação anual dos níveis dos oceanos registrada. Caso o processo continue no mesmo ritmo, o mar pode subir até 70 centímetros até o fim do século, colocando em risco cidades costeiras e comunidades inteiras.
Outro efeito importante está relacionado às mudanças na salinidade e nas correntes oceânicas. À medida que o gelo derrete, o excesso de água doce muda a densidade das águas e, consequentemente, interfere nas correntes termohalinas, responsáveis por distribuir calor e nutrientes pelo planeta.
Com isso, o sistema fica desequilibrado, e o resultado pode ser sentido em várias partes da Terra. Regiões tropicais e polares passam a registrar mudanças mais fortes de temperatura e alterações nos padrões do clima.
O glaciologista Jefferson Simões, membro da Academia Brasileira de Ciências, explica que os efeitos do degelo alteram também a composição química dos oceanos, interferindo de forma direta no equilíbrio dos ecossistemas.
“O gelo antártico tem influência direta sobre os oceanos do planeta. Quando ele derrete, não é apenas o nível do mar que muda. A química da água também se transforma, alterando o equilíbrio dos ecossistemas marinhos e a capacidade do oceano de absorver CO₂”, afirma Simões.
Além disso, o derretimento também contribui para a acidificação dos oceanos, especialmente nas águas frias que cercam a Antártida. O aumento da absorção de dióxido de carbono torna o ambiente mais ácido e ameaça organismos como o fitoplâncton, que ajudam na captura de carbono e sustentam a base da cadeia alimentar marinha.
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