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Ciência

DNA humano é encontrado pela primeira vez em paredes de cavernas

Estudo mostra que material genético pode permanecer preservado por milhares de anos e ajudar a revelar quem frequentava esses locais

26/06/2026 12:12, atualizado 26/06/2026 12:17
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Reprodução/Matthias Meyer/Max Planck Gesellschaft
Teto policromado de caverna Altamira, de onde foram analisadas amostras de pigmentos. Metrópoles

Pela primeira vez, cientistas conseguiram identificar DNA humano antigo preservado diretamente nas paredes de cavernas. A descoberta mostra que vestígios genéticos podem permanecer na rocha por milhares de anos e oferece uma nova forma de investigar quem ocupava esses locais durante a pré-história.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Espanha, Portugal, Alemanha, Reino Unido e China, dentro do projeto First Art, e publicado na revista Nature Communications na última terça-feira (23/6).

Até agora, o DNA humano antigo era obtido principalmente a partir de ossos, dentes, sedimentos e alguns artefatos arqueológicos. A nova pesquisa demonstra que as próprias paredes das cavernas também podem guardar esse tipo de informação.

Como o DNA foi encontrado?

Os pesquisadores analisaram 120 amostras coletadas em 11 cavernas da Espanha e de Portugal. O material incluía fragmentos de paredes com pinturas rupestres, áreas sem pigmentação, sedimentos, ossos e até um antigo instrumento usado para aplicar tinta nas paredes.

Ao todo, cinco amostras apresentaram DNA mitocondrial humano antigo preservado. Parte delas veio de uma caverna em Portugal e outra parte de uma caverna no norte da Espanha.

Um dos resultados que mais chamou a atenção da equipe foi a identificação de DNA humano também em áreas das paredes que não possuíam pinturas rupestres. Isso indica que a presença de material genético não depende necessariamente da arte produzida no local.

Como o material permaneceu na estrutura

Segundo os pesquisadores, o DNA pode ter sido deixado nas paredes por meio do contato direto de pessoas pré-históricas, como saliva, suor ou outros fluidos corporais.

Em algumas amostras, os cientistas não encontraram DNA de animais, o que reforça a hipótese de que o material genético humano foi depositado diretamente na superfície da rocha.

Em outras, o DNA humano apareceu junto ao de animais, sugerindo que ele pode ter chegado ao local transportado por sedimentos ou pela água ao longo do tempo.

O que a descoberta pode revelar

As análises mostraram que o DNA de três amostras era predominantemente feminino, uma era masculina e outra não pôde ser identificada.

Em duas amostras da Espanha, os pesquisadores também conseguiram determinar que o material genético pertencia a humanos modernos ligados ao grupo dos caçadores-coletores que viveram na Península Ibérica.

Os autores ressaltam que os resultados não permitem afirmar que o DNA pertence aos artistas que produziram as pinturas, mesmo assim, a descoberta oferece uma nova ferramenta para estudar a ocupação humana das cavernas.

Limitações do estudo

Apesar do resultado, o DNA humano antigo foi encontrado em apenas cinco das 120 amostras analisadas, mostrando que sua preservação é rara e depende de condições específicas do ambiente.

Segundo os autores, mais estudos serão necessários para entender em quais tipos de cavernas e superfícies o material genético consegue permanecer preservado por mais tempo.