Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

Tubarões podem perceber sons de baixa frequência a 74 metros debaixo d’água

Pesquisa mostra que tubarões-galha-preta conseguem perceber sons de baixa frequência e identificar de onde eles vêm

01/10/2026 16:51, atualizado 01/10/2026 17:27
Auscape/Colaborador/gettyimages
Imagem colorida de tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus)

Além de possuírem uma visão sofisticada e conseguirem enxergar o que está ao redor, os tubarões podem usar a audição para identificar e perceber movimentos debaixo d’água — é o que aponta um estudo realizado com tubarões-galha-preta (Carcharhinus limbatus). 

Feito pela Universidade Atlântica da Flórida, em regiões de águas rasas do condado de Palm Beach, nos Estados Unidos, e publicado em junho na revista Integrative Organismal Biology, o estudo destaca que a espécie consegue detectar sons de baixa frequência a até 74 metros de distância.

A escolha dos tubarões-galha-preta se deu porque, durante o inverno, são encontrados numerosos grupos da espécie, enquanto ao longo do ano há uma diminuição deles na região.

O estudo se apresenta como o primeiro a conseguir quantificar evidências de que os animais, nadando livremente, são capazes de perceber e se orientar por sons produzidos no chamado campo acústico distante, já que até então não havia indícios de que eles podiam ouvir em seu ambiente natural.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Sua abundância e acessibilidade nos permitiram observá-los de cima sem perturbar seu comportamento natural”, disse Stephen Kajiura, autor sênior e professor de ciências biológicas na Faculdade de Ciências Charles E. Schmidt da FAU, em comunicado.

Como o estudo foi realizado

Para realizar os testes, a equipe inseriu um alto-falante debaixo d’água que produzia sons de frequência baixa, de 100 a 200 Hz, de 200 a 400 Hz e de 400 a 800 Hz. Eles também utilizaram um de 10 kHz, como controle.

O objetivo não foi tentar atrair os animais, mas, sim, emitir sons suficientemente altos que provocassem reações de susto.

Assim, enquanto hidrofones mediam de pontos diferentes os níveis dos sons, drones foram colocados acima do mar entre 40 e 50 metros, para captar os movimentos dos animais. Dessa forma, a partir das imagens, os pesquisadores puderam calcular a distância entre os tubarões e o alto-falante.

Resultados

Os pesquisadores identificaram que os animais responderam às três faixas de baixa frequência, deslocando-se para uma distância de até 74 metros, e não mostraram reação à frequência alta, usada como controle.

Segundo a equipe, mais de 70% das reações dos animais registradas aconteceram no campo acústico distante. Os tubarões se mostraram mais sensíveis aos sons de frequências baixas, os quais foram percebidos em maiores distâncias e menores níveis sonoros.

Além de captar o ruído, os tubarões mudaram de direção em relação ao alto-falante, nadando para longe dele.

Para os pesquisadores, isso indica que os animais conseguiram perceber a presença e de onde vinha o som. “O que torna essa descoberta particularmente interessante é que os tubarões estavam respondendo a sons além do campo acústico próximo, onde o som se comporta de maneira diferente do que perto da fonte”, destaca Kajiura.

De acordo com os autores, o estudo sugere que os animais estão detectando o movimento das partículas associado ao som mesmo a distâncias consideráveis da fonte, algo que não havia sido demonstrado anteriormente em tubarões em natação livre.

Isso porque, segundo os autores, essa medição não poderia ser feita em tanques de laboratório, pois haveria a possibilidade de o som ricochetear repetidamente nas paredes, gerando padrões acústicos complexos e dificultando a interpretação do comportamento do animal.

Tubarões podem perceber sons de baixa frequência a 74 metros debaixo d’água