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Ciência

Criatura marinha que parece cocô pode viver mais de 120 anos, afirma estudo

Estudo com DNA mostra que pepino-do-mar vive décadas, cresce pouco e pode levar mais de um século para desaparecer da população

03/10/2026 17:29
Chih-Wei Chen/iNaturalist
Imagem do pepino-do-mar chamado Holothuria (Microthele) whitmaei em habitat. Metrópoles

Uma criatura marinha com aparência incomum e pouco chamativa pode esconder uma característica rara. O pepino-do-mar Holothuria whitmaei, encontrado nos oceanos Pacífico e Índico, pode viver mais de 120 anos, segundo um estudo publicado neste mês de outubro na revista iScience.

O animal, conhecido em alguns lugares como peixe-teta-preto, é consumido como iguaria e está ameaçado de extinção. A nova pesquisa sugere que sua recuperação na natureza pode ser mais lenta do que se imaginava.

Estudo acompanhou os mesmos animais por décadas

A descoberta foi possível após um trabalho iniciado no ano 2000 na Grande Barreira de Corais, na Austrália. Na época, pesquisadores coletaram amostras de tecido de dezenas de indivíduos e registraram o material genético de cada um.

Como os animais não mantêm marcas físicas por muito tempo, o DNA funcionou como uma forma de identificação individual.

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Mais de duas décadas depois, em 2024, a equipe voltou a um dos pontos de coleta e encontrou novos exemplares. Ao comparar o DNA, identificou que 31 deles eram os mesmos animais analisados 24 anos antes, o que indica que ao menos parte da população sobrevive por longos períodos.

Animais não cresceram e até perderam tamanho

Os pesquisadores também mediram os indivíduos encontrados. Em vez de crescimento, observaram redução no tamanho e no peso ao longo dos anos. Em média, os animais estavam mais leves e menores do que eram no início do estudo.

A causa ainda não está clara, mas pode envolver mudanças ambientais ou variações naturais do corpo desses organismos.

Apesar disso, o foco principal foi a sobrevivência ao longo do tempo. A taxa de mortalidade anual estimada foi baixa, o que permitiu projetar que alguns indivíduos podem ultrapassar um século de vida.

iScienceUm dos pepinos-do-mar fotografados na Ilha Lizard, na Grande Barreira de Corais. Metrópoles
Um dos pepinos-do-mar fotografados na Ilha Lizard, na Grande Barreira de Corais

Espécie pode levar muito tempo para se recuperar

Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de exemplares jovens nas coletas. Tanto no início quanto décadas depois, os pesquisadores encontraram apenas indivíduos adultos. O achado indica que a reposição da população ocorre lentamente. Para uma espécie já pressionada pela pesca, essa característica dificulta a recuperação.

Os autores destacam que outras espécies de pepino-do-mar podem ter características semelhantes, mas ainda há poucas informações sobre tempo de vida e dinâmica populacional.

Papel no ambiente marinho

Além do interesse científico, os pepinos-do-mar têm função no ecossistema. Eles se alimentam de sedimentos e ajudam a reciclar nutrientes no fundo do mar, o que contribui para o equilíbrio dos recifes de coral.

Com os recifes já sob pressão por mudanças ambientais, a redução de espécies como o pepino-do-mar pode agravar o quadro.

Os pesquisadores defendem que os dados devem ser considerados na revisão de estratégias de conservação e manejo dessas populações.