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Ciência

Assinatura de gênio matemático maia é identificada pela primeira vez

A descoberta foi feita em sítio arqueológico na Guatemala e traz fórmulas inéditas do movimento de Vênus, Marte e outros corpos celestes

14/07/2026 13:10, atualizado 14/07/2026 13:13
Divulgação/Rossi et al., Antiquity, 2026
Imagem sobre descoberta de gênio maia - Metrópoles

Pesquisadores encontram, pela primeira vez, indícios de um matemático e astrônomo maia, Sak Tahn Waax (cuja tradução é algo como “Raposa de Peito Branco”), que deixou sua microassinatura nas paredes de uma caverna no período Clássico Maia, cerca de 250 a 900 d.C. — época considerada o período de ouro da civilização, há quase 1200 anos.

A descoberta foi publicada nesta terça-feira (14/7) na revista científica Antiquity e põe fim ao anonimato dos responsáveis por cálculos astronômicos e calendários até então, já que somente assinaturas de artistas e escultores maias eram conhecidas.

“Embora as assinaturas de artistas e escultores em vasos de cerâmica pintados e monumentos esculpidos tenham sido identificadas, os estudiosos por trás da cronometragem computacional permaneceram anônimos”, ressaltou o arqueólogo Franco Rossi, do MIT, em comunicado.

Mais de 50 microtextos com pequenas inscrições contendo fórmulas, datas e cálculos foram encontrados nas paredes de um sítio arqueológico localizado em Xultun, na Guatemala.

Além disso, Sak Tahn Waax deixou registrada uma fórmula matemática inédita, que traçava o movimento de Vênus, Marte e outros corpos celestes conectados ao ano solar e ao calendário de 260 dias, algo incomum para a época.

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O especialista em estudos maias David Stuart, da Universidade do Texas em Austin, destacou em comunicado que “a matemática envolve sua compreensão única das conexões e padrões entre vários ciclos de tempo, incluindo a contagem ritual de 260 dias, o ano solar, bem como os ciclos de Vênus e Marte”.

Para confirmar o achado, os arqueólogos compararam as inscrições nas paredes com esboços de obras de arte ou versões preliminares de manuscritos famosos.

A descoberta representa para a comunidade científica a possibilidade de reconstruir a vida da sociedade Clássica Maia partindo de seus próprios registros, o que pode diminuir a dependência de relatos espanhóis e etno-histórias escritas séculos depois. Além disso, o achado coloca a ciência indígena das Américas em evidência, equiparando-a às do Velho Mundo.