Prefeitos gastam mais com o meio ambiente em ano eleitoral, diz estudo
Pesquisa mostra que investimentos em meio ambiente são maiores no ano das eleições e no ano posterior ao pleito do que em outras épocas
atualizado
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“É ano de eleição”. Essa é uma expressão comumente usada pelos brasileiros para tentar explicar benfeitorias feitas por políticos com fins eleitoreiros. Geralmente, os mandatários dão preferência a obras mais visíveis, que podem converter votos na urna. No entanto, um novo estudo identificou uma lógica anteriormente desconhecida: o orçamento também é mais direcionado ao meio ambiente.
O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), analisou quase 5 mil municípios brasileiros através de dados eleitorais, orçamentários e econômicos. O trabalho foi publicado na revista Cadernos de Gestão Pública e Cidadania, em 20 de fevereiro.
Gastos dos prefeitos com meio ambiente
Os pesquisadores analisaram os dados dos municípios ao longo de 15 anos, entre 2007 e 2021. Para chegar aos resultados, foram comparados três momentos do ciclo político: um ano antes da eleição, o ano do pleito e um ano depois dele.
De acordo com a análise, mesmo representando apenas 1% do orçamento municipal, os gastos durante a eleição e no ano seguinte aumentam. No ano anterior, no entanto, não há variação significativa.

Os pesquisadores apontam que apesar dos prefeitos preferirem adequar o orçamento para gastar mais no período eleitoral com obras visíveis, a recondução partidária influencia o orçamento ambiental.
Isso ocorre porque, se o partido tem força na região, ele pode orientar as pautas do governo municipal para vencer o pleito, continuar no comando local e passar uma imagem responsável para o eleitor, mesmo que o candidato não esteja alinhado com essa agenda.
Mais exploração, menos investimento ambiental
Outro ponto detectado pelo estudo é que a exploração de recursos naturais através de transferências federais dobrou desde 2016, enquanto o uso de dinheiro municipal para proteger o meio ambiente não cresceu no mesmo nível.
Para diminuir o desequilíbrio, os pesquisadores afirmam que deveriam ser institucionalizadas metas e indicadores para o orçamento ambiental de cada município.
“O que falta como alerta para a população são justamente indicadores que mostrem como o município tem cuidado da sua gestão ambiental, o que ele conseguiu arrecadar com a exploração de recursos naturais, mas também o que é feito a cada ano e qual é o plano que ele tem para tentar compensar essa degradação”, ressalta um dos autores do estudo, Matheus Santos Marques, em comunicado.
O próximo passo do estudo será investigar como a ideologia partidária norteia os investimentos no meio ambiente, além de analisar se os aportes têm qualidade suficiente para melhorar os indicadores ecológicos.
