James Webb pode ter identificado a supernova mais antiga do universo

Explosão estelar detectada pelo telescópio teria ocorrido quando o universo tinha apenas 730 milhões de anos

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Reprodução / NASA, ESA, CSA, STScI, A. Levan (IMAPP), Image Processing: A. Pagan (STScI))
Foto com máximo zoom de supernova captada pelo telescópio James Webb - Metrópoles.
1 de 1 Foto com máximo zoom de supernova captada pelo telescópio James Webb - Metrópoles. - Foto: Reprodução / NASA, ESA, CSA, STScI, A. Levan (IMAPP), Image Processing: A. Pagan (STScI))

O universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos, mas observar objetos muito distantes permite aos cientistas enxergar como ele era no passado. Isso acontece porque a luz leva bilhões de anos para viajar pelo espaço até chegar à Terra.

Agora, um grupo de pesquisadores da Nasa afirma que o telescópio espacial James Webb (JWST) pode ter detectado a supernova mais antiga já observada, que teria explodido quando o universo tinha apenas 730 milhões de anos, o equivalente a cerca de 5% da idade atual do cosmos.

A possível supernova foi identificada a partir da observação de um evento de raios gama chamado GRB 250314A, detectado em 14 de março de 2025. Explosões de raios gama são fenômenos extremamente energéticos, geralmente associados à morte de estrelas muito grandes. Elas funcionam como um alerta para os astrônomos, indicando que algo extraordinário aconteceu em uma região distante do universo.

Após o alerta inicial, telescópios em solo e no espaço passaram a observar o local do evento. Com esses dados, os cientistas conseguiram calcular a distância da explosão e concluíram que ela ocorreu em uma época muito remota da história cósmica. Em seguida, o James Webb foi apontado para a região, permitindo que os pesquisadores observassem, em infravermelho, a luz residual da supernova e a galáxia onde a estrela existia.

Uma explosão no universo ainda muito jovem

Segundo o estudo publicado dia 9 de dezembro na revista Astronomy & Astrophysics, a análise indica que a estrela explodiu quando o universo ainda estava em sua fase inicial, conhecida como Era da Reionização. Esse foi um período em que as primeiras estrelas e galáxias começaram a se formar e a iluminar o espaço, que antes era escuro e cheio de gás neutro.

O mais surpreendente é que, apesar de ter ocorrido tão cedo na história do universo, a supernova apresenta características parecidas com explosões estelares observadas em épocas mais recentes. Isso sugere que estrelas massivas já se formavam e morriam de forma semelhante às atuais, mesmo quando o universo ainda tinha poucos elementos químicos pesados.

Por que essa descoberta é importante

Se confirmada, essa será a supernova mais distante e antiga já registrada, superando observações anteriores feitas quando o universo tinha mais de 1,8 bilhão de anos. O achado ajuda os cientistas a entender melhor como surgiram as primeiras estrelas, como elas evoluíram e como contribuíram para a formação das galáxias que existem hoje.

Além disso, a descoberta mostra o potencial do James Webb para estudar eventos individuais extremamente distantes — algo que não era possível com telescópios anteriores. Observar uma supernova tão antiga significa acessar informações diretas sobre os primeiros ciclos de vida e morte das estrelas no universo.

Os pesquisadores destacam que esta é apenas uma das muitas descobertas esperadas com o James Webb. Novas observações devem ajudar a confirmar a natureza da explosão e a encontrar outras supernovas ainda mais antigas, ampliando o conhecimento sobre os primeiros capítulos da história do universo.

Ao possivelmente registrar uma supernova que explodiu há cerca de 13 bilhões de anos, o telescópio James Webb oferece uma oportunidade única de compreender como o universo começou a se transformar no ambiente complexo e cheio de estrelas que conhecemos hoje.

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