Assinatura de gênio matemático maia é identificada pela primeira vez
A descoberta foi feita em sítio arqueológico na Guatemala e traz fórmulas inéditas do movimento de Vênus, Marte e outros corpos celestes

Pesquisadores encontram, pela primeira vez, indícios de um matemático e astrônomo maia, Sak Tahn Waax (cuja tradução é algo como “Raposa de Peito Branco”), que deixou sua microassinatura nas paredes de uma caverna no período Clássico Maia, cerca de 250 a 900 d.C. — época considerada o período de ouro da civilização, há quase 1200 anos.
A descoberta foi publicada nesta terça-feira (14/7) na revista científica Antiquity e põe fim ao anonimato dos responsáveis por cálculos astronômicos e calendários até então, já que somente assinaturas de artistas e escultores maias eram conhecidas.
“Embora as assinaturas de artistas e escultores em vasos de cerâmica pintados e monumentos esculpidos tenham sido identificadas, os estudiosos por trás da cronometragem computacional permaneceram anônimos”, ressaltou o arqueólogo Franco Rossi, do MIT, em comunicado.
Mais de 50 microtextos com pequenas inscrições contendo fórmulas, datas e cálculos foram encontrados nas paredes de um sítio arqueológico localizado em Xultun, na Guatemala.
Além disso, Sak Tahn Waax deixou registrada uma fórmula matemática inédita, que traçava o movimento de Vênus, Marte e outros corpos celestes conectados ao ano solar e ao calendário de 260 dias, algo incomum para a época.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO especialista em estudos maias David Stuart, da Universidade do Texas em Austin, destacou em comunicado que “a matemática envolve sua compreensão única das conexões e padrões entre vários ciclos de tempo, incluindo a contagem ritual de 260 dias, o ano solar, bem como os ciclos de Vênus e Marte”.
Para confirmar o achado, os arqueólogos compararam as inscrições nas paredes com esboços de obras de arte ou versões preliminares de manuscritos famosos.
A descoberta representa para a comunidade científica a possibilidade de reconstruir a vida da sociedade Clássica Maia partindo de seus próprios registros, o que pode diminuir a dependência de relatos espanhóis e etno-histórias escritas séculos depois. Além disso, o achado coloca a ciência indígena das Américas em evidência, equiparando-a às do Velho Mundo.



